"Flávio não defende trabalhador", afirmam centrais sindicais
Em nota, centrais questionam sinceridade de voto de presidenciável do PL contra 6x1, e criticam proposta de jornada flexível

O candidato à Presidência do Partido Liberal, Flávio Bolsonaro
As principais centrais sindicais do país afirmaram em nota, nesta quarta-feira (14), que não veem sinceridade no voto do presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) a favor do fim da escala 6x1. A votação está prevista para hoje à tarde.
Os dirigentes dos sindicatos apontam contradições na postura do candidato e afirmam que “Flávio não defende o trabalhador”.
“Há motivos para questionar a sinceridade de seu apoio ao fim da escala 6x1. Seu discurso busca conquistar o voto do trabalhador, mas as propostas que apresenta apontam para o enfraquecimento dos direitos de quem trabalha”, diz a nota das centrais.
O texto lembra ainda uma declaração de Flávio Bolsonaro, de maio deste ano, na Marcha dos Prefeitos, na qual defendeu jornada flexível nos contratos de trabalho.: “Por que não é o trabalhador que, conforme as suas necessidades, é quem pode escolher sua jornada de trabalho? Muitas pessoas querem trabalhar mais, e a PEC [do fim da escala 6x1] pode engessar quem quer trabalhar mais”, destacou na época.
A ideia de jornada flexível, que também está prevista em proposta no Senado, acaba com todas as opções de escala. Os trabalhadores passariam a ser horistas. Para os sindicatos, esse modelo amplia a precarização do trabalho.
As centrais reforçam comparação feita pelo vice presidente Geraldo Alckmin (PSB) sobre a jornada flexível com jogadores em um banco de reserva no futebol. Os trabalhadores ficariam à disposição da demanda, sem garantia salarial ou vínculo empregatício.
“Somam-se a isso propostas de revisão das previdenciárias, com redução dos reajustes das aposentadorias”, acrescenta a nota.
O mesmo texto fala nas diferenças entre as candidaturas para o trabalhador. “O plano de Luiz Inácio Lula da Silva reúne compromissos que não constam no de Flávio Bolsonaro: o fim da escala 6x1 e a redução da jornada para 40 horas semanais, sem redução salarial; uma política permanente de valorização real do salário mínimo; o combate à pejotização fraudulenta; a regulamentação do trabalho por aplicativos e plataformas digitais; a igualdade salarial entre homens e mulheres; e o combate ao trabalho infantil e ao trabalho análogo à escravidão.” A nota é assinada pelos presidentes da Central Única dos Trabalhadores (CUT), da Força Sindical, da União Geral dos Trabalhadores (UGT), e por outras grandes centrais do país.
























