Brasil

78% das queimadas no Amazonas acontecem em áreas privadas

Dados do Inpe mostram que 1.498 focos registrados entre 1º e 19 de outubro ocorreram em propriedades inscritas no Cadastro Ambiental Rural

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Murillo Otavio
Fogo é usado no processo de desmatamento, para finalizar a mudança do uso do solo | Greenpeace

Fogo é usado no processo de desmatamento, para finalizar a mudança do uso do solo | Greenpeace

Dos 1.921 focos de queimadas registrados no Amazonas entre os dias 1º e 19 de outubro, 78% (1.498) ocorreram em áreas privadas cadastradas no Cadastro Ambiental Rural (CAR), segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

🔍O Cadastro Ambiental Rural (CAR) é um registro público nacional e obrigatório para todos os imóveis e posses rurais do Brasil. O sistema reúne informações sobre as propriedades em uma base de dados oficial, permitindo que órgãos de fiscalização cruzem imagens de satélite e identifiquem desmatamentos ilegais, queimadas e supressão de vegetação com precisão.

As pequenas propriedades lideram o volume de ocorrências, com quase 29% dos focos, seguidas pelas propriedades médias, com 24%. Mais de 82% de todos os focos registrados no mês ocorreram em locais que já haviam sofrido desmatamento, seja recente ou consolidado em anos anteriores.

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O Inpe não faz indicações sobre a origem das queimadas, apenas identifica os focos por meio de dados de satélite. As ocorrências podem estar relacionadas tanto a condições climáticas quanto à ação humana.

O Amazonas enfrenta uma crise provocada pelo fogo, com incêndios que afetam cidades de diferentes regiões do estado, incluindo a capital, Manaus. No acumulado do ano, os focos de queimadas no entorno da capital estão 109% acima da média histórica para o período, segundo dados do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam).

Queimada e eleições

Os dados mostram que os focos começaram em setembro, diminuíram e voltaram a crescer no início de outubro, perto do primeiro turno das eleições.

Diante desse cenário, a Polícia Federal (PF) investiga, em pelo menos nove inquéritos, se ações criminosas estão por trás da onda de queimadas no Amazonas.

O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) afirma que cerca de 95% dos focos foram provocados por pessoas. Até a publicação deste texto, a Polícia Civil do Amazonas havia prendido 20 suspeitos. Além de Manaus, outros sete municípios estão sob investigação da PF.

Problemas de saúde

O número elevado de queimadas na região tem afetado a saúde da população local. Em outubro, a capital amazonense passou nove dias consecutivos com fumaça no ar.

A situação levou à suspensão de aulas, ao cancelamento de atividades ao ar livre e à procura por atendimento médico por centenas de pessoas com problemas relacionados à poluição. O governo estadual decretou situação de emergência em 36 dos 62 municípios do Amazonas. Na capital, a poluição atingiu níveis perigosos.

Nesta semana, choveu em parte do estado e a qualidade do ar melhorou um pouco, de acordo com o governo do Amazonas. Para os próximos dias, há previsão de mais chuva, segundo o Climatempo.

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