PRTB registra Pablo Marçal, inelegível, à Presidência
Empresário declara patrimônio de R$ 7,4 bilhões; vice, presidente do partido, informa quase meio bilhão em bitcoin
Pablo Marçal | Reprodução
O PRTB registrou neste sábado (15) o pedido de candidatura do empresário e influenciador Pablo Marçal à Presidência da República, apesar de ele estar atualmente inelegível por decisão do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP).
O registro foi feito após Marçal obter uma liminar que reconheceu provisoriamente sua filiação ao PRTB com efeitos retroativos a 4 de abril, prazo-limite para quem pretende concorrer neste ano.
O pedido ainda terá que ser analisado pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral).
A declaração de bens apresentada por Marçal totaliza R$ 7,4 bilhões, com uma aplicação de renda fixa em RDB/CDB no Banco Itaú de R$ 6,79 bilhões.
O valor é bastante superior ao que ele declarou em 2024 quando disputou a Prefeitura de São Paulo — R$ 169 milhões.
A assessoria do influenciador disse que o valor patrimonial informado ao TSE está errado, mas não disse qual é o montante correto. Não houve também manifestação sobre a inelegibilidade.
A chapa do PRTB também se destaca pela declaração patrimonial do candidato a vice, Leonardo Avalanche, que declarou R$ 495 milhões em bens, sendo R$ 491 milhões em bitcoin.
A inelegibilidade que hoje atinge Marçal decorre de sua campanha à Prefeitura de São Paulo em 2024 e, mais especificamente, do chamado “campeonato” ou “concurso de cortes”, estratégia usada para ampliar a circulação de seus vídeos nas redes sociais.
Participantes eram estimulados a editar conteúdos de Marçal e publicá-los em diferentes plataformas, com promessa de remuneração e prêmios vinculados ao desempenho das postagens.
O TRE-SP considerou que a prática configurou uso indevido dos meios de comunicação social, por permitir disseminação em larga escala de material eleitoral fora dos mecanismos regulares de impulsionamento e dificultar a fiscalização.
Em dezembro de 2025, por 4 votos a 3, o TRE-SP manteve a condenação de Marçal à inelegibilidade por oito anos a partir da eleição de 2024, ou seja, até 2032.
Na mesma decisão, porém, o tribunal afastou outras duas condenações impostas em primeira instância, por abuso de poder econômico e por captação e gastos ilícitos de recursos.
No último dia 5 de agosto, o TRE-SP rejeitou por unanimidade embargos apresentados pela defesa e manteve a decisão. Ainda cabe recurso ao TSE.
Marçal responde ainda a outro processo decorrente da eleição de 2024 e tem uma segunda condenação à inelegibilidade em primeira instância, que ainda não foi confirmada pelo TRE-SP. Essa ação reúne episódios como sorteios de dinheiro e bonés nas redes, impulsionamento por terceiros, uso de estruturas empresariais para propaganda.
Além de Marçal outros doze partidos registraram candidaturas à Presidência. O patrimônio de todos esses, somado, é de R$ 539 milhões.

























