As duas faces da imigração no motor econômico do Texas
Segundo estado com o maior número de imigrantes nos EUA vive o contraste entre o palco de uma convenção e o cotidiano de quem ajuda a sustentar a economia local

Centro de Convenções em Dallas onde aconteceu a convenção republicana
Na hora prevista, a SUV negra chegou para o trajeto do aeroporto de Dallas para a região central da cidade. Pela trilha sonora do carro, a pergunta da passageira, autora desta coluna, foi sobre a nacionalidade da motorista. Kátia é cubana, disse que chegou aos Estados Unidos em 2021 mas que antes passou vários meses no Brasil. “Por lá foi difícil arrumar trabalho. Em todos os lugares pediam documento, qual é mesmo?”, ela questionou. “CPF”, respondi.
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Kátia relatou que do Brasil, depois de fazer algum dinheiro como costureira, veio para os Estados Unidos e aqui foi mais fácil encontrar trabalho. O marido, segundo ela, está preso há cinco meses pela polícia migratória. A motorista de Uber relatou que conseguiu pagar cerca de doze mil dólares para o advogado, que tem o apoio de uma igreja e que está confiante que o marido será solto sem deportação. Não houve espaço para conversa sobre a convenção republicana mas o começo dessa cobertura veio, por coincidência, com um tema falado por muitos oradores nos dois dias do evento.
Texas: o segundo estado com o maior número de imigrantes nos EUA
Os dados oficiais mais recentes do US Census Bureau mostram que cerca de 5 milhões e setecentas mil pessoas moradoras do Texas nasceram no exterior. O número representa 18,4% da população total do estado. Apenas a Califórnia tem mais imigrantes em números absolutos. Por aqui, a maioria vem da América Latina, com o México no topo da lista. Razão pela qual a motorista do Uber descreveu Dallas como acolhedora. O universo que ela relatou na corrida é de pessoas ligadas à igreja e imigrantes. Gente com participação relevante na economia texana: 22% da força trabalho local vem de trabalhadores de outras nacionalidades.
No palco da convenção, os discursos foram mais uma vez sobre acabar com a chamada “invasão estrangeira”. Uma posição que conta com o apoio da base mais fiel ao movimento MAGA — Faça a América Grande de Novo. “Vou assinar um ato para acabar de forma definitiva com a invasão no nosso país”, disse Donald Trump na primeira noite, entre aplausos. “Queremos o inglês como idioma oficial”, reforçou o presidente, em referência ao costume de que em restaurantes e hotéis de grandes cidades como Dallas, Nova York ou Miami o espanhol seja frequente entre os colaboradores.
Os republicanos que foram ver Trump pela segunda noite
Na entrada do evento, na quinta-feira, dia 10, os entrevistados da coluna destacaram outros temas levantados por Donald Trump no palco. “Gosto quando ele conta piadas e fala sobre mudar os nomes dos lugares”, relata Eric, de 13 anos. Questionado sobre quais nomes, ele deu o exemplo do Golfo do México, alterado por Trump para Golfo da América. “Agora ele falou em mudar o nome do Oceano Pacífico, vamos ver”, disse o jovem, que foi ao evento acompanhado do avô.

Janis Brimer veio do Arkansas. “É vital para nós que ganhemos as duas casas [Congresso]. Vimos ele cumprir muitas coisas que disse, então veremos”, ela relatou ao SBT News. Janis disse que lidera no Arkansas o maior grupo de mulheres republicanas do país. “Se o Congresso for do nosso partido, nós vamos dar um jeito”, afirmou, falando sobre a expectativa das eleições em menos de dois meses.

A nona cidade mais populosa dos Estados Unidos é conhecida como o coração financeiro da região e daqui vêm muitos apoiadores do partido que tenta não perder a maioria das cadeiras no Congresso no pleito de novembro. Nas eleições presidenciais, Donald Trump perdeu em Dallas, mas ganhou no Texas, um estado tradicionalmente republicano.

























