Ex-dono do Master depôs ao gabinete do ministro, que restringiu acesso da PF ao inquérito e conduz investigação sobre mensagens no celular do ex-banqueiro
Hariane Bittencourt
André Mendonça | Nelson Jr./SCO/STF
Além da Polícia Federal, o ex-banqueiroDaniel Vorcaro prestou depoimento ao gabinete do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). A oitiva ocorreu na semana passada, a pedido da defesa do empresário.
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A informação foi revelada pelo jornal O Globo e confirmada pelo SBT News.
Mendonça é o relator das investigações sobre o Banco Master. Na terça-feira (1º), o ministro retirou o sigilo de mensagens supostamente trocadas entre Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes, elevando a tensão institucional.
Segundo o gabinete de Mendonça, o depoimento ocorreu após os advogados de Vorcaro alegarem que o empresário estaria sofrendo "graves intimidações" e pedirem que ele fosse ouvido com urgência.
"Trata-se de ato processual regular, conduzido por juiz auxiliar", afirmou o gabinete, em nota. Um representante do Ministério Público também acompanhou a oitiva. Não houve participação de integrantes da PF.
O gabinete justificou a ausência dos policiais com base em normas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), segundo as quais o afastamento da equipe responsável pela investigação durante o depoimento pode ser adotado como medida para preservar a integridade física e psicológica do depoente.
A versão do gabinete é que a ausência dos investigadores foi uma medida de proteção e não uma restrição à atuação da PF.
O conteúdo do depoimento, segundo Mendonça, permanece protegido por sigilo legal. O ministro também negou que Vorcaro tenha prestado informações sobre Moraes.
Tensão com a PF
O episódio ocorre em meio à crise entre o gabinete de Mendonça e a cúpula da Polícia Federal na condução do caso Master.
Em fevereiro, logo após assumir a relatoria do inquérito, Mendonça restringiu o acesso da cúpula da PF aos detalhes da investigação. A decisão estabeleceu que as informações deveriam ficar restritas a autoridades e agentes com necessidade concreta de conhecê-las.
Interlocutores do ministro disseram que a medida seguia uma política de compartimentação de informações para evitar vazamentos. A cúpula da PF, por sua vez, minimizou o impacto da decisão.
Dias antes, Mendonça havia se reunido com delegados responsáveis pela investigação para receber informações sobre o andamento do caso. O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, não participou do encontro.
Na sequência, Mendonça autorizou a PF a retomar o fluxo ordinário de perícias sobre os dispositivos eletrônicos apreendidos na Operação Compliance Zero e permitiu que a corporação realizasse diligências sem necessidade de autorização judicial prévia.
A relação voltou a ganhar tensão com a divulgação de mensagens encontradas no celular de Vorcaro. Segundo documentos da investigação, o ex-banqueiro teria pedido a Moraes que tentasse interceder junto a Andrei Rodrigues e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, para conter o avanço das investigações.
Mendonça ouviu Vorcaro sem a presença da PFEx-dono do Master depôs ao gabinete do ministro, que restringiu acesso da PF ao inquérito e conduz investigação sobre mensagens no celular do ex-banqueiroPolítica2026-09-02T16:17:02.258ZAlém da Polícia Federal, o ex-banqueiro prestou depoimento ao gabinete do ministro , do Supremo Tribunal Federal (STF). A oitiva ocorreu na semana passada, a pedido da defesa do empresário. A informação foi revelada pelo jornal O Globo e confirmada pelo SBT News. Mendonça é o relator das investigações sobre o Banco Master. Na terça-feira (1º), o ministro retirou o sigilo de mensagens supostamente trocadas entre Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes, elevando a tensão institucional. Segundo o gabinete de Mendonça, o depoimento ocorreu após os advogados de Vorcaro alegarem que o empresário estaria sofrendo "graves intimidações" e pedirem que ele fosse ouvido com urgência. "Trata-se de ato processual regular, conduzido por juiz auxiliar", afirmou o gabinete, em nota. Um representante do Ministério Público também acompanhou a oitiva. Não houve participação de integrantes da PF. O gabinete justificou a ausência dos policiais com base em normas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), segundo as quais o afastamento da equipe responsável pela investigação durante o depoimento pode ser adotado como medida para preservar a integridade física e psicológica do depoente. A versão do gabinete é que a ausência dos investigadores foi uma medida de proteção e não uma restrição à atuação da PF. O conteúdo do depoimento, segundo Mendonça, permanece protegido por sigilo legal. O ministro também negou que Vorcaro tenha prestado informações sobre Moraes. Tensão com a PF O episódio ocorre em meio à crise entre o gabinete de Mendonça e a cúpula da Polícia Federal na condução do caso Master. Em fevereiro, logo após assumir a relatoria do inquérito, Mendonça restringiu o acesso da cúpula da PF aos detalhes da investigação. A decisão estabeleceu que as informações deveriam ficar restritas a autoridades e agentes com necessidade concreta de conhecê-las. Interlocutores do ministro disseram que a medida seguia uma política de compartimentação de informações para evitar vazamentos. A cúpula da PF, por sua vez, minimizou o impacto da decisão. Dias antes, Mendonça havia se reunido com delegados responsáveis pela investigação para receber informações sobre o andamento do caso. O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, não participou do encontro. Na sequência, Mendonça autorizou a PF a retomar o fluxo ordinário de perícias sobre os dispositivos eletrônicos apreendidos na Operação Compliance Zero e permitiu que a corporação realizasse diligências sem necessidade de autorização judicial prévia. A relação voltou a ganhar tensão com a divulgação de mensagens encontradas no celular de Vorcaro. Segundo documentos da investigação, o ex-banqueiro teria pedido a Moraes que tentasse interceder junto a Andrei Rodrigues e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, para conter o avanço das investigações.São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/politica/mendonca-ouviu-vorcaro-sem-a-presenca-da-pf