Talíria diz que redução da maioridade penal é eleitoreira
Deputada do PSOL afirma que proposta é "falsa solução" para a criminalidade e acusa Câmara de tratar o tema de forma eleitoreira


A deputada federal Talíria Petrone (PSOL-RJ) afirmou, em entrevista ao Central de Notícias nesta quarta-feira (10), que a aprovação da proposta de redução da maioridade penal pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados não resolverá os problemas de segurança pública no Brasil. Segundo ela, a pauta tem sido utilizada de forma eleitoreira e populista.
"Reduzir a maioridade penal é uma falsa solução usada pela extrema direita de forma populista para lidar com o medo das pessoas, que é real. O que defendemos é o enfrentamento das organizações criminosas", declarou a parlamentar.
A parlamentar também afirmou que deve atuar para impedir o avanço da matéria na Câmara. Segundo Talíria, a estratégia é dialogar com o presidente da Casa, Hugo Motta, para que o texto não tenha prosseguimento.
Na avaliação de Talíria, aumentar o rigor da legislação para adolescentes não altera o cenário da criminalidade no país. Ela argumenta que a participação desse grupo no sistema prisional é reduzida. "Se olharmos o conjunto de pessoas presas, sejam adolescentes no sistema socioeducativo ou de adultos, apenas 1,24% são adolescentes", afirmou.
A deputada também comparou os índices de reincidência entre o sistema socioeducativo e o sistema prisional comum, sustentando que a volta ao crime é maior entre adultos encarcerados. "A reincidência nos presídios é o dobro da observada nos sistemas socioeducativos. Não adianta apresentar soluções fáceis", disse.
Durante a entrevista, Talíria relacionou o debate sobre violência à disseminação de conteúdos misóginos na internet, citando grupos conhecidos como "red pill". Segundo ela, influenciadores ligados à extrema direita estimulam jovens a desenvolverem discursos de ódio contra as mulheres, enquanto parlamentares favoráveis à redução da maioridade penal deixam de enfrentar esse problema. "Não querem criminalizar a misoginia. É um tema muito complexo, mas reduzir a maioridade penal não vai deixar as mulheres mais seguras", concluiu.














