PGR foi contra prisão de Vorcaro; Mendonça lamentou posição e citou risco à vida de vítimas
Ministro do STF afirma que avaliação da Procuradoria poderia também dificultar recuperação de recursos públicos

O ministro André Mendonça, relator do caso Master no STF, lamentou o posicionamento da Procuradoria-Geral da República a respeito dos pedidos da Polícia Federal, e afirmou que acolhê-lo poderia colocar em risco “a segurança e a própria vida de pessoas que se tornaram vítimas dos ilícitos”, além de dificultar a recuperação de ativos bilionários desviados dos cofres públicos e de particulares. A declaração de Mendonça foi feita em decisão que determinou a prisão de Daniel Vorcaro, dono do Master, nesta quarta-feira (4).
A PGR não se manifestou dentro do prazo de 72 horas que havia sido concedido para analisar o pedido da Polícia Federal na operação Compliance Zero. Após o prazo expirar, a PGR apresentou petição afirmando que não identificava, naquele momento, “a indicação de perigo iminente” que justificasse uma análise tão rápida e pediu que as providências aguardassem sua manifestação completa, acrescentando que não poderia endossar as medidas cautelares antes de avaliar melhor o material.
Mendonça afirmou, em sua manifestação, que lamenta o entendimento da PGR. Para o ministro, o órgão não percebeu que as evidências dos crimes e a urgência para a adoção de medidas estão “fartamente reveladas na representação da Polícia Federal”, que há concreta possibilidade de prevenir “condutas ilícitas contra a integridade física e moral de cidadãos comuns, de jornalistas e até mesmo de autoridades públicas” e que há indicativos de que tenha ocorrido acesso indevido a sistemas sigilosos da PF, do Ministério Público Federal e até mesmo da Interpol.
Segundo Mendonça, “no caso específico destes autos, a demora se revela extremamente perigosa para a sociedade”.
Uma das possíveis vítimas do banqueiro seria Lauro Jardim, colunista do jornal O Globo. Conversas obtidas pela PF mostram Vorcaro planejando ações contra o jornalista. O banqueiro diz ao coordenador operacional Luiz Phillipi Mourão, apelidado Sicário (termo que significa assassino de aluguel), que gostaria de ter alguém seguindo Jardim e quebrando seus dentes, simulando um assalto.
Em nota, o jornal O Globo disse repudiar "veementemente as iniciativas criminosas” e que seus jornalistas não se intimidarão com ameaças e seguirão acompanhando o caso e trazendo luz às informações de interesse público.
A decisão do relator atendeu a um pedido da PF diante de suspeitas de crimes de obstrução de Justiça, lavagem de dinheiro, corrupção e crimes contra o sistema financeiro.











