Startup de vibe-coding Cursor cria navegador web autônomo usando IA
Plataforma coordenou centenas de modelos de IA para escrever milhões de linhas de código e desenvolver um browser do zero


Exame.com
A inteligência artificial está possibilitando uma escala inédita em projetos de tecnologia. Um evidente sinal dessa transformação pode ser avaliado pela startup Cursor, que desenvolveu um navegador web funcional do zero a partir de agentes autônomos de inteligência artificial baseados no modelo GPT-5.2, que escreveram mais de 3 milhões de linhas de código em milhares de arquivos.
O projeto, chamado de FastRender, foi desenvolvido em uma semana e é considerado um dos mais ambiciosos com codificação autônoma de longa duração, segundo análise do pesquisador Simon Willison.
Navegadores web estão entre os softwares mais complexos para se criar. Com isso, o experimento da Cursor pode ser uma prova da capacidade da IA para conduzir projetos sem depender da supervisão humana.
Como o projeto foi conduzido?
Segundo a Cursor, os agentes foram organizados em uma arquitetura hierárquica, com três "níveis" de agentes de IA.
Planejadores (planners) analisavam o estado do projeto e quebravam o trabalho em tarefas menores, enquanto os executores (workers) implementavam essas tarefas em paralelo.
Ao final de cada ciclo, agentes árbitros (judges) avaliavam se o progresso era suficiente ou se novos ajustes eram necessários, para reduzir conflitos e retrabalho.
O sistema operou de forma contínua por cerca de sete dias, o que resultou em mais de 3 milhões de linhas de código distribuídas em milhares de arquivos.
Disso nasceu o foi o FastRender, um navegador escrito em Rust, com motor de renderização próprio, suporte a HTML, CSS, layout, text shaping, pintura de tela e uma máquina virtual JavaScript desenvolvida especificamente para o projeto.
Publicação e testes
O código-fonte foi publicado no GitHub e inclui submódulos com especificações oficiais do WHATWG e do CSS Working Group. Essa estratégia facilitou o acesso dos agentes de IA às referências técnicas.
De início, o projeto foi criticado devido às falhas no processo de compilação. No entanto, nos dias seguintes, a Cursor corrigiu os problemas e publicou instruções para rodar o navegador.
Na postagem do blog, Willison conta que testou a versão mais recente no macOS e conseguiu abrir páginas como o Google e seu próprio site. Apesar de falhas evidentes, as páginas são legíveis e renderizadas corretamente.
"Sinceramente, são muito impressionantes", escreveu no blogpost.
Desafios
Apesar de ser um destaque entre projetos do tipo, o FastRender continua longe da maturidade de navegadores consolidados como Chrome, Firefox ou WebKit.
Enquanto o Chromium reúne cerca de 35 milhões de linhas de código e décadas de refinamento, o projeto da Cursor é descrito pelos próprios desenvolvedores como algo que "funciona mais ou menos" e ainda exige intervenção humana para correções.
Ainda assim, o projeto tem peso simbólico porque antecipa cenários que especialistas esperavam apenas para 2029.
"Não acho que veremos projetos dessa natureza competindo com o Chrome, o Firefox ou o WebKit tão cedo, mas devo admitir que estou muito surpreso em ver algo tão capaz surgir tão rapidamente", escreveu.








