Saúde

Saiba como prevenir doença respiratória em bebês e crianças

Especialista explica por que os casos disparam no frio e como evitar complicações

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Brazil Health
26/06/2026, 13:32 • Atualizado em 26/06/2026, 13:32
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Criança fazendo inalação | EBC

Criança fazendo inalação | EBC

O inverno no Brasil tem se consolidado como um período crítico para a saúde infantil, por favorecer a disseminação de vírus e infecções respiratórias por uma combinação de fatores ambientais e comportamentais, despertando grande atenção de pediatras e famílias. Nesse cenário, diversos fatores se somam para favorecer o aumento das doenças respiratórias: o frio intenso e o ar mais seco fragilizam as vias aéreas, reduzindo suas defesas naturais; ao mesmo tempo, a maior permanência em ambientes fechados e pouco ventilados, como escolas e residências, facilita a transmissão de vírus por gotículas.

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A circulação elevada de agentes infecciosos encontra condições ideais para se espalhar rapidamente, criando um ambiente propício para o crescimento dos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), bronquiolite, influenza, rinovírus, adenovírus e SARS-CoV-2, pneumonias e crises alérgicas em crianças, que acabam sendo as mais vulneráveis nesse período.

O que os dados mostram sobre o aumento de casos

No Sabará Hospital Infantil, em São Paulo, os números refletem essa realidade: em 2025 foram 1.076 internações por doenças respiratórias e mais de 16 mil atendimentos no pronto-socorro. Em alguns períodos do inverno, as hospitalizações por VSR chegaram a ser 30% superiores às de 2024. Além disso, houve crescimento de pneumonias por Mycoplasma e aumento de crises alérgicas, agravadas pela poluição e pelo clima instável.

Segundo dados da Fiocruz, em 2025 foram registrados mais de 150 mil casos de SRAG, com impacto especialmente entre bebês e crianças menores de dois anos em todo o país. O Vírus Sincicial Respiratório (VSR) foi responsável por até 80% dos casos de bronquiolite e por 40% a 46% das internações pediátricas por SRAG.

Por que a sazonalidade mudou nos últimos anos

Desde a pandemia, observamos que a sazonalidade, que ocorria entre os meses de maio e agosto, mudou. Antes, os casos se concentravam, principalmente, no início do outono; agora, já em fevereiro e março os hospitais observam aumento expressivo.

Outro fator significativo nas alterações do padrão das doenças respiratórias em crianças no Brasil está atrelado às mudanças climáticas. Essas variações, que alternam ondas de calor e frio, além da maior instabilidade, fragilizam as vias aéreas e favorecem a disseminação viral.

Como reduzir o risco: vacinas e cuidados em casa

A boa notícia é que, atualmente, já existem medidas eficazes para reduzir o impacto dessas doenças, como, por exemplo, a vacinação. A campanha da gripe para crianças de 6 meses a 6 anos reduz em até 60% os casos graves. A imunização passiva contra o VSR, via vacinação materna durante a gestação, já está incorporada ao Programa Nacional de Imunização. Anticorpos como palivizumabe (para prematuros e cardiopatas) e nirsevimabe (para todos os bebês) ampliam a proteção.

É fundamental estar atento aos sinais de alerta nas doenças respiratórias infantis, pois eles indicam a necessidade de avaliação médica imediata. Sintomas como dificuldade para respirar, respiração acelerada, chiado no peito, febre alta ou persistente, recusa alimentar e sonolência excessiva não devem ser ignorados.

Esses quadros podem evoluir rapidamente para situações graves, especialmente em bebês e crianças pequenas, que possuem vias aéreas mais estreitas e sistema imunológico em desenvolvimento. Reconhecer precocemente esses sinais e buscar atendimento especializado é essencial para evitar complicações e garantir a segurança da criança. Mas o inverno não precisa ser sinônimo de hospitais lotados. Informação de qualidade, vacinação em dia e atitudes simples dentro de casa podem transformar esse cenário.

A prevenção deve ser encarada como prioridade. Manter a vacinação em dia, adotar medidas simples de higiene, garantir ambientes ventilados e reconhecer precocemente os sinais de alerta são atitudes que fazem toda a diferença.

Assim, proteger a infância durante o inverno é um compromisso coletivo que envolve famílias, profissionais de saúde e toda a sociedade. Com informação de qualidade, responsabilidade e atenção constante, é possível reduzir os riscos, evitar complicações e assegurar que as crianças atravessem essa estação com mais saúde, segurança e bem-estar.

** Francisco Ivanildo de Oliveira Junior é infectologista e gerente de Qualidade Assistencial e Serviço de Controle de Infecção Hospitalar do Sabará Hospital Infantil

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