Setor de máquinas reforça crítica à reciprocidade aos EUA
Abimaq volta a defender negociação diplomática; máquinas e equipamentos estão entre os setores mais atingidos pelas tarifas de Trump
Caio Barcellos
Tarifaço ameaça 50% das exportações de rochas aos EUA | Foto: Diego Baravelli/MInfra
A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) reafirmou nesta sexta-feira (14) que é contra o uso da Lei da Reciprocidade Econômica para responder às tarifas impostas pelos Estados Unidos.
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Em nota ao SBT News, a entidade afirmou que considera a decisão dos Estados Unidos predominantemente política e avalia que uma retaliação comercial teria pouca capacidade de reverter as tarifas, além de poder dificultar as negociações entre os dois países.
“A ABIMAQ reafirma que não apoia a adoção da Lei da Reciprocidade Econômica como resposta a essa medida. Na nossa avaliação, a decisão dos Estados Unidos tem motivação predominantemente política, e uma reação brasileira baseada em retaliação tende a ser pouco eficaz, podendo ainda comprometer o diálogo entre os dois países”, afirmou.
A posição ocorre depois de o governo federal iniciar, na véspera (13), a análise para enquadrar as medidas dos Estados Unidos na Lei da Reciprocidade. O Itamaraty também notificou Washington e pediu a abertura de consultas diplomáticas.
A abertura do processo não significa que o Brasil já tenha decidido retaliar os Estados Unidos. O procedimento passa pela Câmara de Comércio Exterior (Camex) e pode resultar na elaboração de contramedidas, que ainda terão de passar por outras etapas antes de uma eventual aplicação.
A Abimaq defende que o governo concentre os esforços na negociação com Washington e também na interlocução entre empresas dos dois países. Segundo a associação, companhias e entidades norte-americanas já se manifestaram contra as tarifas durante a consulta pública realizada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês).
Para a entidade, a integração das cadeias produtivas e o peso do comércio bilateral tornam mais vantajosa a manutenção dos canais de negociação do que uma escalada tarifária.
Posição já havia sido levada ao governo
A resistência do setor à reciprocidade já havia sido apresentada ao governo em 21 de julho, quando representantes da Abimaq participaram de reuniões com o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, para discutir os efeitos das tarifas e as medidas de apoio às empresas brasileiras.
Depois dos encontros, o presidente-executivo da Abimaq, José Velloso, afirmou em entrevista coletiva que o caráter político da decisão norte-americana tornava a reciprocidade uma resposta pouco eficaz.
“Mesmo com a reprovação dos empresários norte-americanos, os EUA decidiram colocar tarifas. Então, entendemos que a medida possui um componente político importante, que não deve ser resolvido com reciprocidade”, disse à época.
Velloso também afirmou que a entidade se posicionaria contra a medida caso o governo abrisse uma consulta ao setor produtivo sobre possíveis contramedidas.
A indústria de máquinas e equipamentos está entre os segmentos mais expostos às tarifas adotadas pelo governo Donald Trump.
Segundo o MDIC, produtos do setor aparecem entre os itens sujeitos simultaneamente às duas sobretaxas impostas pelos Estados Unidos em julho: uma de 25% e outra de 12,5%. Para esses produtos, a cobrança adicional chega a 37,5%.
Antes da segunda medida, a tarifa de 25% já colocava sob pressão cerca de US$ 3,2 bilhões em exportações brasileiras de máquinas e equipamentos, considerando os valores de 2025. Os Estados Unidos são o principal mercado externo da indústria brasileira do segmento.
As medidas alcançam produtos como máquinas agrícolas, equipamentos de mineração, maquinário elétrico e outros bens de capital. A Abimaq afirma que continuará acompanhando as discussões com o governo e atuando para reduzir os efeitos das tarifas sobre a indústria nacional.
Setor de máquinas reforça crítica à reciprocidade aos EUAAbimaq volta a defender negociação diplomática; máquinas e equipamentos estão entre os setores mais atingidos pelas tarifas de TrumpEconomia2026-08-14T13:37:53.790ZA Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) reafirmou nesta sexta-feira (14) que é contra o uso da Lei da Reciprocidade Econômica para responder às tarifas impostas pelos Estados Unidos. 📲 Receba as principais notícias do Brasil e do mundo no seu WhatsApp! e siga o canal do SBT News. Em nota ao SBT News, a entidade afirmou que considera a decisão dos Estados Unidos predominantemente política e avalia que uma retaliação comercial teria pouca capacidade de reverter as tarifas, além de poder dificultar as negociações entre os dois países. + “A ABIMAQ reafirma que não apoia a adoção da Lei da Reciprocidade Econômica como resposta a essa medida. Na nossa avaliação, a decisão dos Estados Unidos tem motivação predominantemente política, e uma reação brasileira baseada em retaliação tende a ser pouco eficaz, podendo ainda comprometer o diálogo entre os dois países”, afirmou. A posição ocorre depois de o , a análise para enquadrar as medidas dos Estados Unidos na Lei da Reciprocidade. O Itamaraty também notificou Washington e pediu a abertura de consultas diplomáticas. A abertura do processo não significa que o Brasil já tenha decidido retaliar os Estados Unidos. O procedimento passa pela Câmara de Comércio Exterior (Camex) e pode resultar na elaboração de contramedidas, que ainda terão de passar por outras etapas antes de uma eventual aplicação. A Abimaq defende que o governo concentre os esforços na negociação com Washington e também na interlocução entre empresas dos dois países. Segundo a associação, companhias e entidades norte-americanas já se manifestaram contra as tarifas durante a consulta pública realizada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês). Para a entidade, a integração das cadeias produtivas e o peso do comércio bilateral tornam mais vantajosa a manutenção dos canais de negociação do que uma escalada tarifária. Posição já havia sido levada ao governo A resistência do setor à reciprocidade já havia sido apresentada ao governo em 21 de julho, quando representantes da Abimaq participaram de reuniões com o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, para discutir os efeitos das tarifas e as medidas de apoio às empresas brasileiras. Depois dos encontros, o presidente-executivo da Abimaq, José Velloso, afirmou em entrevista coletiva que o caráter político da decisão norte-americana tornava a reciprocidade uma resposta pouco eficaz. “Mesmo com a reprovação dos empresários norte-americanos, os EUA decidiram colocar tarifas. Então, entendemos que a medida possui um componente político importante, que não deve ser resolvido com reciprocidade”, disse à época. Velloso também afirmou que a entidade se posicionaria contra a medida caso o governo abrisse uma consulta ao setor produtivo sobre possíveis contramedidas. + Máquinas estão entre setores mais atingidos A indústria de máquinas e equipamentos está entre os segmentos mais expostos às tarifas adotadas pelo governo Donald Trump. Segundo o MDIC, produtos do setor aparecem entre os itens sujeitos simultaneamente às duas sobretaxas impostas pelos Estados Unidos em julho: uma de 25% e outra de 12,5%. Para esses produtos, a cobrança adicional chega a 37,5%. Antes da segunda medida, a tarifa de 25% já colocava sob pressão cerca de US$ 3,2 bilhões em exportações brasileiras de máquinas e equipamentos, considerando os valores de 2025. Os Estados Unidos são o principal mercado externo da indústria brasileira do segmento. As medidas alcançam produtos como máquinas agrícolas, equipamentos de mineração, maquinário elétrico e outros bens de capital. A Abimaq afirma que continuará acompanhando as discussões com o governo e atuando para reduzir os efeitos das tarifas sobre a indústria nacional.São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/economia/setor-de-maquinas-critica-reciprocidade-contra-os-eua