Flávio vê com 'entusiasmo' promessa de transparência de Lula
Senador cobrou divulgação de dados do Instituto Lula, de auxiliares do presidente e de registros de visitas aos palácios presidenciais

O senador Flávio Bolsonaro (PL) afirmou receber "com entusiasmo" o anúncio da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de que pretende abrir a "caixa-preta do Planalto". Em nota enviada à imprensa, disse esperar que os documentos sejam protocolados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nesta quinta-feira (22) e que a declaração não seja "apenas mais uma promessa não cumprida".
A nota divulgada pela campanha de Flávio não responde se ele aceita o pedido de Lula de comparecer ao Tribunal Superior Eleitoral, nesta quinta-feira, às 11h, com os dados.
Entre os dados solicitados por Flávio estão todas as movimentações financeiras do Instituto Lula desde sua fundação e a abertura dos sigilos telefônico e de mensagens de Paulo Okamotto. Ex-presidente da entidade, que comandou de 2011 a 2020, ele passou a ocupar a direção de operações e finanças ao deixar a presidência.
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A lista de pedidos inclui mensagens, ligações, extratos bancários e faturas de cartões de crédito do ex-chefe de gabinete de Lula, Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola. Segundo as investigações da Polícia Federal, ele recebeu repasses de Roberta Luchsinger, empresária ligada a Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente.
Flávio também cobrou a divulgação integral dos gastos com cartões corporativos, incluindo despesas que atribui à primeira-dama, Janja. O comunicado alega que essas informações estão sob sigilo de cem anos e pede ainda registros de entradas no Palácio da Alvorada que estariam sob restrição de acesso.
Outro pedido envolve a divulgação de todos os registros de visitantes do Palácio do Planalto e de detalhes da reunião entre Lula e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master, em 4 de dezembro de 2024. O encontro não constou na agenda oficial do presidente e foi descrito como "ótimo" pelo banqueiro em mensagens divulgadas posteriormente.
Por fim, a nota cobra informações sobre as relações do governo com Roberta Luchsinger, incluindo eventuais visitas a palácios presidenciais e viagens em aeronaves da Força Aérea Brasileira (FAB). Também pede a quebra de sigilo do sindicalista Frei Chico, irmão de Lula, sem especificar quais dados deveriam ser abertos.
Entenda a disputa entre as campanhas
A disputa começou no debate da Band, no domingo (18), quando Lula desafiou Flávio a abrir os sigilos bancário e telefônico e afirmou que faria o mesmo. Na terça-feira (20), a campanha petista protocolou no TSE uma autorização para divulgar dados bancários, fiscais e telefônicos dos últimos oito anos do presidente e de familiares, condicionada à adesão do adversário e de sua família.
Nesta quarta-feira (21), o senador apresentou ao TSE uma autorização para abrir seus sigilos dos últimos 20 anos, condicionando a medida à divulgação de informações adicionais sobre familiares e auxiliares de Lula, além de despesas do governo.
Em resposta, o coordenador da campanha petista, Camilo Santana, afirmou que Lula não se opõe às exigências, mas cobrou a inclusão dos dados bancários da Alcazar Holding, do advogado Willer Tomaz, na qual Flávio foi cadastrado como "usuário master". Segundo Santana, a resposta do presidente será protocolada no TSE nesta quinta-feira (22), e a expectativa é que a campanha adversária faça o mesmo.





















