Durigan diz que reação aos EUA terá consulta a empresas
Ministro da Fazenda diz que governo terá 'muita cautela e muita responsabilidade' e que contramedidas 'podem vir ou não a ser adotadas'
Caio Barcellos
O ministro da Fazenda, Dario Durigan | Washington Costa/MF
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta sexta-feira (14) que o governo pretende ouvir empresas brasileiras e estrangeiras antes de decidir se adotará medidas de reciprocidade contra as tarifas impostas pelos Estados Unidos. Segundo ele, a abertura do processo não significa que o Brasil necessariamente aplicará contramedidas.
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O governo iniciou na quinta-feira (13) o procedimento previsto na Lei da Reciprocidade Econômica para avaliar uma resposta às novas barreiras comerciais dos Estados Unidos. A etapa inicial inclui a análise do caso pela Câmara de Comércio Exterior (Camex) e consultas diplomáticas com Washington.
Durigan disse que a consulta aos setores atingidos permitirá ao governo medir os efeitos que uma eventual reação brasileira teria sobre empresas instaladas no país e sobre companhias estrangeiras que mantêm negócios com o Brasil.
“O primeiro impacto do processo de reciprocidade é a gente poder colher, em especial do empresariado brasileiro, mas também do empresariado exterior, quais seriam os impactos e as preocupações que eles têm com eventuais medidas de reciprocidade. Isso lembrando que essa lei de reciprocidade foi aprovada por unanimidade no Congresso e a gente tem sempre muita cautela e muita responsabilidade para manejá-la”, afirmou.
Segundo o ministro, o governo pretende conduzir o processo com “muita cautela e muita responsabilidade”. Ele ressaltou que as medidas de reciprocidade “podem vir ou não a ser adotadas” depois da avaliação dos impactos e das manifestações dos interessados.
Em julho, os EUA passaram a cobrar uma sobretaxa de 25% sobre parte dos produtos brasileiros e aplicaram outra tarifa de 12,5% ligada a alegações sobre o cumprimento de regras contra trabalho forçado, o que leva a taxação de alguns produtos a até 37,5%.
O governo brasileiro considera as medidas americanas injustificadas e sustenta que continuará buscando uma solução pela via diplomática. O início do processo de reciprocidade abre a possibilidade de uma reação comercial, mas ainda não define quais setores ou produtos dos EUA poderiam ser atingidos.
A legislação permite que o Brasil adote respostas proporcionais a barreiras comerciais consideradas prejudiciais ao país. Entre as possibilidades previstas estão restrições a importações de bens e serviços, suspensão de concessões comerciais e mudanças em obrigações relacionadas a investimentos e propriedade intelectual.
“O processo de reciprocidade, num país que é sério e que quer ouvir quem é afetado pela reciprocidade, demanda oitiva de eventuais interessados e eventuais impactados”, disse.
Setor de máquinas pede cautela
O setor de máquinas e equipamentos está entre os principais afetados pelas tarifas impostas pelos EUA e já manifestou preocupação também com uma eventual reação brasileira. Em nota enviada ao SBT News, a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) reforçou ser contrária ao uso da Lei da Reciprocidade Econômica como resposta às medidas norte-americanas.
“A ABIMAQ reafirma que não apoia a adoção da Lei da Reciprocidade Econômica como resposta a essa medida. Na nossa avaliação, a decisão dos Estados Unidos tem motivação predominantemente política, e uma reação brasileira baseada em retaliação tende a ser pouco eficaz, podendo ainda comprometer o diálogo entre os dois países”, afirmou a entidade.
Em julho, após reunião com autoridades brasileiras para discutir os efeitos das tarifas de Donald Trump, a Abimaq já havia se manifestado contra a reciprocidade e defendido o reforço da diplomacia entre os governos e da interlocução entre empresas brasileiras e americanas.
“Mesmo com a reprovação dos empresários norte-americanos, os EUA decidiram colocar tarifas. Então, entendemos que a medida possui um componente político importante, que não deve ser resolvido com reciprocidade”, disse o presidente executivo da Abimaq, José Velloso, à época.
