Saúde

Mirassol (SP) é a primeira cidade do país a iniciar vacinação contra chikungunya

Imunizante do Instituto Butantan está disponível para moradores de 18 a 59 anos; vacinação faz parte de projeto piloto que envolve outros nove municípios

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Naiara Ribeiro
03/02/2026, 09:16 • Atualizado em 03/02/2026, 10:36
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Mirassol é a primeira cidade do país a vacinar contra chikungunya | Divulgação Instituto Butantã

Mirassol é a primeira cidade do país a vacinar contra chikungunya | Divulgação Instituto Butantã

Mirassol, no interior de São Paulo, iniciou nesta segunda-feira (2) a vacinação contra a chikungunya. A cidade é a primeira do país a receber o imunizante desenvolvido pelo Instituto Butantan em parceria com a farmacêutica franco-austríaca Valneva.

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A vacinação integra um projeto-piloto nacional coordenado pelo Ministério da Saúde e ocorre gratuitamente nas unidades de saúde do município. Podem se vacinar moradores de Mirassol com idade entre 18 e 59 anos.

Além da cidade paulista, outras nove localidades participam da primeira etapa da estratégia, distribuídas por quatro estados. Em Minas Gerais, foram incluídas Sabará, Sete Lagoas, Santa Luzia e Congonhas. Em Sergipe, Simão Dias, Lagarto e Barra dos Coqueiros. No Ceará, Maranguape e Maracanaú.

A seleção dos municípios foi feita com base em estudo epidemiológico que identificou regiões com maior risco de surtos de chikungunya entre 2025 e 2027. O objetivo é avaliar o desempenho da vacina em áreas onde o vírus já circula.

Segundo o Instituto Butantan, durante o projeto-piloto serão monitorados os casos de chikungunya nos municípios participantes. A análise será feita a partir da comparação entre pessoas vacinadas e não vacinadas, para avaliação da efetividade do imunizante em condições reais de uso.

A vacina contra a chikungunya foi aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em abril de 2025. Estudos clínicos realizados nos Estados Unidos, com cerca de 4 mil voluntários adultos, indicaram que 98,9% dos participantes desenvolveram anticorpos neutralizantes após a aplicação da dose. Os resultados foram publicados na revista científica The Lancet.

Além do Brasil, o imunizante já tem autorização para uso no Canadá, no Reino Unido e na União Europeia. Entre os efeitos adversos mais comuns estão dor de cabeça, enjoo, cansaço, dores musculares e articulares, febre e reações no local da aplicação.

Por utilizar tecnologia de vírus atenuado, a vacina não é indicada para pessoas imunodeficientes ou imunossuprimidas, gestantes, mulheres que estejam amamentando e indivíduos com múltiplas comorbidades ou doenças crônicas mal controladas.

A chikungunya é uma doença viral transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, o mesmo vetor da dengue e da Zika. Os sintomas mais frequentes incluem febre alta de início súbito e dores intensas nas articulações, principalmente em mãos e pés. Em parte dos casos, a dor pode se tornar crônica.

Em 2025, o Brasil registrou cerca de 129 mil casos de chikungunya e ao menos 120 mortes, segundo o Ministério da Saúde. Não há tratamento antiviral específico; o manejo da doença é feito com analgésicos, antitérmicos, repouso e hidratação.

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