Nova York — António Guterres havia terminado seu último discurso na Assembleia Geral — ele deixa o cargo de secretário-geral das Nações Unidas em dezembro — e quem estava no palco era o diplomata de Bangladesh, Khalilur Rahman. Delcy Rodríguez estava sentada no canto direito do plenário junto à delegação venezuelana, bem abaixo de uma das cabines dedicadas à imprensa. Dali, os olhos do mundo ficam atentos à movimentação dos líderes.
Rodriguez, que até janeiro deste ano era a vice de Nicolás Maduro, saiu da mesa onde estava e percorreu todo o perímetro do salão, pela parte de trás e acompanhada por assessores, até chegar ao posto dos representantes espanhóis. Pedro Sanchez falava em um telefonema. A atual líder interina da Venezuela lhe chama com um toque no ombro e manda um beijo. Segundos depois, o primeiro ministro espanhol retribui. Foram dois beijos no rosto. Alguns segundos depois, Delcy Rodriguez deixa o plenário. O atual líder da Assembleia Geral terminou o discurso e quem subiu ao palco foi o presidente brasileiro. Foi neste intervalo que Delcy Rodriguez retornou à sala e ao local destinado à sua delegação.
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A imagem de um minuto e cinquenta e nove segundos registrada pela autora desta coluna ganhou, em pouco tempo, manchetes que repercutiram especialmente na Espanha. O jornal ABC publicou: "Mais de quarenta metros em busca da cumplicidade de Sánchez." O El Mundo escolheu a frase "Delcy exibe seu acesso a Sánchez e lhe compromete em plena ONU”. O El País deu a legenda: "Delcy Rodríguez busca o cumprimento de Pedro Sánchez."

O governo espanhol foi consultado por jornalistas europeus que questionaram o conteúdo daquela conversa no plenário da ONU. Segundo o jornal espanhol ABC “o encontro não estava na agenda oficial de Sánchez mas pareceu estar previsto por ambas as partes”. O El País publicou que Delcy Rodríguez "pediu a Sánchez que ela possa continuar falando sobre a situação da Venezuela e seu futuro político” e que Sanchez respondeu que “mantem aberto este canal porque a Espanha está comprometida com o futuro da região”.
No dia seguinte à interação, Pedro Sanchez comentou , na ONU, sobre a cena em uma coletiva de imprensa. O mandatário espanhol disse: "Estávamos na Assembleia Geral, ela se aproximou, me cumprimentou, normal."
Mais que uma troca de palavras em meio a um evento global, a caminhada de Delcy Rodríguez para o cumprimento ao primeiro ministro espanhol chamou a atenção pelo contexto político da Venezuela. Sanchez é um líder de esquerda e frequentemente entra em embates políticos com Donald Trump - um presidente Republicano que não tem poupado elogios à presidente interina do país latino depois de uma operação militar no dia 3 de janeiro que gerou controvérsia no mundo. Desde que os helicópteros do exército norteamericano cruzaram o Caribe e entraram em Caracas, Nicolás Maduro segue preso em uma penitenciária do Brooklyn acusado pelos Estados Unidos de não coibir a ação de um cartel, o Los Soles.
Vista por Washington até pouco tempo como um alvo de sanções por ser parte do regime de Maduro, Delcy Rodriguez desembarcou em Nova York com um encontro já agendado com Donald Trump. Os dois se reuniram em um hotel no começo da noite de terça-feira, 22 de setembro. Rodriguez descreveu a reunião com o norteamericano como “histórica”. Ela subiu no palco da ONU nesta quarta-feira, dia 23 de Setembro.
"No fim das contas, vocês precisam realizar eleições", disse Trump à ex -vice de Maduro.
Maria Corina Machado não consegue retornar à Venezuela
Em uma reportagem exclusiva o jornalista David Alandete, do jornal ABC, acompanhou a ganhadora do Nobel da Paz em um périplo na tentativa de volta à Venezuela. Segundo a reportagem, Maria Corina tentou regressar três vezes desde o Panamá, "por ar, terra e mar". "Eram a quinta, sexta e sétima tentativa de regressar ao seu país desde que saiu clandestinamente há nove meses", escreveu Alandete.
Sem passaporte venezuelano, já que o atual está vencido e a administração de Caracas não lhe concedeu outro, Machado chegou a conseguir um documento diplomático via Panamá, segundo a publicação. Não foi suficiente. O texto relata dificuldades impostas de documentação, problemas distintos envolvendo aviões e uma embarcação e uma comunicação de uma empresa aérea que afirmou que "transportar a Machado poderia afetar a autorização da empresa de operar no país". No ano passado, Maria Corina Machado entregou a Donald Trump a medalha do Nobel da Paz que ela recebeu e um certificado informal de transferência e agradecimento. Os organizadores do laurel informaram que "o Prêmio Nobel da Paz é personalíssimo e intransferível".

























