Política

Relator da CPI do Crime Organizado classifica Master como central de fraudes, corrupção e violência

Senador Alessandro Vieira (MDB-SE) aponta estrutura de organização criminosa no banco para o cometimento de irregularidades

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Paulo Sabbadin
04/03/2026, 20:27 • Atualizado em 04/03/2026, 20:27
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O relator da CPI do Crime Organizado no Senado, Alessandro Vieira (MDB-SE), falou sobre as investigações do caso Master ao Poder Expresso, do SBT News, e equiparou as ações dos envolvidos a facções criminosas

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"Claramente você tem uma organização criminosa, que é uma reunião de pessoas estável, com hierarquia, com estrutura, destinada ao cometimento de crimes", diz Vieira.
"O Master é uma imensa lavanderia, uma central de fraudes, ao mesmo tempo uma central de corrupção, e agora as notícias apontam também uma central de violência e ameaça", completa o senador.

Vieira aponta também a circulação de recursos de facções criminosas, como o PCC, dentro do Master para lavagem de dinheiro.

O senador afirma ainda que é "absurda" e "escandalosa" a atitude de Gilmar Mendes ao anular a decisão da CPI do Crime Organizado de quebrar o sigilo da empresa Maridt Participações Ltda, de propriedade do ministro Dias Toffoli e irmãos.

"Nós fizemos a quebra de sigilo, e os dois irmãos do ministro Toffoli foram à Justiça para não serem ouvidos. Eles fizeram o caminho técnico correto: demandaram ao relator do caso, o ministro André Mendonça. O ministro Mendonça concedeu o pedido, afirmando que eles não precisavam comparecer à CPI por serem investigados. Até aí, tudo bem. O problema é que a empresa — ou seja, a pessoa jurídica dessas mesmas pessoas — não recorreu ao ministro André Mendonça; ela foi ao ministro Gilmar Mendes", explica Vieira.

"O ministro Gilmar Mendes tirou do arquivo um processo que já estava arquivado há três anos (um mandado de segurança referente ao período da CPI da Covid). Ele ressuscita esse processo, recebe a petição e concede, de ofício, habeas corpus para a empresa. O que também não cabe, pois habeas corpus é para pessoas físicas, não jurídicas", continua o senador.

"Ele volta a arquivar o processo e faz o que eu estou apelidando de "sequestro de relatoria". Ele sequestra a relatoria do caso para poder, a partir dali, fazer uma proteção. Ele bloqueia todos os dados solicitados e determina, inclusive, a destruição do que já tínhamos recebido na CPI a respeito dessa empresa Maridt", completa o relator.

Questionado sobre a possibilidade de delação premiada, Vieira afirma que a medida pode ser importante, mas faz uma ressalva.

"Acho que a possibilidade de delação é importante. Toda vez que você investiga uma grande organização criminosa, a figura do delator tem um papel fundamental. Mas quando esse delator está numa posição de comando, que é o caso do Vorcaro, a delação vai ter que ser muito robusta e veemente. Ele vai ter que entregar provas e todo o contexto criminoso; não vai poder ser seletivo. A CPI, no entanto, não participa disso a não ser como espectadora, pois não há previsão legal para delação premiada em sede de Comissão Parlamentar de Inquérito", diz
"Não tenho dúvida de que uma figura como o Vorcaro, que vive no luxo, vai ter um enorme choque ao ingressar no sistema prisional do estado de São Paulo. Ele seguramente já falava sobre a possibilidade de uma delação, porque vai tentar até o último instante obter uma vantagem ou uma situação melhor", completa o senador.

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