Saúde

Justiça autoriza uso de medicamento experimental em pacientes com lesão na medula espinhal

Tratamento com polilaminina ainda está em fase de testes, mas já foi aplicado em 17 pacientes no Brasil por decisão judicial

Um acidente de trabalho causou uma lesão completa na medula de Diogo Barros Brollo, vidraceiro que sofreu um acidente de trabalho e ficou paraplégico. Ele perdeu todos os movimentos da altura do peito para baixo. Foi nesse momento que ele soube da existência da polilaminina.

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Como o medicamento ainda está em fase de testes, a família entrou na Justiça para conseguir a aplicação. A liminar saiu no dia 15 de dezembro e, dois dias depois, Diogo foi operado. “Uns 15 dias depois da cirurgia eu comecei a ter contrações”, conta. Segundo ele, a expectativa inicial era de que qualquer resultado levasse de um ano a um ano e meio para surgir.

O medicamento experimental é feito a partir da laminina, uma proteína produzida pelo próprio organismo. Pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro descobriram que várias dessas proteínas, quando combinadas, têm potencial para regenerar as células da medula espinhal em casos de lesão.

O vice-presidente de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação do laboratório que vai produzir o remédio, Rogério Almeida, explica que o processo funciona como uma reconexão elétrica. “

Assim como na rede elétrica, quando você corta essa cauda do neurônio, que se chama axônio, o sinal elétrico não chega. A grande descoberta é que a polilaminina faz exatamente o que um eletricista faz na casa: ela faz com que a cauda e o cérebro se reconectem, permitindo que o músculo volte a se movimentar”, afirma.

A polilaminina é injetada diretamente no local da lesão, em centro cirúrgico. A recomendação é que seja aplicada em até 72 horas após o trauma, enquanto a cicatrização ainda não aconteceu.

O medicamento está na fase de estudo clínico já aprovada pelo Ministério da Saúde e pela Anvisa. Nesta etapa, é testada a segurança do remédio. Apesar de ainda não haver resultados conclusivos, 17 pacientes no Brasil conseguiram na Justiça o direito de receber a polilaminina. Um dos procedimentos foi realizado em um hospital particular em São Paulo.

Na última sexta-feira (23), a influenciadora Flavia Bueno, de 35 anos, sofreu uma lesão na coluna durante um mergulho em Maresias, no litoral paulista, e também passou pelo procedimento.

Além de São Paulo, pacientes de outros estados conseguiram autorização judicial para o uso do medicamento: Espírito Santo (4), Paraná (4), Rio de Janeiro (3), São Paulo (2), Minas Gerais (1), Bahia (1), Goiás (1) e Mato Grosso do Sul (1).

Diogo, que fez a aplicação durante cirurgia no Rio de Janeiro, segue confiante de que a evolução pode ir além. “Com a polilaminina, eu tenho esperança de um dia poder andar”, afirma.

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