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PM-SP é acusada de obrigar presos a vestir camisetas do PT

Mãe de adolescente afirma ao SBT News que policiais trocaram a roupa do filho durante abordagem em Piracicaba; SSP-SP diz que não recebeu denúncia dos fatos

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Basília Rodrigues , Caroline Vale
PM-SP é acusada de obrigar presos a vestir camisetas em apoio ao PT. | Divulgação/PM-SP

PM-SP é acusada de obrigar presos a vestir camisetas em apoio ao PT. | Divulgação/PM-SP

Policiais militares de São Paulo (PM-SP) são acusados de obrigar três suspeitos detidos em Piracicaba, no interior do estado, a vestir camisetas de apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A denúncia foi revelada inicialmente pelo jornal Folha de S.Paulo e confirmada pelo SBT News, que conversou com a mãe de um dos detidos, um adolescente de 17 anos.

Segundo ela, o filho foi abordado usando uma camiseta azul, mas apareceu posteriormente com uma peça que trazia mensagens de apoio ao petista. A mulher afirma que os policiais agrediram o jovem e a ameaçaram para que não divulgasse o ocorrido (leia o relato mais abaixo).

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As imagens dos três homens vestindo camisetas brancas com estampas vermelhas foram divulgadas nas redes sociais pelo senador eleito Guilherme Derrite (PP-SP), ex-secretário de Segurança Pública do governo Tarcísio de Freitas (Republicanos). O post de Derrite noticiou a prisão dos homens. As peças eram iguais, tinham os dizeres “Professores da Apeoesp com Lula” e aparência de serem novas.

Reprodução/Redes sociais
Reprodução/Redes sociais

A deputada estadual Professora Bebel (PT) também denunciou o caso e o Partido dos Trabalhadores acionou a Procuradoria-Geral Eleitoral (PGE) pedindo que a Polícia Federal abra um inquérito para apurar possíveis irregularidades, incluindo suspeitas de fraude eleitoral e abusos contra o adolescente.

"Se confirmada, essa conduta representa uma gravíssima manipulação da apresentação de uma ocorrência policial, com possível finalidade de associar artificialmente a criminalidade a uma candidatura presidencial", afirmou a deputada, em comunicado.

Em nota, a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) afirmou que “não compactua com desvios de conduta e pune com rigor casos comprovados”. A pasta acrescentou que, até o momento, não havia registros dos fatos relatados na comunidade Vitória Pantanal.

"Vítimas podem formalizar em qualquer delegacia ou pela Delegacia Digital, além da Corregedoria da Polícia Militar, para que os fatos sejam devidamente apurados", orientou a secretaria.

Derrite afirmou em nota à imprensa que a publicação não faz menção às camisetas e que seu objetivo "foi chamar a atenção para o aliciamento de jovens pelo tráfico de drogas". Sobre a ocorrência, ele diz que ela "reforça a preocupação com o envolvimento de menores de idade em crimes graves e a necessidade de avançar no debate sobre a redução da maioridade penal".

Sobre as acusações de que os PMs teriam ameaçado os jovens e os obrigado a vestir camisetas do PT, Derrite diz que "defende que os fatos sejam devidamente apurados pelos órgãos competentes."

Mãe diz que camiseta foi colocada em detidos

A mãe do adolescente, que não será identificada, disse ao SBT News que o filho é usuário de drogas. Na quarta, ele saiu de casa com uma camiseta azul para comprar entorpecente e acabou sendo abordado pelos policiais, segundo o relato dela.

Durante a abordagem, conforme a mãe, os policiais agrediram o adolescente, que indicou a própria casa como a boca de fumo numa tentativa de escapar dos PMs. A mulher estava na casa com a bebê de 2 anos quando a polícia entrou junto com o filho dela, que já estava vestido com a camiseta do PT. Ela relata que os policiais estavam exaltados e continuaram agredindo o jovem.

