Por que bandeiras de Iraque e Arábia não tocam o chão
Fifa também adapta premiação de melhor jogador da partida para atletas muçulmanos; entenda
Emanuelle Menezes
26/06/2026, 12:26 • Atualizado em 26/06/2026, 13:08
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No jogo do Iraque contra a França, na segunda-feira (22), bandeiras permaneceram suspensas por voluntários, sem tocar o chão | Reprodução
Quando Iraque e Senegal entrarem em campo às 16h desta sexta-feira (26), pela terceira rodada da fase de grupos da Copa do Mundo de 2026, um detalhe chamará a atenção antes mesmo da bola rolar. Diferentemente do protocolo adotado nos demais jogos do torneio, a bandeira iraquiana não será estendida sobre o gramado durante a execução dos hinos nacionais.
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A mesma exceção será aplicada na partida entre Cabo Verde e Arábia Saudita, disputada mais tarde, às 21h. A decisão da Fifa busca respeitar a tradição religiosa ligada aos símbolos nacionais dos dois países, cujas bandeiras trazem inscrições consideradas sagradas pelos muçulmanos.
Na cerimônia de abertura das partidas desta Copa, grandes bandeiras dos países são estendidas no campo enquanto as seleções se posicionam para os hinos. No caso de Iraque e Arábia Saudita, porém, elas permanecem suspensas e são seguradas por voluntários, sem tocar o chão.
Para manter a isonomia entre as equipes, as bandeiras dos adversários também recebem o mesmo tratamento.
Em Escócia x Brasil, na quarta-feira (24), bandeiras tocaram o chão; já na partida entre Espanha e Arábia Saudita, elas foram suspensas pelos voluntários | Reprodução
A bandeira da Arábia Saudita traz a Shahada, a declaração de fé do Islã, escrita em árabe: "Não há divindade digna de adoração além de Allah, e Muhammad é o Mensageiro de Allah". Trata-se de um dos principais símbolos da religião islâmica e do primeiro dos Cinco Pilares do Islã.
Já a bandeira do Iraque exibe, na faixa branca, a expressão "Allahu Akbar", que significa "Deus é o maior" ou "Deus é grande".
Para muitos muçulmanos, permitir que essas inscrições sagradas toquem o chão, sejam pisadas ou se sujem representa um ato de desrespeito. No caso saudita, o próprio Ministério da Cultura do país estabelece que a bandeira não deve tocar superfícies inferiores, como o solo, a água ou mesas.
Segundo a agência de notícias Reuters, a Fifa afirmou que trabalhou em conjunto com as seleções participantes para atender "solicitações razoáveis de apresentação" nas cerimônias pré-jogo.
Premiação para jogadores muçulmanos também é adaptada
Essa não é a única adaptação feita pela entidade para respeitar tradições religiosas durante a Copa do Mundo. Quando um jogador muçulmano é eleito o Superior Player of the Match, prêmio dado ao melhor atleta da partida, a Fifa também altera a cerimônia de entrega.
O troféu e o painel de fundo deixam de exibir a marca da cervejaria patrocinadora da premiação.
Diferenças podem ser vistas na premiação do brasileiro Vini Jr. e do meio-campista da seleção do Egito Mohamed Salah | Reprodução
A mudança ocorre porque, no Islã, a proibição não se limita ao consumo de bebidas alcoólicas. A tradição religiosa também desencoraja que fiéis promovam, façam publicidade ou associem sua imagem a produtos alcoólicos.
A medida é mais um exemplo de como organizações esportivas internacionais vêm adaptando protocolos para conciliar grandes eventos com diferentes culturas, crenças e tradições religiosas, sem alterar o formato da competição.
Por que bandeiras de Iraque e Arábia não tocam o chãoFifa também adapta premiação de melhor jogador da partida para atletas muçulmanos; entendaMundo2026-06-26T12:26:46.220ZQuando Iraque e Senegal entrarem em campo às 16h desta sexta-feira (26), pela terceira rodada da fase de grupos da , um detalhe chamará a atenção antes mesmo da bola rolar. Diferentemente do protocolo adotado nos demais jogos do torneio, a bandeira iraquiana não será estendida sobre o gramado durante a execução dos hinos nacionais. A mesma exceção será aplicada na partida entre Cabo Verde e Arábia Saudita, disputada mais tarde, às 21h. A decisão da Fifa busca respeitar a tradição religiosa ligada aos símbolos nacionais dos dois países, cujas bandeiras trazem inscrições consideradas sagradas pelos muçulmanos. Na cerimônia de abertura das partidas desta Copa, grandes bandeiras dos países são estendidas no campo enquanto as seleções se posicionam para os hinos. No caso de Iraque e Arábia Saudita, porém, elas permanecem suspensas e são seguradas por voluntários, sem tocar o chão. Para manter a isonomia entre as equipes, as bandeiras dos adversários também recebem o mesmo tratamento. Por que as bandeiras não podem tocar o chão? A bandeira da Arábia Saudita traz a Shahada, a declaração de fé do Islã, escrita em árabe: "Não há divindade digna de adoração além de Allah, e Muhammad é o Mensageiro de Allah". Trata-se de um dos principais símbolos da religião islâmica e do primeiro dos Cinco Pilares do Islã. Já a bandeira do Iraque exibe, na faixa branca, a expressão "Allahu Akbar", que significa "Deus é o maior" ou "Deus é grande". Para muitos muçulmanos, permitir que essas inscrições sagradas toquem o chão, sejam pisadas ou se sujem representa um ato de desrespeito. No caso saudita, o próprio Ministério da Cultura do país estabelece que a bandeira não deve tocar superfícies inferiores, como o solo, a água ou mesas. Segundo a agência de notícias Reuters, a Fifa afirmou que trabalhou em conjunto com as seleções participantes para atender "solicitações razoáveis de apresentação" nas cerimônias pré-jogo. Premiação para jogadores muçulmanos também é adaptada Essa não é a única adaptação feita pela entidade para respeitar tradições religiosas durante a Copa do Mundo. Quando um jogador muçulmano é eleito o Superior Player of the Match, prêmio dado ao melhor atleta da partida, a Fifa também altera a cerimônia de entrega. O troféu e o painel de fundo deixam de exibir a marca da cervejaria patrocinadora da premiação. A mudança ocorre porque, no Islã, a proibição não se limita ao consumo de bebidas alcoólicas. A tradição religiosa também desencoraja que fiéis promovam, façam publicidade ou associem sua imagem a produtos alcoólicos. A medida é mais um exemplo de como organizações esportivas internacionais vêm adaptando protocolos para conciliar grandes eventos com diferentes culturas, crenças e tradições religiosas, sem alterar o formato da competição.São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/mundo/copa-por-que-bandeiras-de-iraque-e-arabia-nao-tocam-o-chao
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