"Uma Batalha Após a Outra" vence Oscar 2026 de Melhor Filme
Estatueta principal na 98ª edição do prêmio consagra carreira do diretor Paul Thomas Anderson e amplifica conexões entre trama e atual momento social nos EUA

Felipe Moraes
"Uma Batalha Após a Outra" venceu o Oscar 2026 de Melhor Filme, encerrando a cerimônia de premiação realizada neste domingo (15), em Los Angeles.
Inspirado no livro "Vineland" (1990), de Thomas Pynchon, "Uma Batalha Após a Outra" narra a saga de um ex-revolucionário, vivido pelo astro Leonardo DiCaprio, que volta à ativa após o desaparecimento da filha (Chase Infiniti) e o retorno de um antigo repressor (Sean Penn). Completam o farto elenco nomes como Benicio Del Toro, Teyana Taylor, Regina Hall e Alana Haim.
O longa-metragem era considerado favorito após ter recebido, duas semanas antes do Oscar, o prêmio principal do PGA Awards, entregue pelo sindicato de produtores e principal termômetro para a estatueta da categoria — desde 1989, somente dez vencedores do PGA não ganharam o troféu de melhor filme da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas.
A estatueta principal na 98ª edição do prêmio máximo de Hollywood consagra a carreira do cultuado diretor Paul Thomas Anderson, famoso por longas como "Boogie Nights" (1997), "Magnólia" (1999) e "Sangue Negro" (2007), e amplifica possíveis entrelaçamentos entre a narrativa e o atual momento de tensões sociais nos Estados Unidos sob o segundo governo do presidente Donald Trump.
Apesar de adaptar um livro da década de 1990 ambientado nos anos Reagan e ter sido gravado em 2024, "Uma Batalha Após a Outra" é fortemente sugestivo. Por exemplo: um dos personagens centrais, o militar corrupto interpretado por Penn, comanda uma série de ações repressoras contra comunidades de imigrantes e persegue, de forma institucional e pessoal, o grupo de resistência French 75, que tem Bob (DiCaprio) como um dos integrantes.
Não há menção explícita ao ICE, serviço federal de imigração responsável por cenas de violência e morte e alvo de protestos, ou a quaisquer órgãos ou autoridades, mas espectadores e críticos apontaram nas redes sociais e na imprensa conexões entre os EUA da ficção e o das ruas.
Tanto que até uma das produtoras da obra, Sara Murphy, agora oscarizada com o prêmio de melhor filme, admitiu em declarações recentes que "Uma Batalha Após a Outra" é "devastadoramente" conectado à realidade: "Uma espécie de reflexo da situação em torno de raça e imigração nos Estados Unidos".









