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11/9: 'Não sei por que sobrevivi, mas hoje sou grata'

Ao SBT News, Adriana Maluendas relembra os traumas do atentado e a decisão de participar pela primeira vez da leitura dos nomes das vítimas

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Sofia Pilagallo
Adriana Maluendas, brasileira que sobreviveu aos atentados contra as Torres Gêmeas, em Nova York, em 11 de setembro de 2001 | Foto: Arquivo pessoal

Adriana Maluendas, brasileira que sobreviveu aos atentados contra as Torres Gêmeas, em Nova York, em 11 de setembro de 2001 | Foto: Arquivo pessoal

Em 11 de setembro de 2001, Adriana Maluendas, de 54 anos, estava hospedada no sexto andar do Marriott World Trade Center, hotel localizado entre as Torres Gêmeas, em Nova York. Paranaense de Paranaguá, ela tinha 29 anos e havia chegado aos Estados Unidos três dias antes para estudar commodities. Planejava se mudar para Nova York. O atentado mudou todos os seus planos.

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Adriana deixou o quarto pouco depois de o primeiro avião atingir a Torre Norte, contrariando uma mensagem do sistema de alarme que orientava os hóspedes a permanecerem onde estavam. Levava apenas uma bolsa com o passaporte, a carteira e o cartão que servia como chave do quarto. O hotel seria completamente destruído com a queda das torres.

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Vinte e cinco anos depois, ela convive com problemas de saúde que associa à fumaça e à poeira tóxica daquele dia. Também passou anos tentando encontrar uma mulher cadeirante que precisou deixar no sexto andar durante a fuga. A sobrevivência, os traumas e o processo de reconstrução são narrados no livro Além das Explosões, escrito por Adriana após o atentado.

Planejados e executados pela organização terrorista al-Qaeda, os ataques deixaram 2.977 mortos e mais de 6 mil feridos. Em 2026, Adriana decidiu comparecer pela primeira vez ao memorial em um 11 de setembro e participar da leitura dos nomes das vítimas. Ao SBT News, ela conta sua história:

Lembro daquele dia como se fosse ontem. O 11 de setembro mudou a cidade, o país e o mundo. Para mim, também foi o dia em que tudo o que eu havia planejado para a minha vida mudou.

Sou formada em comércio exterior. Na época, trabalhava com exportação de soja e estava me redirecionando para a área de commodities. Aos 28 anos, tinha toda a carreira pela frente.

Cheguei a Nova York em 8 de setembro de 2001. Ficaria nos Estados Unidos para estudar e depois voltaria para morar na cidade por dois anos. Eu tinha praticamente cinco anos da minha vida planejados.

Escolhi o Marriott World Trade Center porque ainda não conhecia bem a cidade. Conhecido como a terceira torre, o hotel ficava entre as Torres Gêmeas e foi destruído quando elas desabaram.

Na manhã de 11 de setembro, eu estava no quarto, praticamente pronta para sair. Tinha avisado ao meu pai e ao meu chefe que passaria as horas seguintes em um escritório na Torre Norte. Todos sabiam que eu estava dentro do complexo. Quando as notícias começaram a circular, não havia como imaginarem que eu tivesse sobrevivido.

Quando o primeiro avião atingiu a Torre Norte, o prédio inteiro chacoalhou. Minha primeira impressão foi a de que estava acontecendo um terremoto. Depois do impacto, vieram vários estrondos e sons de explosões.

Liguei para o lobby para perguntar o que estava acontecendo, mas ninguém atendia.

Explosão provocada pelo impacto do voo 175 da United Airlines contra a Torre Sul do World Trade Center, em 11 de setembro de 2001 | Foto: Reuters
Explosão provocada pelo impacto do voo 175 da United Airlines contra a Torre Sul do World Trade Center, em 11 de setembro de 2001 | Foto: Reuters

Meu passaporte e minha carteira estavam na bolsa que eu havia usado no dia anterior. Peguei-a, coloquei-a a tiracolo e levei também o cartão que abria a porta. Pensei: “Vou descer para ver o que está acontecendo”. Nunca mais voltei àquele quarto.

