Lula fala em interferência externa em protestos no México
Presidente comparou atos com os de 2013 no Brasil e afirmou que movimento contribuiu para a ascensão da “extrema-direita”


Lula e a presidente do México, Claudia Sheiunbaum, em abril de 2025 | Ricardo Stuckert/PR
Em meio à greve de professores que paralisa o México às vésperas da abertura da Copa do Mundo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sugeriu nesta quarta-feira (10) que o país deve estar alerta para o risco de viver uma situação similar ao que o Brasil passou em 2013. A declaração foi feita durante a 7ª reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável (CDESS), o Conselhão, a primeira deste ano.
O petista citou o risco de que os atos mexicanos tenham o “dedo de alguém” e de que o país vizinho possa estar sendo alvo de interferência externa. O assunto, conforme Lula, estava na pauta para a conversa com a presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, realizada por teleconferência logo após o encontro do Conselhão.
Em 2013, ondas de manifestações que ficaram conhecidas como Jornadas de Junho escalaram durante a Copa das Confederações, antigo torneio que precedia a realização da Copa do Mundo no país-sede. Os atos começaram com protestos concentrados em São Paulo contra o aumento de R$ 0,20 em passagens de ônibus, mas se fundiram à insatisfação com o então governo Dilma Rousseff (PT) e com os gastos exorbitantes da Copa e das Olimpíadas de 2016 em vários pontos do país, com mais de 1,2 milhão de brasileiros participando de atos espalhados por 100 municípios no auge do movimento, em 20 de junho de 2013.
Para Lula, as Jornadas de Junho serviram de “pretexto para que a extrema-direita tomasse conta das ruas utilizando verde-amarelo", realizasse o impeachment de Dilma e elegesse Jair Bolsonaro em 2018, com a ajuda da infiltração de movimentos black blocs, que promoveram atos vandalismo e quebradeira em agências bancárias e prédios públicos.
“Agora mesmo no México está acontecendo um pouco do que aconteceu aqui em 2013. Todo mundo está lembrado que uma simples reivindicação de R$ 0,20 o aumento do transporte foi o pretexto para que a extrema-direita tomasse conta das ruas utilizando verde-amarelo. todo mundo sabe que R$ 0,20 não causaria nenhuma revolução em nenhum lugar do mundo, nem na própria empresa que estava pedindo aumento", afirmou.

A presidente mexicana tem acusado "setores da extrema-direita" americana de articularem um golpe contra seu governo, embora não cite diretamente o presidente Donald Trump. A relação com o republicano é protocolar. Assim como o Brasil, o governo mexicano teve declaradas facções locais como organizações terroristas estrangeiras pela Casa Branca.
Protestos no México
Uma greve liderada por professores no México mobilizou milhares de pessoas na terça-feira (9) no bloqueio à principal avenida de acesso ao Estádio Azteca, palco do jogo de abertura entre México e África do Sul na quinta-feira (11). A cobrança é por aumentos salariais de até 100% e está sendo organizada por um grupo sindical dissidente da categoria dos educadores. O governo mexicano diz que esse reajuste é inviável.
Apesar da ameaça à realização da abertura da Copa, Claudia Sheinbaum disse nesta quarta que a situação está “sob controle”. Ela desistiu de participar da abertura e afirmou ter doado seu ingresso a uma menina. A previsão é assistir à partida na principal praça da Cidade do México, onde a Fifa organizará uma festa com telões para a transmissão do jogo.