Ela disse ainda que um dos policiais deu um soco no peito da outra filha de 14 anos, que se aproximou pedindo para não levarem o irmão dela. Os agentes, por fim, levaram o adolescente para outra viela e impediram que a mãe se aproximasse dele.

Depois do filho ser detido, ela disse que conseguiu vê-lo na delegacia: "Eu entrei no curral (cela de contenção temporária) porque ele está todo machucado (...). Aí ele falou: 'Não, mãe, eu estava com uma camiseta azul'. Na hora que eu fui à delegacia, eu tive que levar roupa pra ele, porque eles jogaram a camiseta do meu filho fora."

A mulher ressalta que não faz campanha para ninguém e que não tem essas camisetas em casa. "Tem uma mulheres na favela que trabalham com a Bebel. E as camisetas estavam dentro da casa das mulheres", relatou.

Na delegacia, ela disse ter questionado por que os policiais trocaram a camiseta do filho. Segundo a mãe, os policiais riram e disseram que se a história fosse espalhada eles iriam simular uma ocorrência para prendê-la.

"O policial falou pra mim que eles já estavam com essa blusa. Aí eu falei: 'Não, meu filho não estava com essa blusa, ele estava com uma blusa azul regata'. Aí eles começaram a rir pra mim", disse a mulher.

A defesa de um dos policiais afirma, em nota, que "a referência a uma camiseta partidária não basta, por si só, para demonstrar motivação política na atuação dos agentes", que a abordagem decorreu de denúncia recebida pelo 190 e que foram apreendidos um revólver calibre .32 com numeração suprimida, 160 porções de cocaína e R$ 340, e o caso foi registrado como tráfico de drogas, porte ilegal de arma de fogo de uso restrito e ato infracional.

Detidos usando camisetas em apoio ao Lula (PT). | Divulgação/PM-SP
Detidos usando camisetas em apoio ao Lula (PT). | Divulgação/PM-SP

Prisão por suspeita de tráfico

Sobre a prisão, a SSP informou que dois adultos, de 21 e 24 anos, e um adolescente, de 17 anos, foram abordados. O adolescente estava com 23 porções de cocaína, enquanto os adultos tinham um revólver e outras 137 porções da droga, segundo a pasta.

A SSP disse que foram apreendidas 160 porções de cocaína e R$ 340. O caso foi registrado no 2º Distrito Policial de Piracicaba.

Os adultos permaneceram à disposição da Justiça, enquanto o adolescente ficou apreendido, finalizou a pasta. A nota da secretaria não apresentou esclarecimentos específicos sobre a acusação de que os policiais teriam obrigado os suspeitos a vestir as camisetas.

O SBT News questionou a pasta sobre a denúncia de ameaças contra a mãe do adolescente. O espaço permanece aberto para manifestação.

A mulher disse que o adolescente está na Fundação CASA, após passar por atendimento médico por causa das agressões.

Denúncia da deputada

Na mesma região e data, a Professora Bebel relatou que policiais teriam intimidado e agredido mulheres que distribuíam materiais de campanha do PT, além de recolherem camisetas que elas tinham em apoio a Lula.

"No Jardim Pantanal, duas mulheres apoiadoras do presidente Lula teriam sido vítimas de uma abordagem policial marcada por invasão de domicílio, ou seja, praticada sem mandado judicial, agressões e apreensão de camisetas de campanha. É inadmissível que cidadãos sejam submetidos a entradas arbitrárias em suas residências por agentes que têm o dever de proteger seus direitos", disse.

A deputada afirmou ainda que cobrará a apuração das denúncias e a responsabilização dos envolvidos, caso sejam comprovadas irregularidades. Ela defendeu a investigação independente dos episódios, com preservação de imagens e gravações e identificação dos agentes envolvidos.

"A gravidade dessas denúncias é ainda maior porque os episódios ocorreram a apenas quatro dias do segundo turno das eleições presidenciais. A Polícia Militar não pode ser utilizada como instrumento de perseguição política, intimidação de eleitores ou construção de narrativas destinadas a interferir na livre formação da vontade popular", afirmou.

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