Atriz Miá Mello relata dificuldade para sair do Catar após conflito afetar voos na região
Atriz e o marido aguardam alternativa para voltar ao Brasil; na internet, ela fala sobre medo e saudade dos filhos



Naiara Ribeiro
Camila Stucaluc
A atriz Miá Mello e o marido, Lucas Melo, estão “presos” em Doha, capital do Catar, após não conseguirem voltar ao Brasil por conta da escalada da guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. O casal faria apenas uma escala no país quando descobriu que os voos estavam sendo cancelados ou atrasados. Miá tem relatado nas redes sociais sobre os dias no país.
Os dois chegaram à cidade no sábado (28) e fariam uma conexão de cerca de 12 horas antes de seguir viagem. Ao desembarcarem, começaram a receber alertas em árabe nos celulares. No saguão do aeroporto, perceberam que diversos voos tinham sido suspensos ou adiados.
Ao saírem para as ruas, encontraram um cenário incomum, com estabelecimentos fechados, e ouviram o que pareciam ser explosões.
Desde então, Miá e o marido estão hospedados em um hotel, aguardando uma forma de deixar o país. Eles estão em contato com a embaixada brasileira no Catar e participam de um grupo de WhatsApp que reúne brasileiros na região para compartilhar informações. O casal avalia opções de saída por terra.
Na quinta-feira (5), Miá contou que foi um dos dias mais tensos desde que chegaram. De acordo com ela, houve vários alertas de disparos de mísseis nos celulares. “Essa noite ressoaram várias vezes os celulares. Não ouvi estrondo nem nada, mas é um susto”, relatou.

A atriz também comentou que a comunidade brasileira no Catar tem se apoiado. Ela fala ainda sobre a saudade dos filhos e da família, que está em São Paulo.
Apesar da situação, a atriz tenta tranquilizar os seguidores. “Estamos bem, em segurança, não estamos correndo risco. É ‘só’ mesmo a vontade de ir embora”, afirmou.
Compromissos de trabalho no Brasil
Miá Mello tinha compromissos profissionais marcados para os próximos dias no Brasil. Na quarta-feira (4), aconteceu a reestreia da peça Mulheres em Chamas, da qual ela faz parte do elenco.
O que acontece no Oriente Médio?
O Irã foi alvo de um ataque coordenado entre Estados Unidos e Israel no sábado (28). O bombardeio já deixou mais de 1.200 mortos no Irã e mais de 120 no Líbano. A ação ocorreu em meio às negociações de Teerã com Washington sobre um novo acordo nuclear.
Restringir a capacidade nuclear do Irã tem sido uma das prioridades da política externa de Washington há décadas. Em 2015, o então presidente Barack Obama fez um acordo com o país, limitando as atividades nucleares e permitindo a inspeção das instalações para garantir que fossem usadas apenas para fins civis e não para a produção de armas. Em troca, o Irã recebia alívio nas sanções.
Tal acordo, no entanto, foi rasgado em 2018 por Donald Trump, que alegou que o acordo era benéfico demais para o Irã. Com isso, o país deixou de cumprir o acordo e elevou o grau de enriquecimento de urânio – que pode ser usado para fazer bombas nucleares. O governo de Joe Biden até tentou retomar o acordo, oferecendo novamente alívio nas sanções econômicas, mas não obteve sucesso.
Agora, em seu segundo mandato, Trump vinha pressionando o governo iraniano a limitar ou abandonar o programa nuclear, sob a justificativa de que o país estaria próximo de desenvolver uma bomba atômica. A acusação é rejeitada por Teerã, que afirma que o programa tem fins pacíficos, voltados sobretudo à produção de energia.
Na última semana, representantes iranianos e norte-americanos se encontram na Suíça para debater um novo acordo nuclear. Eles haviam classificado o encontro como positivo, dizendo que o próximo passo envolveria equipes especializadas de ambos os países em Viena, na sede da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).
Na manhã de sábado, no entanto, Trump acusou o Irã de “voltar a perseguir suas ambições nucleares”, mesmo após os ataques de 2025, resultando em novos bombardeios, desta vez em parceria com Israel. Em retaliação aos ataques, Teerã lançou mísseis contra Israel e atacou bases militares norte-americanas no Oriente Médio. Um ataque direto aos Estados Unidos também foi prometido pelos iranianos.
O conflito se expandiu após o Hezbollah, aliado do Irã, lançar mísseis contra Israel, que respondeu atacando alvos em todo o Líbano, país onde o grupo é dominante. Além disso, drones iranianos atingiram bases militares europeias no Oriente Médio. A ação resultou em um comunicado conjunto entre França, Alemanha e Reino Unido, que sugeriram a possibilidade de entrar no conflito para "a defesa de seus interesses e de seus aliados".