Quando abri a porta, o sistema de alarme já estava acionado. Nunca me esqueci da mensagem: "Remain in your rooms. The whole situation is under control." ("Mantenham-se em seus quartos. A situação está sob controle.")

Muitas pessoas obedeceram. Houve hóspedes que permaneceram nos quartos e morreram dentro do hotel. Não sei se foi instinto, se foi Deus ou como devo chamar aquilo, mas alguma força me fez pensar: "Não. Vou ver o que está acontecendo."

Fui até a área dos elevadores. Ali havia uma senhora em uma cadeira de rodas e uma jovem olhando pela janela panorâmica. Era uma americana loira, quase da minha idade. Estava paralisada, em estado de choque.

Perguntei: "Is that bad?" ("É tão grave assim?"). Ela não respondeu. Quando me aproximei da janela, vi partes de corpos ainda em chamas, pedaços de concreto e destroços espalhados pelo chão. Era uma cena de guerra.

Até aquele instante, eu não sabia que um avião havia atingido a torre. Depois de olhar pela janela, entendi que era algo muito sério.

Explosão na Torre Sul do World Trade Center no momento em que o voo 175 da United Airlines atingiu o edifício, em 11 de setembro de 2001 | Foto: Robert J. Fisch/Wikimedia Commons
Explosão na Torre Sul do World Trade Center no momento em que o voo 175 da United Airlines atingiu o edifício, em 11 de setembro de 2001 | Foto: Robert J. Fisch/Wikimedia Commons

Peguei a jovem pelo braço. O nome dela era Audrey [nome fictício usado para preservar a identidade da sobrevivente, que ainda convive com consequências emocionais dos atentados]. Hoje, ela é como uma irmã para mim. "Let’s get out of here" ("Vamos embora daqui"), ela disse.

As pessoas começaram a correr para as escadas de emergência. Havia hóspedes de pijama e gente gritando "Get out! Get out!" ("Saiam! Saiam!"). A senhora cadeirante segurou meu braço e pediu que eu buscasse ajuda.

Não havia rampa naquele andar. Para sair, só tínhamos os elevadores ou as escadas. Eu disse que procuraria alguém e comecei a descer com Audrey. Durante anos, carreguei o trauma de ter deixado aquela mulher para trás.

Na escadaria, em meio ao empurra-empurra, caí e bati a coluna nos degraus. Audrey me ajudou a levantar. Quando chegamos ao lobby, um dos elevadores explodiu e uma nuvem de fumaça veio sobre nós.

Os bombeiros indicavam o caminho. A passagem dos fundos estava bloqueada, e escapamos pela frente. Antes de ir embora, avisamos que havia uma mulher em uma cadeira de rodas no sexto andar. Repetíamos: "Wheelchair lady, sixth floor" ("Mulher de cadeira de rodas, sexto andar").

Do lado de fora, as ruas estavam tomadas por pessoas olhando para cima. Foi naquele momento que vi o segundo avião atingir a outra torre.

É curioso, porque todos diziam "Oh, my God" (“Oh, meu Deus”), mas, ao mesmo tempo, havia uma espécie de silêncio. Fiquei paralisada. As lágrimas escorriam pelo meu rosto, mas eu não percebia que estava chorando. Ouvíamos os pedidos de socorro e o impacto dos corpos no chão. Víamos pessoas se jogando porque não havia outra saída. Essas imagens permaneceram durante anos na minha cabeça.

Pessoas aparecem nas janelas de uma das Torres Gêmeas, cercadas pela fumaça, durante os ataques de 11 de setembro de 2001 | Foto: Reuters
Pessoas aparecem nas janelas de uma das Torres Gêmeas, cercadas pela fumaça, durante os ataques de 11 de setembro de 2001 | Foto: Reuters

A fumaça ficou cada vez mais densa e o calor aumentou. Então começaram os gritos: "It’s falling down! It’s falling down!" (“Está desabando! Está desabando!”)

