Israel quer melhorar relação com Brasil, diz diplomata
Chefe da diplomacia israelense para a América Latina diz que novo governo Lula é oportunidade para devolver normalidade às relações de Israel com o Brasil

Yinam Cohen, chefe da diplomacia israelense para a América Latina Foto:@yinamcohen no Instagram
Jerusalém - O chefe da diplomacia israelense, Yinam Cohen, afirmou ao SBT News que a relação com o Brasil precisa mudar a partir de janeiro de 2027. O diplomata, que já chefiou a embaixada na Colômbia, ressaltou que o Brasil é o país mais importante da América do Sul para as relações comerciais.
Cohen reconheceu que, nos últimos anos, não houve o diálogo necessário nos níveis diplomático e político. Também lamentou que Israel esteja sem embaixador no Brasil desde o ano passado e não tenha cônsul-geral em São Paulo, depois que o governo brasileiro rejeitou a indicação de uma diplomata israelense com cidadania brasileira.
“Isso não nos permite ter o diálogo que deveríamos ter com o governo do Brasil. Esperamos que, depois das eleições brasileiras e das eleições em Israel, possamos buscar uma forma de trazer de volta um embaixador de Israel em Brasília e um embaixador brasileiro em Tel Aviv, para que possamos voltar a ter o diálogo no nível mais alto possível”, destacou o chefe da diplomacia israelense para a América Latina.
A crise diplomática entre Brasil e Israel atingiu o auge em 2024, depois que Lula comparou as mortes em Gaza ao Holocausto. Diante das declarações, o presidente brasileiro foi declarado "persona non grata" em Israel, e o governo brasileiro decidiu retirar o embaixador Frederico Meyer de Tel Aviv.
Neste ano, durante a pré-campanha eleitoral, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, declarou apoio a Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e gravou um vídeo para a convenção que confirmou o nome do candidato do PL à Presidência. Após a derrota de Flávio, o governo de Israel não parabenizou Lula nem reconheceu sua vitória. Yinam Cohen atribuiu o silêncio às eleições em Israel, que ainda não tiveram uma definição.
O diplomata israelense reconheceu a relevância de Lula e afirmou que, apesar das divergências, a chegada de um novo governo representa uma oportunidade de recomeço.
“O presidente Lula é um líder muito respeitado no Brasil, na América Latina e em todo o mundo. Houve diferenças de opiniões entre o governo de Israel e o governo do Brasil, mas me parece que um novo governo abre uma oportunidade para buscar formas de devolver a normalidade às relações políticas entre Israel e Brasil”.

























