Política

Na véspera da eleição, Centrão vê empate entre Lula e Flávio

Grupo político que domina o Congresso não arrisca apontar um favorito, nem mesmo após leve avanço do senador do PL na pesquisa Datafolha

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Iander Porcella
Presidente Lula (PT) e senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) | Divulgação/Ricardo Stuckert e Divulgação/Vittor Sales

Presidente Lula (PT) e senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) | Divulgação/Ricardo Stuckert e Divulgação/Vittor Sales

Lideranças do Centrão se debruçam neste sábado (3) sobre trackings e pesquisas eleitorais para tentar decifrar o primeiro turno da eleição. O grupo político que domina o Congresso Nacional, contudo, não arrisca apontar um favorito entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL). No agregado, avaliam líderes partidários ouvidos pela Coluna, há empate.

O resultado eleitoral deste domingo (4), quando os brasileiros irão às urnas na primeira rodada da disputa, servirá de base para o posicionamento dos partidos do Centrão. Se Flávio sair forte do primeiro turno, tende a ganhar o apoio dessas siglas. Se Lula despontar, a tendência é a neutralidade.

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Nem mesmo o leve avanço de Flávio no Datafolha neste sábado mudou a percepção de empate no Centrão. “Na mesma”, disse à Coluna um dos principais líderes do grupo, após a divulgação do levantamento.

Flávio oscilou dois pontos para cima no primeiro turno, de acordo com o Datafolha, de 40% para 42% dos votos válidos. Lula, por sua vez, manteve-se com 45%. No segundo turno, o senador foi de 45% para 46% dos votos totais, e o petista de 48% para 47%.

Integrantes do Centrão dizem que nos trackings do PL Flávio lidera nos dois turnos, mas ponderam que a vantagem ocorre dentro da margem de erro. Nas pesquisas do PT, é Lula quem está na frente, mas também em empate técnico.

Especialistas apontam que, pelo histórico das eleições brasileiras, Lula precisaria de pelo menos 4 ou 5 pontos de vantagem no primeiro turno para entrar na segunda rodada da disputa como favorito, já que a maior parte dos votos dos candidatos da terceira via tende a migrar para Flávio.

A federação União-PP convocou para terça-feira (6), dois dias depois do primeiro turno, uma reunião para definir sua posição na disputa pelo Palácio do Planalto. O Republicanos ainda não marcou a deliberação.

Como mostrou a Coluna, o senador Ciro Nogueira (PI), presidente do PP, passou a defender o apoio a Flávio após ser chamado de “vira-lata” por Lula em agenda no Piauí. Nogueira concorre à reeleição em disputa acirrada com dois candidatos apoiados pelo petista.

No primeiro turno, União-PP e Republicanos decidiram ficar neutros. O próprio Ciro, que havia se sentido abandonado por Flávio no caso Master, defendeu a neutralidade, assim como outras lideranças do Centrão que enfrentam as urnas no Nordeste, onde Lula é popular.

A articulação pela neutralidade no primeiro turno passou pelos presidentes do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). Sem a pressão das urnas, deputados e senadores do Centrão nordestino não terão a mesma força para barrar um apoio a Flávio no segundo turno. Mas tudo dependerá do resultado de amanhã.

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