Política

Master: Gilmar pede decisão de plenário sobre precatórios

Mendes quer expor opinião contrária ao pagamento de indenizações e que todos colegas também se manifestem

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Basília Rodrigues
Ministro Gilmar Mendes, do Supremo | Divulgação/Rosinei Coutinho/STF

Ministro Gilmar Mendes, do Supremo | Divulgação/Rosinei Coutinho/STF

O decano do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, quer levar para o plenário da Corte o processo que envolve interesse do banqueiro Daniel Vorcaro, do Master, no pagamento bilionário de precatórios — dívidas do poder público reconhecidas pela Justiça — ao setor sucroalcooleiro, que engloba produção de usinas de açúcar e etanol (álcool), no país.

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O setor cobra da União, segundo estimativas da Advocacia-Geral da União (AGU), cerca de R$ 145 bilhões porque alega que sofreu prejuízos pelo controle estatal sobre preços, nas décadas de 1980 e 1990.

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Ao longo dos anos, usinas têm brigado na justiça para obter o reconhecimento dos pagamentos. Decisões favoráveis poderiam render somente para o Master cerca de R$ 8,5 bilhões. Isso porque o banco, antes de ser liquidado, mantinha carteiras de créditos abastecidas por esses precatórios. Portanto, dinheiro que, na prática, dependia de decisões da justiça para existir.

Mendes, que antes de ser ministro do STF, foi ministro da AGU durante o governo Fernando Henrique Cardoso, sempre se opôs ao pagamento desse ressarcimento para usinas. Ele entende que o setor cobra do estado valores abusivos apesar de ter sido indenizado no passado.

Mas o ministro acabou exposto, nos últimos dias, após vir à tona a informação de que recebeu Vorcaro em seu gabinete, em 2024, para tratar do assunto. Na época, como relator do caso na suprema Corte, Gilmar Mendes votou contra o pedido de Vorcaro, em julgamento da Segunda Turma do STF, em que foi seguido pelo ministro André Mendonça. Porém, foi voto vencido porque os ministros Nunes Marques, Edson Fachin e Luiz Fux formaram maioria que beneficiou os interessados nos precatórios.

Nesta terça-feira (22), Gilmar Mendes pediu para que a Segunda Turma envie o caso para o plenário da Suprema Corte. A turma é formada pelos ministros Dias Toffoli, Nunes Marques, André Mendonça e o próprio Mendes. O julgamento começa a partir de sexta-feira (25), e tem até uma semana para avaliar se acolhe o pedido do decano de abrir a discussão para todo plenário. Mendes quer defender sua posição na presença de todos integrantes. Mais do que isso: pretende expor a opinião dos dez magistrados. Todos ministros teriam que apresentar suas opiniões e divergências sobre o caso que tem o Master como beneficiário.

O embate entre ministros parece longe do fim. Reportagem do site Metrópoles mostrou também, nesta semana, que o Master tinha contrato de até R$ 427 milhões de honorários com escritório de advocacia para conseguir vencer processos ligados ao setor. A advogada Camilla Ramos e o marido, o juiz federal Newton Ramos, do TRF-1 (Tribunal Regional Federal da 1ª Região), seriam integrantes da chamada "Turma do KN", uma possível referência ao ministro Kassio Nunes Marques, do STF.

Nunes nega e diz que nunca votou a favor de Master ou deixou terceiros falarem em seu nome.

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