Dois atentados e o desafio de contar parte da história
Pela segunda vez em menos de um mês, jornalistas que cobrem a rotina do presidente dos EUA viram o trabalho se fundir com a realidade


Casa Branca, sede do governo dos EUA, em Washington.
Washington DC - Os detalhes foram conhecidos minutos depois dos disparos terem sido ouvidos a cerca de 50 metros de distância de onde a tentativa de invasão à Casa Branca aconteceu no sábado (23). Na sala de imprensa já praticamente vazia pelo horário - eram cerca de seis da tarde - uma colega veio da parte de trás onde ficam os escritórios dos meios de comunicação e perguntou assustada: "você está ouvindo?". Eu estava concentrada no computador. Foi quando olhei para porta e escutei os disparos que pareciam vir de longe.
Em uma reação de segundos, saí para a área do jardim para entender o que acontecia e registrar. Correspondentes que estavam ao vivo corriam para se proteger uma vez que estavam posicionados numa área de risco, bem em frente à grade da residência do presidente norte-americano, que é vazada. Agentes do Serviço Secreto orientaram para que todos entrassem para buscar abrigo. Foram cerca de 30 minutos sem saber o que acontecia lá fora e, ao mesmo tempo, um período para enviar informações ao vivo à redação.

A conexão ao vivo para todo o Brasil começou cerca de 10 minutos depois dos disparos. Uma situação que parecia se repetir. Há menos de um mês num outro evento, no jantar dos correspondentes da Casa Branca, um outro atirador também tentou invadir o perímetro de segurança onde o presidente dos Estados Unidos estava.
Naquela ocasião, o sinal dos celulares no subsolo do edifício Hilton era fraco e mandar mensagens em tempo real ou imagens foi praticamente impossível. No último sábado, a tensão na Casa Branca foi relatada minuto a minuto diante da incredulidade de que mais uma vez não só o líder do país, os funcionários do poder executivo e forças de segurança, mas também os jornalistas, técnicos e população estavam em risco.
No domingo foi possível ver a extensão do que aconteceu na esquina da Avenida Pensilvânia. As marcas dos tiros estavam na vitrine de uma loja que parece ser a prova de balas. Os vidros estão de pé mas totalmente rachados. 48 horas após o ocorrido, o perímetro de segurança no entorno da Casa Branca permanecia o mesmo. A rua e o quarteirão em frente à edificação estavam totalmente interditados assim como a praça a frente. Só passam funcionários e pessoas credenciadas.

Ataques à segurança de Trump e o Ballroom
Pelas redes sociais, Donald Trump publicou, nesta segunda-feira (25), a petição protocolada ainda no domingo na corte dos Estados Unidos para solicitar a extinção do processo que desafia a construção do salão de festas na área leste.
A organização que cuida dos edifícios históricos questiona a demolição da estrutura anterior e os custos da obra. Trump argumenta que a segunda tentativa de homicídio "destaca a necessidade crítica da segurança na Casa Branca, incluindo o salão, que é parte da segurança nacional".
A petição descreve um "paraíso seguro de criminosos" como o do último sábado e o do dia 25 de abril, no Hilton. Embora um tribunal de apelações tenha autorizado a continuação das obras, a defesa do presidente entende que encerrar o caso é o maior caminho para a segurança do projeto. A defesa da Casa Branca argumenta que o salão é o local mais adequado para que o líder do país receba convidados, muitos chefes de Estado, e também realize eventos maiores sem ter que deixar o perímetro seguro.

Nesta segunda-feira, me deparei com um funcionário do setor de parques da Casa Branca deixando o local logo cedo. As gruas de construção civil na ala leste seguiam erguidas e os policiais estavam agrupados em maior número em vários pontos. O jantar que foi cancelado em abril pretendia ser realizado novamente em um mês mas ainda não há a certeza de quando ou onde o evento poderia acontecer. Levar o presidente, as autoridades e os quase três mil convidados novamente ao hotel não parece ser o mais seguro.
No ocorrido no fim de semana, um pedestre foi ferido no tiroteio entre o criminoso e os policiais que fazem guarda permanente no entorno da sede do poder executivo norte americano. 48 horas depois, ele seguia internado. O atirador morto naquele mesmo dia deixou marcas físicas nos comércios locais. Outras tantas, invisíveis ao olho nu, seguem com os trabalhadores, moradores e turistas que estavam na região naquele dia.



















