Governistas dizem que Alcolumbre age por vingança depois que aliado foi alvo da PF no caso Master
Nesta quarta (4), o presidente do Senado mandou recado ao presidente Lula dizendo que eles podem conversar para manter harmonia e pacificação entre os poderes

Parlamentares do Partido dos Trabalhadores (PT) na Câmara e no Senado não têm dúvida de que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, está punindo o governo depois que Jocildo Lemos, ex-tesoureiro da campanha do senador, foi alvo de operação da Polícia Federal, em fevereiro.
Em menos de uma semana, Alcolumbre impôs duas derrotas ao Palácio do Planalto: manteve a validade da quebra do sigilo fiscal e bancário de Lulinha, filho do presidente Lula, e deixou ficar sem validade a Medida Provisória que dava incentivo para a instalação de datacenters no Brasil. De acordo com o Ministério da Fazenda, a MP renderia bilhões de reais aos cofres da União.
A aposta é de que a próxima decisão que Alcolumbre deve usar para atingir o Planalto é autorizar a prorrogação da CPMI do INSS, como quer a oposição.
O governo prepara reação para atingir aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro e acusa ex-ministros como Onyx Lorenzoni, Paulo Guedes e José Carlos Oliveira de darem aval para Medidas Provisórias e portarias que flexibilizaram mecanismos de controle e facilitaram os descontos indevidos nas contas dos aposentados. Assessores da bancada governista apontam que, se Alcolumbre der o aval para a continuação da CPMI do INSS, ele deixará de ser cobrado para instalar a CPI do Banco Master.
Na lista de decisões que atingem Lula está ainda a indicação de Jorge Messias, advogado-geral da União, para o Supremo Tribunal Federal. A indicação anunciada no fim de 2025 completou mais de 100 dias sem formalização no Senado. Alcolumbre defende a indicação do senador Rodrigo Pacheco para a vaga deixada pelo ministro Luís Roberto Barroso.
O presidente do Congresso foi questionado, nesta quarta-feira (4), sobre as decisões que tomou e desagradaram o Planalto. Alcolumbre disse que "quando a gente decidiu, está decidido", e que não pode agradar todo mundo.
Ao ser questionado se foi procurado por Lula diante de gestos explícitos de insatisfação, Davi Alcolumbre mandou um recado claro: “a gente espera ser chamado por todas as pessoas por quem a gente tem respeito e consideração e, naturalmente, da mesma maneira que, quando eu desejei em outras oportunidades conversar pessoalmente com o presidente da República, eu procurei ele. E é legítimo que se ele quiser falar comigo ele venha me procurar pra gente poder continuar numa relação de pacificação e harmonia entre os poderes”.


























