Eleições

Lulistas veem clima de 2013 e querem “gigante da esquerda”

Nesta terça-feira (6), movimentos do PT e estudantis organizaram manifestações pró-Lula contra crítica de que governo está desconectado das ruas

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Basília Rodrigues
Presidente Lula durante ato de campanha no Rio de Janeiro | Ricardo Stuckert

Presidente Lula durante ato de campanha no Rio de Janeiro | Ricardo Stuckert

O entorno de Lula compara o atual momento no Brasil com o sentimento de 2013, período pré-impeachment de Dilma Rousseff, que foi tomado pelas manifestações de rua. Mas agora, para não perder as eleições, integrantes da campanha presidencial cobram uma reação rápida e querem acordar “o gigante da esquerda”, nas redes e nas ruas.

Há mesmo dois gigantes aí, um com 56,1 milhões de votos que foram para Flávio Bolsonaro (PL-RJ); outro com 53,8 milhões de votos para Lula.

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Por enquanto, quem desfila leve e solto é o “gigante pelo fim do governo”, que tem apelido de “gigante da direita”, “gigante do centrão”, “gigante anti-STF”, e tantas outras demandas superlativas.

Tirando a forte crítica ao STF (Supremo Tribunal Federal), o cenário foi assim em 2013, o início do fim do governo Dilma, quando o Palácio do Planalto foi muito acusado de estar desconectado da população. O impeachment veio em 2016, inclusive somando críticas ao STF pelas regras adotadas no processo em que Dilma perdeu o mandato, mas não a permissão de se candidatar novamente. Ela até tentou, mas o “gigante anti-Dilma” não deixou ser eleita de novo.

Passados dez anos, desde aquele processo traumático, um governo petista é cobrado a responder novamente a seguinte pergunta: “o que pensam as ruas?”. Agora não tem Dilma para os próprios petistas criticarem. Tem Lula, que é a maior referência desse grupo político.

Dúvida, inquietação e diagnósticos tardios cercam os primeiros dias de derrota pós-primeiro turno. Há desânimo, preocupação e muitas críticas internas. Até Lula já reconheceu que fez menos campanha do que poderia, que não observou tanto quanto poderia o conteúdo das mídias da sua própria campanha.

Nesta terça-feira (7), na contramão do desânimo natural de quem está perdendo, manifestações de estudantes da Universidade Federal Fluminense (UFF), em Niterói (RJ), e da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), no Recife, fizeram barulho para acordar o “gigante da esquerda” ou mais “progressista” que ganhou 2001, 2006, 2010, 2014 e em 2022. Há notícias de outros protestos organizados por diretórios locais do PT.

As manifestações de esquerda da última década - visivelmente esvaziadas - deixam até dúvida se esse gigante ainda está vivo, ou, no mínimo, se ainda tem tamanho.

Já o “gigante” pelo fim do governo progressista vem sendo alimentado na Avenida Paulista, orla do Rio de Janeiro e até caminhada pelo Brasil de lideranças de direita, há muito tempo, especialmente no último ano. E ele nunca esteve tão acordado, quanto neste domingo (4), no primeiro turno das eleições em que apareceu nas urnas.

Cansaço + indignação + necessidade de mudança = os elos de 2013 para 2026 . Só não se sabe se vem o “impeachment”. O resultado virá em 25 de outubro.

As redes e as ruas nunca estiveram tão próximas.

Há apenas 3 semanas para melhorar isso ou aceitar que na briga de gigantes, o vermelho perdeu.

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