Durigan diz que reação aos EUA terá consulta a empresasMinistro da Fazenda diz que governo terá 'muita cautela e muita responsabilidade' e que contramedidas 'podem vir ou não a ser adotadas' Economia2026-08-14T14:09:52.317ZO ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta sexta-feira (14) que o governo pretende ouvir empresas brasileiras e estrangeiras antes de decidir se adotará contra as tarifas impostas pelos Estados Unidos. Segundo ele, a abertura do processo não significa que o Brasil necessariamente aplicará contramedidas. O governo iniciou na quinta-feira (13) o procedimento previsto na L para avaliar uma resposta às novas barreiras comerciais dos Estados Unidos. A etapa inicial inclui a análise do caso pela Câmara de Comércio Exterior (Camex) e consultas diplomáticas com Washington. Durigan disse que a consulta aos setores atingidos permitirá ao governo medir os efeitos que uma eventual reação brasileira teria sobre empresas instaladas no país e sobre companhias estrangeiras que mantêm negócios com o Brasil. “O primeiro impacto do processo de reciprocidade é a gente poder colher, em especial do empresariado brasileiro, mas também do empresariado exterior, quais seriam os impactos e as preocupações que eles têm com eventuais medidas de reciprocidade. Isso lembrando que essa lei de reciprocidade foi aprovada por unanimidade no Congresso e a gente tem sempre muita cautela e muita responsabilidade para manejá-la”, afirmou. Segundo o ministro, o governo pretende conduzir o processo com “muita cautela e muita responsabilidade”. Ele ressaltou que as medidas de reciprocidade “podem vir ou não a ser adotadas” depois da avaliação dos impactos e das manifestações dos interessados. Em julho, os EUA passaram a cobrar uma sobretaxa de 25% sobre parte dos produtos brasileiros e aplicaram outra tarifa de 12,5% ligada a alegações sobre o cumprimento de regras contra trabalho forçado, o que leva a taxação de alguns produtos a até 37,5%. O governo brasileiro considera as medidas americanas injustificadas e sustenta que continuará buscando uma solução pela via diplomática. O início do processo de reciprocidade abre a possibilidade de uma reação comercial, mas ainda não define quais setores ou produtos dos EUA poderiam ser atingidos. A legislação permite que o Brasil adote respostas proporcionais a barreiras comerciais consideradas prejudiciais ao país. Entre as possibilidades previstas estão restrições a importações de bens e serviços, suspensão de concessões comerciais e mudanças em obrigações relacionadas a investimentos e propriedade intelectual. “O processo de reciprocidade, num país que é sério e que quer ouvir quem é afetado pela reciprocidade, demanda oitiva de eventuais interessados e eventuais impactados”, disse. Setor de máquinas pede cautela O setor de máquinas e equipamentos está entre os principais afetados pelas tarifas impostas pelos EUA e já manifestou preocupação também com uma eventual reação brasileira. Em nota enviada ao SBT News, a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) reforçou ser contrária ao uso da Lei da Reciprocidade Econômica como resposta às medidas norte-americanas. “A ABIMAQ reafirma que não apoia a adoção da Lei da Reciprocidade Econômica como resposta a essa medida. Na nossa avaliação, a decisão dos Estados Unidos tem motivação predominantemente política, e uma reação brasileira baseada em retaliação tende a ser pouco eficaz, podendo ainda comprometer o diálogo entre os dois países”, afirmou a entidade. Em julho, após reunião com autoridades brasileiras para discutir os efeitos das tarifas de Donald Trump, a Abimaq já havia se manifestado contra a reciprocidade e defendido o reforço da diplomacia entre os governos e da interlocução entre empresas brasileiras e americanas. “Mesmo com a reprovação dos empresários norte-americanos, os EUA decidiram colocar tarifas. Então, entendemos que a medida possui um componente político importante, que não deve ser resolvido com reciprocidade”, disse o presidente executivo da Abimaq, José Velloso, à época.São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/economia/durigan-diz-que-reacao-aos-eua-tera-consulta-a-empresas