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Por que o sucesso da seleção marroquina não é por acaso

Federação de Futebol consolidou estilo de jogo e investiu no futebol de base, captando jovens promessas na diáspora africana

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Murillo Otavio
09/07/2026, 16:20 • Atualizado em 09/07/2026, 16:28
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Seleção de Marrocos - Reprodução/Redes

Seleção de Marrocos - Reprodução/Redes

A Seleção de Marrocos enfrenta nesta quinta-feira (9) a França pelas quartas de final da Copa do Mundo. É a primeira vez que uma equipe africana chega por duas vezes consecutivas a esta fase da maior competição de futebol do mundo. O sucesso recente dos Leões do Atlas pode ser explicado não apenas pelo desempenho da equipe principal, mas também pelo forte investimento nas categorias de base e na infraestrutura.

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O atual momento consolida Marrocos como a principal seleção do continente africano, um feito que reflete na postura do elenco dentro e fora de campo. Em entrevista coletiva na quarta-feira (8), o técnico Mohamed Ouahbi afirmou que o grupo “não vai ouvir as pessoas que dizem que a França é favorita” para avançar na competição, mesmo reconhecendo que a equipe francesa tem demonstrado o melhor futebol do torneio até aqui.

O estilo de jogo da seleção marroquina combina um DNA ofensivo com solidez defensiva e transições rápidas. Com qualidade e resultados expressivos, Marrocos prova que o continente africano fornece atletas de alto nível capazes de competir em igualdade de condições com as melhores seleções do mundo.

Para chegar nesse nível, a organização institucional e a busca por novos talentos na diáspora tornaram-se as principais ferramentas da Academia de Futebol Mohammed VI.

DNA ofensivo com solidez defensiva

Em 2022, a seleção marroquina fez a melhor campanha de sua história em Copas do Mundo, caindo apenas na semifinal diante da França. Os principais jogadores daquela edição, como Hakimi, Ziyech e Ounahi, jogaram em alto nível e continuam sustentando o time em 2026, agora com mais experiência e entendimento de jogo. Além dos atletas de linha, o goleiro Yassine Bono, grande destaque daquela Copa, segue como peça fundamental.

O ponto alto daquela campanha histórica foi a consistência defensiva. Na fase de mata-mata, por exemplo, a equipe comandada por Walid Regragui eliminou nos pênaltis a Espanha, então seleção com o melhor ataque da competição, após um empate sem gols. Na sequência, venceu Portugal por 1 a 0 antes de ser superada pelos franceses.

Os marroquinos compreenderam que um futebol planejado, tanto dentro quanto fora das quatro linhas, rende bons resultados. Esse nível de organização profissional vai na contramão de polêmicas envolvendo premiações ou intervenções de dirigentes e chefes de Estado no futebol.

Com a estrutura defensiva consolidada, surgiu a necessidade de aprimorar o setor ofensivo. É nesse cenário que entra o olhar atento para jovens promissores. Ayyoub Bouaddi, de apenas 18 anos, surge como a nova joia marroquina e tem tudo para ganhar ainda mais destaque no cenário internacional.

Investimento na base e monitoramento global

De acordo com o jornal The Athletic, o ponto de virada no futebol marroquino ocorreu em 2014, com a chegada de uma nova liderança à Federação Marroquina de Futebol. A entidade sistematizou o que antes era um processo informal, criando um departamento específico para a prospecção e o contato com jogadores da diáspora.

Assim como diversas nações africanas, Marrocos foi colonizado por países europeus, como França e Espanha. Por isso, há muitos atletas com origem marroquina espalhados pelo continente europeu. Por exemplo, Lamine Yamal, principal jogador espanhol da Copa, tem raízes marroquinas.

A Academia Mohammed VI (nomeada em homenagem ao monarca do país) é um dos grandes pilares do sucesso nacional. O diferencial do Marrocos, no entanto, está na abordagem precoce: o monitoramento de talentos ao redor do mundo começa bem antes da idade de convocação para as seleções de base. Os filhos da diáspora são acompanhados desde os primeiros passos no futebol profissional, em paralelo ao desenvolvimento dos talentos locais.

Graças a essa estratégia, o DNA da seleção se transformou: dos 26 jogadores convocados para este torneio, 19 nasceram fora do país norte-africano e optaram por defender Marrocos devido aos laços familiares.

Ayyoub Bouaddi - reprodução/Redes
Ayyoub Bouaddi - reprodução/Redes

O jovem Ayyoub Bouaddi é o maior símbolo dessa mudança estrutural. Considerado uma das principais promessas da seleção, o meio-campista tem sido uma das grandes revelações do torneio, demonstrando habilidade técnica e maturidade. Ele foi peça importante no empate contra o Brasil, na estreia da fase de grupos.

O elenco ainda conta com outros nomes promissores, como Yassine Khalifi, campeão do mundo Sub-20, e Brahim Díaz, que brilha no Real Madrid.

Como consequência desse planejamento, os resultados começaram a aparecer em todas as categorias: Marrocos é o atual campeão do mundo Sub-20, apresentando um estilo de jogo muito semelhante ao da equipe principal.

Sucesso nacional

Além do sucesso internacional, o futebol nacional de Marrocos se consolidou como um dos mais fortes da África, com destaque para clubes como o Raja Casablanca.

No cenário continental, Marrocos é o atual campeão da Copa Africana de Nações de 2025, embora a conquista tenha sido confirmada nos tribunais após uma polêmica na final contra o Senegal.

O país também venceu o Campeonato das Nações Africanas (CHAN) em 2024, competição restrita a atletas que atuam em seus países de origem, reforçando a qualidade do futebol local.

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