Audrey me puxou pelo braço e me fez correr. Naquele momento, ela me salvou.

'Pensei que morreria'

Corremos com todo mundo em direção ao Battery Park, no extremo sul de Manhattan. Era cada um por si. Quando as torres desabaram, a nuvem de fumaça avançou sobre nós. Todos se jogaram no chão. Foi a primeira vez que pensei que morreria.

Eu só conseguia pedir a Deus que a minha família encontrasse o meu corpo, para que soubesse o que havia acontecido comigo.

Nuvem de poeira e destroços avança pelas ruas próximas ao World Trade Center após a queda de uma das Torres Gêmeas, em 11 de setembro de 2001 | Foto: Reuters
Nuvem de poeira e destroços avança pelas ruas próximas ao World Trade Center após a queda de uma das Torres Gêmeas, em 11 de setembro de 2001 | Foto: Reuters

Quando a poeira começou a baixar, as pessoas diziam que as torres tinham desaparecido. Eu não conseguia olhar para trás. Audrey usava lentes de contato, que secaram por causa da poeira. Ela dizia que estava cega, e eu tentava acalmá-la: "Você não está cega." Alguém conseguiu água para lavar os olhos dela.

Caminhamos por horas, cobertas de cinzas e com sede. Procuramos um hotel, mas ninguém queria nos dar um quarto. Olhavam para nós e diziam: "We are sold out." ("Estamos lotados.")

Minha família não sabia se eu estava viva. A agência que fizera a reserva avisou aos meus parentes que, possivelmente, eu não teria sobrevivido. A dona começou a ligar para hotéis e pedir que me acolhessem caso eu aparecesse.

Muitas pessoas já admitiam a possibilidade de eu ter morrido. Meu pai foi o único que não desistiu. Quando meu irmão disse que ele precisava considerar o pior, respondeu: "Tenho certeza de que ela saiu dessa."

Eu já não sentia os pés nem percebia a dor. Não sabia que estava sangrando pela boca nem que tinha duas costelas trincadas. Meu corpo estava anestesiado pelo choque.

Por volta das 19h, chegamos a outro hotel. Eu estava tão exausta que coloquei meu passaporte sobre o balcão e disse à funcionária: "Pelo amor de Deus, aqui está o meu passaporte. Eu tenho dinheiro. Nós precisamos de um quarto."

Ela abriu o documento, olhou o meu nome e perguntou: “Você é Adriana?". Respondi que sim. "Estão esperando você". Quando ouvi aquilo, não consegui responder.

Depois, entrei no quarto que haviam reservado para mim e fui tomar banho. Foi quando vi meu corpo: estava coberta de hematomas.

'Não conseguia me sentir segura'

Não consegui dormir naquela noite. Sentia-me presa no quarto. Passei horas caminhando pela cidade e parei em uma praça para chorar. Na manhã seguinte, vi uma sequência interminável de carros de bombeiros e ambulâncias.

O vice-cônsul brasileiro na época, Dario Campos, foi me encontrar no hotel. Ele se tornou como um pai para mim. Levou-me ao hospital, mas eu só falava sobre a mulher cadeirante. Ele me disse: "Filha, não pense nisso agora. Vamos ver o que está acontecendo com você."

Quando ouvi que o hotel havia sido completamente destruído, comecei a rezar e a chorar. A culpa chegou de forma devastadora. Eu tinha prometido buscar ajuda para aquela mulher e acreditava que ela havia morrido.

