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Tarifaço joga Brasil ao fim da fila dos EUA, diz empresário

Paulo Roberto Pupo, da Abimci, participou de audiência nos EUA para tentar evitar tarifa de 25% sobre o setor de madeira processada do Brasil

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Patrícia Vasconcellos
Paulo Roberto Pupo, superintendente da Abimci/Divulgação

Paulo Roberto Pupo, superintendente da Abimci/Divulgação

Washington DC - Por dois dias, setenta e quatro oradores passaram pelo auditório do USTR, o escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, para participar da audiência da Seção 301 sobre o Brasil. Sessenta e cinco por cento dos participantes foram brasileiros, o que reforça o esforço coordenado de empresas e associações do Brasil para tentar evitar a tarifa de 25%.

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Entre os norte-americanos que compareceram, estavam representantes de setores como o etanol, celulose e metalurgia - que defenderam a cobrança maior dos itens importados do país sul-americano.

Em entrevista ao SBT News, Paulo Roberto Pupo, superintendente da Abimci (Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente), destacou o nível técnico mais elevado da audiência em comparação ao ano passado.

"As defesas técnicas de todos os setores que se apresentaram aqui nos dois dias e as perguntas das autoridades não foram muito capciosas. Foram em função das defesas apresentadas e sempre buscando: qual é o plano alternativo? Qual o mercado alternativo?”, disse.

Pupo representou na audiência o setor de madeira processada do Brasil. “O impacto é gigantesco. O mercado americano representa em média 50% das nossas exportações. Alguns produtos, alguns setores - é muito dividido o setor - têm uma exposição de 100% do mercado americano. Então desde o ano passado vemos sofrendo muito com as tarifas até a Suprema Corte ter julgado ilegal”, afirmou.

Ele argumenta que a ameaça tarifária de 25% impacta muito a produtividade do setor e a competitividade. "Não existe comércio quando você não tem isonomia tarifária. A partir da hora que todo mundo é taxado igual é uma performance. Mas quando o Brasil está muito acima ele fica na última fila. Ou seja, os importadores americanos vão optando pelos lugares mais baratos até chegar no Brasil, que é o último da fila. Ou seja, nós estamos fora do jogo”, pondera.

Segundo Pupo, o Brasil é um excelente fornecedor mundial de madeiras, atendendo praticamente todo o mundo.

"Toda a nossa produção provém de florestas plantadas, nossa indústria de madeira processada está localizada nas florestas plantadas em especial no sul do Brasil e nós já desenvolvemos este share de mercado há muito tempo, há décadas. Produtos customizados para atender a demanda americana assim como na Europa e outros países e em especial aqui os EUA nós atendemos tecnicamente a construção civil. Então é um trabalho desenvolvido há muito tempo. É uma conquista muito grande, tanto tecnicamente como comercialmente em termos de qualidade, de performance, de entrega de logística. Seria muito difícil nós termos que aceitar ou conviver com uma tarifa que nos tira da competitividade”, disse.

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