PF detona Mendonça por depoimento de Vorcaro no gabinete
Integrantes da cúpula da corporação avaliam que conduta de ministro expõe interferência indevida na investigação

Ministro André Mendonça | Reprodução/YouTube
A revelação de que o ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), colheu depoimento do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, sem a presença da Polícia Federal, incendiou os bastidores da crise aberta entre a PF e o gabinete do ministro.
Integrantes da cúpula da PF detonaram a postura do ministro e, em tom de ironia, disseram ser “o primeiro juiz investigador” da história. Delegados ressaltaram que a PF não participou e não teve acesso à cópia do depoimento. Para fontes da corporação, a postura de Mendonça expõe interferência indevida do ministro nas investigações.
Confrontados com a explicação oficial do gabinete de Mendonça de que o depoimento foi colhido em caráter de urgência devido a queixas de Vorcaro sobre a própria PF, delegados da corporação reagiram com a pergunta: “alguém acredita nisso?”.
Mendonça, na avaliação da PF, estaria agindo como delegado ou até mesmo diretor-geral da polícia ao querer acesso a dados brutos da investigação e também indexados, quando é possível fazer pesquisa no arquivo.
Em julho, a PF acionou a Advocacia-Geral da União contra Mendonça e disse estar sob pressão para compartilhar dados sigilosos da apuração com o gabinete. Desde então, várias conversas ocorreram com a participação dos ministros da Advocacia-Geral da União, Jorge Messias, e da Justiça, Wellington César.
O presidente Lula (PT) chegou a pedir que o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, procurasse Mendonça, segundo integrantes do governo. A PF não se manifestou sobre o assunto. A reunião entre Andrei e André também não aconteceu.
























