Delegados federais divergem quanto apoio a Andrei Rodrigues
Afastamento determinado por ministro do STF expõe disputas e divergências na PF, em momento de fragilidade da instituição

Diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues | Divulgação/Lula Marques/Agência Brasil
O afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, determinado pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), expôs divergências entre delegados federais.
Há cerca de 2.000 delegados da PF no Brasil. Entre fontes ouvidas pelo SBT News, há um sentimento comum de que o país está diante de uma crise institucional muito grave. Mas o afastamento mobilizou opiniões contra e a favor.
Para quem concorda com a decisão, Andrei não poderia ter liberado relatórios de inteligência da PF para o ministro Alexandre de Moraes, que incluiu informações em procedimento contra André Mendonça. O documento seria apenas interno.
Para quem defende Andrei, o afastamento gera repercussões negativas sobre a PF e investigações, não apenas no caso Master, porque joga desconfiança sobre a parcialidade da instituição.
A PF, a exemplo de várias instituições públicas, está inserida em um contexto de disputas políticas. O grupo de Andrei Rodrigues, indicado pelo governo Lula, rivaliza com o grupo formado por delegados que tinham posição de mais destaque no governo Bolsonaro.
A PF, no comando de Andrei, concluiu investigações que levaram à condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e de aliados do antigo governo, incluindo delegados federais, a exemplo de Anderson Torres, ex-ministro da Justiça, e Alexandre Ramagem, ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e deputado federal cassado.
Apesar das indisposições internas na PF, Andrei sempre contou com o respeito da maioria e vinha garantindo o funcionamento da instituição também no atendimento de questões da própria categoria, como aumento do efetivo e reajuste salarial.
Procurada pelo SBT News, a Associação Nacional de Delegados da Polícia Federal (ADPF) ainda não se manifestou. Mas avalia a situação. Andrei Rodrigues e o diretor de inteligência, Leandro Almada, ambos afastados, são associados da instituição.
Em julho, em entrevista ao programa Sala de Imprensa, o presidente da Associação, Edvandir Paiva, afirmou que a categoria estava incomodada.
“Os colegas têm respeito pelo doutor Andrei. Entendem que ele não é um ‘alienígena’ que veio de fora para administrar a Polícia Federal. Então, a capacidade técnica do doutor Andrei não é questionada. O contato com o presidente Lula é uma faca de dois gumes, tanto pode trazer recursos e capacidade para a Polícia Federal, como traz a interpretação de que estamos muito próximos do poder político. Então, coloca a credibilidade da instituição em risco”, ressaltou.

