Mulher chora nas ruas de Nova York após os ataques ao World Trade Center, em 11 de setembro de 2001 | Foto: Reuters
Mulher chora nas ruas de Nova York após os ataques ao World Trade Center, em 11 de setembro de 2001 | Foto: Reuters

Só fui diagnosticada com transtorno de estresse pós-traumático quase um mês depois. Na época, quase ninguém falava sobre o transtorno.

Voltei ao Brasil em 21 de setembro, dez dias depois do atentado. Mesmo a milhares de quilômetros de Nova York, não conseguia me sentir segura.

Durante meses, quase um ano, dormi de roupa. Não colocava pijama porque achava que precisava estar sempre preparada para correr. Dormia de calça jeans.

Meus pais perceberam. Certa vez, vi os dois chorando na porta do meu quarto. Minha mãe deixava um pijama limpo para mim e dizia: "Filha, coloquei o pijaminha ali, está bem?". Eu agradecia, mas não o vestia. Para que não vissem, passei a dormir no andar de cima.

Um dia, meu pai me abraçou e disse que gostaria de ter vivido aquilo no meu lugar para que eu não precisasse sofrer. Repetia que eu estava segura em casa e podia dormir tranquila.

Percebi que o meu trauma estava afetando meus pais. Minha mãe havia acabado de terminar o tratamento contra um câncer de mama. Eu não queria provocar mais sofrimento.

Disse ao meu pai que precisava voltar aos Estados Unidos. Eu precisava encontrar a mulher cadeirante.

'Foi como fechar um capítulo'

No nono aniversário do atentado, encontrei a mãe daquela mulher e descobri que ela se chamava Leigh Gilmore. Enquanto eu descia pelas escadas com Audrey, os bombeiros receberam o nosso aviso e subiram até o sexto andar. A mãe de Leigh havia voltado ao quarto para buscar documentos ou medicamentos. Um funcionário do hotel e os bombeiros conseguiram retirá-la por um elevador de serviço.

Na confusão, mãe e filha foram separadas e levadas para lugares diferentes. As duas sobreviveram e se reencontraram no dia seguinte.

Mais tarde, conheci a mãe de Leigh, o funcionário do hotel e um dos bombeiros que participaram do resgate. Leigh tinha esclerose múltipla e morreu quatro anos depois, mas não morreu naquele 11 de setembro.

Saber que ela havia escapado retirou um peso enorme da minha vida. Foi como fechar um capítulo. Depois disso, comecei a escrever o meu livro e, aos poucos, consegui substituir parte da culpa pela gratidão.

Adriana Maluendas posa no Battery Park, em Nova York, com o One World Trade Center ao fundo; à direita, a capa do livro 'Além das Explosões', no qual relata sua experiência nos ataques de 11 de setembro | Fotos: Arquivo pessoal/Divulgação
Adriana Maluendas posa no Battery Park, em Nova York, com o One World Trade Center ao fundo; à direita, a capa do livro 'Além das Explosões', no qual relata sua experiência nos ataques de 11 de setembro | Fotos: Arquivo pessoal/Divulgação

Guardei durante anos o cartão que abria a porta do meu quarto. Quando o Museu Memorial do 11 de Setembro estava sendo construído, seus representantes procuravam objetos de sobreviventes.

Depois de reencontrar a família da cadeirante, entendi que era a hora de deixar aquele objeto partir. Doei a chave e, após conseguir autorização das autoridades brasileiras, também entreguei o passaporte que usava na época. Nele estavam o carimbo da minha chegada aos Estados Unidos e o comprovante do hotel.

Hoje, o museu preserva o registro da minha hospedagem, meus objetos e a minha história, narrada por mim em português, inglês e espanhol.

Os efeitos daquele dia não ficaram apenas na memória. Quatro anos depois, comecei a ter asma. Hoje, tenho doença pulmonar obstrutiva crônica, problemas na coluna e perda óssea na mandíbula. Uso bombinhas há 21 anos.

