SUS começa a oferecer proteção contra bronquiolite para bebês prematuros e crianças com comorbidades
Em 2025, o país registrou 43,2 mil casos graves de bronquiolite causados pelo vírus sincicial respiratório


Naiara Ribeiro
Bebês prematuros e crianças com comorbidades começaram a receber, a partir deste mês, um imunizante contra bronquiolite pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A medida amplia a proteção contra o vírus sincicial respiratório (VSR), principal responsável pelos casos mais graves da doença em crianças pequenas.
O medicamento oferecido é o nirsevimabe, que atua como uma proteção imediata contra o vírus. Diferente das vacinas tradicionais, ele já fornece os anticorpos prontos ao organismo do bebê, sem a necessidade de o corpo produzir essa defesa sozinho. Por isso, é indicado principalmente para crianças mais vulneráveis.
São considerados prematuros os bebês que nascem com menos de 37 semanas de gestação. Também têm direito ao imunizante crianças de até dois anos que apresentam comorbidades, como doenças pulmonares associadas à prematuridade, problemas cardíacos congênitos, alterações nas vias aéreas, doenças neuromusculares, fibrose cística, imunodeficiência grave — de origem genética ou adquirida — e síndrome de Down.
Segundo o Ministério da Saúde, cerca de 300 mil doses do imunizante já foram distribuídas em todo o país. A iniciativa faz parte do conjunto de ações adotadas para reduzir casos graves de doenças respiratórias na infância.
Desde dezembro de 2025, o SUS também passou a oferecer a vacina contra o VSR para gestantes, aplicada a partir da 28ª semana de gravidez. A imunização durante a gestação permite que os anticorpos sejam transferidos para o bebê ainda no útero, e garantem proteção logo nos primeiros meses de vida.
Impacto do vírus na saúde infantil
O vírus sincicial respiratório é responsável por cerca de 75% dos casos de bronquiolite e por aproximadamente 40% dos casos de pneumonia em crianças menores de dois anos. Em 2025, até 22 de novembro, o Brasil registrou 43,2 mil casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) associados ao VSR. Desse total, mais de 35,5 mil hospitalizações ocorreram em crianças com menos de dois anos, o equivalente a 82,5% dos registros.
Como a bronquiolite é causada por vírus, não há um tratamento específico. O atendimento é focado no alívio dos sintomas e pode incluir hidratação, uso de oxigênio quando necessário e medicamentos para facilitar a respiração em casos de chiado no peito.
A ampliação da proteção no SUS é considerada essencial para reduzir internações e evitar complicações nos primeiros anos de vida.









