Eleição não importa: foco é tirar Moraes, diz senador do PL
Carlos Portinho voltou a cobrar impeachment e disse que oposição ficará em cima de Alcolumbre para abertura do processo mesmo sem maioria para aprová-lo
Victor Schneider
Senador Carlos Portinho (PL-RJ) | Divulgação/Carlos Moura/Agência Senado
O senador Carlos Portinho (PL-RJ) disse nesta quarta-feira (2) que as revelações feitas pela Polícia Federal (PF) acerca da relação entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), tiraram o foco da eleição e que o objetivo agora é pressionar o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), a abrir um processo de impeachment contra Moraes.
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“Se o presidente Davi Alcolumbre, pressionado pelo Senado como está sendo, quiser fazer a reunião duas, três, todos os dias da semana para tratar desse assunto, nós estaremos. Largaremos campanha eleitoral, porque isso não importa mais", disse em coletiva ao lado do deputado Sóstenes Cavalcante, líder do PL na Câmara, e outros congressistas do partido.
“A eleição fica em segundo plano para nós. O que não pode é deixar um país ser dominado por pessoas que praticam crimes em altas posições da República. Isso não é possível", corroborou Sóstenes.
Com o pedido apresentado pela oposição na terça (1º), chegaram a 110 as iniciativas dentro do Senado para retirar Moraes do cargo, o que nunca aconteceu na história do Brasil. A decisão pela abertura é exclusiva do presidente do Senado e a aprovação precisa do voto de dois terços dos senadores: 54. A oposição tem hoje 32 senadores na Casa Alta.
Portinho admitiu a dificuldade para avançar com o impeachment por falta de maioria. Porém, mostrou que, mais do que nunca, o relatório da PF fortalece o apelo para ter maioria no Legislativo. “Nos cabe não só pedir a renúncia, mas iniciar o processo de impeachment. Se Davi Alcolumbre estiver falando da boca para fora e empurrando com a barriga, ele será cobrado diariamente e nos cabe continuar cobrando. E onde que a gente vai dar a grande virada? Será nas eleições", disse.
Além da saída de Moraes, Portinho e Sóstenes voltaram a cobrar a renúncia do procurador-geral da República, Paulo Gonet, e do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, ambos citados em conversas entre o ministro e Vorcaro. O então banqueiro perguntou a Moraes se Gonet e Andrei poderiam blindar as investigações que levariam à sua prisão em 17 de novembro de 2025, tentando deixar o país em um jatinho particular.
Entenda
Um relatório da PF tornado público pelo ministro André Mendonça na terça mostrou que a perícia de celulares de Daniel Vorcaro encontraram várias conversas junto a Alexandre de Moraes, inclusive no dia em que Vorcaro foi preso no Aeroporto de Guarulhos tentando embarcar rumo a Dubai em um jato particular, em 17 de novembro de 2025.
Vorcaro faz consultas com o ministro sobre a investigação da Compliance Zero e pediu conselhos sobre estratégias para frear o caso, inclusive mencionando o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues.
Uma dos pontos trazidos pelo relatório é um segundo contrato firmado por Viviane Barci, esposa de Moraes, junto ao Banco Master. O acordo de três anos tinha valor de R$ 50 milhões e teria sido pago com cotas de duas aeronaves: um avião Legacy 650, no valor de US$ 5.512.951,89, e um helicóptero EC 155 B1, com o custo de US$ 1.335.014,01.
A transferência teria se valido de uma operação que oculta o destinatário final das aeronaves, para evitar um "risco reputacional" ao ministro, conforme a PF. Em nota, o escritório de Viviane Barci nega que o contrato tenha sido firmado.
Eleição não importa: foco é tirar Moraes, diz senador do PLCarlos Portinho voltou a cobrar impeachment e disse que oposição ficará em cima de Alcolumbre para abertura do processo mesmo sem maioria para aprová-lo
Política2026-09-02T18:13:16.122ZO senador Carlos Portinho (PL-RJ) disse nesta quarta-feira (2) que as revelações feitas pela Polícia Federal (PF) acerca da relação entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), tiraram o foco da eleição e que o objetivo agora é pressionar o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), a abrir um processo de impeachment contra Moraes. “Se o presidente Davi Alcolumbre, pressionado pelo Senado como está sendo, quiser fazer a reunião duas, três, todos os dias da semana para tratar desse assunto, nós estaremos. Largaremos campanha eleitoral, porque isso não importa mais", disse em coletiva ao lado do deputado Sóstenes Cavalcante, líder do PL na Câmara, e outros congressistas do partido. “A eleição fica em segundo plano para nós. O que não pode é deixar um país ser dominado por pessoas que praticam crimes em altas posições da República. Isso não é possível", corroborou Sóstenes. Com o pedido apresentado pela oposição na terça (1º), chegaram a 110 as iniciativas dentro do Senado para retirar Moraes do cargo, o que nunca aconteceu na história do Brasil. A decisão pela abertura é exclusiva do presidente do Senado e a aprovação precisa do voto de dois terços dos senadores: 54. A oposição tem hoje 32 senadores na Casa Alta. Portinho admitiu a dificuldade para avançar com o impeachment por falta de maioria. Porém, mostrou que, mais do que nunca, o relatório da PF fortalece o apelo para ter maioria no Legislativo. “Nos cabe não só pedir a renúncia, mas iniciar o processo de impeachment. Se Davi Alcolumbre estiver falando da boca para fora e empurrando com a barriga, ele será cobrado diariamente e nos cabe continuar cobrando. E onde que a gente vai dar a grande virada? Será nas eleições", disse. Além da saída de Moraes, Portinho e Sóstenes voltaram a cobrar a renúncia do procurador-geral da República, Paulo Gonet, e do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, ambos citados em conversas entre o ministro e Vorcaro. O então banqueiro perguntou a Moraes se Gonet e Andrei poderiam blindar as investigações que levariam à sua prisão em 17 de novembro de 2025, tentando deixar o país em um jatinho particular. Entenda Um relatório da PF tornado público pelo ministro André Mendonça na terça mostrou que a perícia de celulares de Daniel Vorcaro encontraram várias conversas junto a Alexandre de Moraes, inclusive no dia em que Vorcaro foi preso no Aeroporto de Guarulhos tentando embarcar rumo a Dubai em um jato particular, em 17 de novembro de 2025. Vorcaro faz consultas com o ministro sobre a investigação da Compliance Zero e pediu conselhos sobre estratégias para frear o caso, inclusive mencionando o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. Uma dos pontos trazidos pelo relatório é um segundo contrato firmado por Viviane Barci, esposa de Moraes, junto ao Banco Master. O acordo de três anos tinha valor de R$ 50 milhões e teria sido pago com cotas de duas aeronaves: um avião Legacy 650, no valor de US$ 5.512.951,89, e um helicóptero EC 155 B1, com o custo de US$ 1.335.014,01. A transferência teria se valido de uma operação que oculta o destinatário final das aeronaves, para evitar um "risco reputacional" ao ministro, conforme a PF. Em nota, o escritório de Viviane Barci nega que o contrato tenha sido firmado.São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/politica/eleicao-nao-importa-foco-e-tirar-moraes-diz-senador-do-pl
Ex-dono do Master depôs ao gabinete do ministro, que restringiu acesso da PF ao inquérito e conduz investigação sobre mensagens no celular do ex-banqueiro