Naquele dia, respirei a fumaça e a poeira durante as primeiras horas. O cheiro não era apenas de algo queimando. Era cheiro de corpos queimados, muito forte e diferente de qualquer outro. Meses depois, quando voltei a Nova York, ele ainda permanecia naquela parte da cidade.

Só quem sobreviveu e continuou vivendo ao longo dos anos conhece todos esses desafios. Em nossa comunidade, muitas vezes recebemos notícias de pessoas que morreram ou desenvolveram doenças graves. Tornamo-nos uma família que o mundo nos obrigou a formar.

Durante quatro anos, usei antidepressivos. Estou há mais de duas décadas sem a medicação, mas precisei de muita terapia, fé e força. Encontrei equilíbrio no amor pelos animais e no trabalho voluntário.

'Tornei-me uma rocha'

A Adriana de 2001 era extremamente voltada aos negócios. Depois do atentado, tornei-me uma pessoa mais humana e altruísta. Hoje, participo de três grupos de voluntariado. Sempre que a minha saúde permite, dedico as horas que posso a ajudar outras pessoas.

Durante todos esses anos, visitei o memorial em diferentes datas, mas nunca no dia 11. Também nunca tinha aceitado participar da leitura dos nomes das vítimas.

Neste ano, fui convidada três vezes. Na terceira, respondi: “Está bem. Acho que chegou a minha hora."

Cada participante recebe uma lista com cerca de dez a 15 nomes. Há anos, pedi para ler os dos quatro brasileiros oficialmente reconhecidos entre as vítimas, mas só saberei quais estarão na minha lista quando chegar.

Para mim, estar ali 25 anos depois será uma forma de encerramento. Uma afirmação de que, não importa quanto tempo passe, nós podemos nos reerguer.

Muita coisa da Adriana de 2001 morreu naquele dia. Fiquei mais frágil em alguns aspectos, mas me tornei muito mais forte em outros. Tornei-me uma rocha, e meu maior alicerce é a fé.

Acho que o único momento em que ela balançou foi quando as torres caíram e eu, no chão, pedi apenas que Deus permitisse que a minha família encontrasse o meu corpo.

Adriana Maluendas posa com a Estátua da Liberdade ao fundo, em Nova York | Foto: Arquivo pessoal
Adriana Maluendas posa com a Estátua da Liberdade ao fundo, em Nova York | Foto: Arquivo pessoal

No 11 de setembro, conheci a crueldade de uma forma que nunca havia conhecido. Vi pessoas se jogando porque não tinham saída. Vi gente pedindo ajuda e não pude fazer nada. Mas, naquele mesmo dia, também conheci a humanidade.

Vi uma cidade inteira se ajudando. Pessoas que não nos conheciam ofereciam água, roupas e carinho. Um taxista desistiu da corrida porque não havia como avançar e não nos cobrou nada. Uma funcionária reconheceu meu nome. Um gerente abriu as portas de um hotel. Uma camareira saiu para comprar roupas para duas desconhecidas cobertas de cinzas.

Foi esse lado humano que também me transformou.

Voltar ao memorial no dia 11 será a minha maneira de prestar solidariedade às famílias e honrar aqueles que não puderam sair de lá. Quero chegar àquele lugar com mais leveza, serenidade e gratidão.

Não sei por que sobrevivi. Essa pergunta me acompanhou durante muitos anos. Hoje, porém, consigo agradecer por ainda estar aqui, cuidar da minha saúde, contar o que vivi e registrar essa história para as próximas gerações.

O atentado atravessou a minha vida física, profissional e emocional. Relembrá-lo para escrever o livro quase destruiu o meu casamento, porque mergulhei novamente em cada um daqueles momentos. Mas o livro não é apenas sobre tristeza. É sobre o instante em que consegui abraçar a vida outra vez.

Estar na cerimônia, ler os nomes e ocupar aquele espaço como sobrevivente será, para mim, uma honra e um agradecimento. Será a confirmação de que eu estive lá, sobrevivi e, apesar de tudo, continuo aqui.

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