Casos respiratórios crescem em hospitais de SP, diz pesquisa
Levantamento do SindHosp mostra aumento da demanda durante o período de frio e maior número de idosos entre os pacientes

Os prontos-socorros de hospitais paulistas registraram aumento na procura por atendimento de pacientes com doenças respiratórias nas últimas semanas. Pesquisa do Sindicato dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios do Estado de São Paulo (SindHosp) mostra que 88% das unidades relataram crescimento desse tipo de atendimento nos 15 dias anteriores ao levantamento, realizado entre 3 e 15 de junho.
No mesmo período do ano passado, esse percentual era de 74%. Entre os pacientes atendidos, cresceu a presença de idosos. A participação da faixa de 60 a 80 anos dobrou em um ano, passando de 7% para 14%. A pesquisa ouviu representantes de 91 hospitais associados ao sindicato em todo o estado.
Francisco Balestrin, presidente do SindHosp, explicou ao SBT News que o aumento da procura por atendimento é um movimento comum nesta época do ano: "É um fenômeno que acontece nesse período de inverno. As pessoas ficam mais expostas às temperaturas mais baixas e à chuva e acabam eventualmente precisando de atendimento médico. Isso faz com que cada vez mais pessoas procurem os serviços de saúde nessa época do ano", afirmou.
Apesar da maior procura por atendimento, menos hospitais relataram crescimento das internações em comparação com 2025. No ano passado, 85% das unidades registraram aumento de pacientes internados com Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG). Em 2026, esse índice ficou em 68%.
Para Balestrin, o resultado também mostra uma mudança na forma como a população busca assistência médica.
"As pessoas e o próprio sistema de saúde se adaptaram. Muitas vezes os pacientes deixavam os sintomas aparecerem para só então procurar ajuda e acabavam indo diretamente ao pronto-socorro. Hoje elas buscam atendimento mais cedo, nas UBSs, nos ambulatórios e também pela telemedicina, que oferece acesso ao diagnóstico dentro de um ambiente mais confortável", disse.
O perfil das doenças associadas às internações também mudou de um ano para o outro. Em 2025, a pneumonia bacteriana ou viral liderava os registros, com 39% das menções, seguida pelas viroses respiratórias, como influenza e Covid-19, com 32%. Neste ano, as viroses passaram para a primeira posição, com 31%, enquanto a pneumonia recuou para 16%.
Para Balestrin, a queda da pneumonia pode ajudar a explicar por que o aumento da procura por atendimento não foi acompanhado por um crescimento semelhante das internações.
"A pneumonia costuma ser uma evolução de síndromes respiratórias, principalmente em pessoas com comorbidades, fumantes, crianças e pacientes com o sistema respiratório mais fragilizado. Quando ela acontece, geralmente exige internação. Como as internações diminuíram, isso pode indicar que menos pacientes evoluíram para quadros mais graves", explicou.
As doenças crônicas, por sua vez passaram a aparecer com mais frequência entre os pacientes internados. A participação desses casos saltou de 4% para 22% em um ano. Já as crises de asma e a piora de quadros de Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) passaram de 7% para 15%.
A vacinação é apontada por Balestrin como um dos fatores que ajudam a reduzir a gravidade dos casos: "As vacinas têm um papel muito importante. Além de ajudar a prevenir a doença, elas reduzem a intensidade dos sintomas quando a infecção acontece. A pessoa fica mais protegida e tem menos risco de evoluir para quadros mais graves", afirmou.
Perfil do paciente
A faixa etária de 30 a 50 anos continuou concentrando a maior parte dos atendimentos. Esse grupo respondeu por 68% dos casos em 2025 e por 65% em 2026.
Entre as demais faixas etárias, os idosos de 60 a 80 anos foram os que registraram o maior crescimento.
Entre as crianças de 5 a 11 anos, os atendimentos cresceram de 3% para 8%. Já entre bebês e crianças de até 4 anos, os índices permaneceram estáveis, em torno de 8% e 9%, respectivamente.
Os hospitais também relataram redução no tempo de espera nos prontos-socorros. Em 2025, nenhuma unidade registrava atendimento em menos de 30 minutos. Neste ano, 24% informaram conseguir atender os pacientes nesse intervalo.
A parcela de hospitais com tempo de espera entre 30 minutos e uma hora caiu de 52% para 46%. Já os atendimentos realizados entre uma e duas horas passaram de 45% para 26%.
"As pessoas estão sendo atendidas em um prazo muito rápido. No ano passado, a espera costumava ficar entre meia hora e uma hora. Hoje, em muitos casos, gira em torno de 15 minutos", afirmou Balestrin.















