Veja opções para ganhar acima do CDI na renda fixa em 2026
Títulos atrelados à inflação e prefixados, bem como opções de crédito privado, estão entre os favoritos para bater o CDI


Exame.com
Para quem está de olho em 2026 e quer ver o patrimônio crescer rápido, o caminho está bem desenhado em ativos específicos. Afinal, onde ainda dá para ganhar acima do Certificado de Depósito Interbancário (CDI) na renda fixa sem entrar em furada? Especialistas indicam onde capturar oportunidades.
Isso passa quase que obrigatoriamente pelos títulos públicos de longo prazo, como o Tesouro IPCA+ 2040 e 2050, além dos Prefixados para 2031 e 2032. Esses papéis são interessantes para quem quer ganhar na chamada marcação a mercado, já que, com a queda dos juros, o preço desses títulos tende a subir, entregando rentabilidade.
As oportunidades aparecem especialmente quando as taxas dos prefixados ficam acima de 12% ao ano e os papéis indexados à inflação pagam IPCA + 6,5% ou mais. Nesses níveis, o investidor consegue não só uma remuneração atraente no longo prazo, como também a possibilidade de ganhos relevantes caso o cenário de juros melhore ao longo de 2026.
"Esses posicionamentos garantiriam, de certa forma, uma rentabilidade acima do CDI, justamente porque há uma relação inversa entre preço do título e choques nas taxas de juros", segundo o head de renda fixa da Suno Research, Guilherme Almeida. "Então, esse é um bom posicionamento."
Volatilidade exige preparo do investidor
Os títulos atrelados à inflação e prefixados, todavia, tendem a oscilar mais em ano eleitoral, como o de 2026, apesar de serem um dos preferidos para bater o CDI, na análise da sócia-fundadora da Nord Investimentos, Marília Fontes, a qual reforça que "o investidor precisa estar preparado para a volatilidade desses papéis".
"Gosto dos títulos com componentes prefixados do Tesouro Direto, que possuem liquidez diária e são flexíveis para vender a qualquer momento. Acho a melhor estratégia atualmente", explica a sócia-fundadora da Nord Investimentos, Marília Fontes.
Crédito privado: oportunidade com cautela
Outra rota para tentar superar o indicador de forma constante são os títulos de crédito privado. No entanto, os ganhos extras (spreads) estão bem baixos, de acordo com Fontes. É necessário, então, que o investidor analise o seu perfil de risco, a fim de averiguar qual o melhor caminho a seguir, considerando, ainda, eventuais benefícios fiscais.
Dentro da renda fixa, os analistas olham, especificamente, para debêntures incentivadas, Certificado de Recebíveis Imobiliários (CRIs) e Certificado de Recebíveis do Agronegócio (CRAs). Para Fontes, escolher bons papéis de crédito privado pode ajudar a bater o CDI, mas é preciso ponderar sobre o retorno.
Os especialistas recomendam priorizar emissões de empresas com rating elevado — preferencialmente AA ou AAA — e com remunerações mínimas em torno de IPCA + 6,5% ao ano. Setores como energia elétrica, saneamento, rodovias e telecomunicações tendem a oferecer melhor relação risco-retorno dentro das debêntures incentivadas.
No caso dos CRIs e CRAs, a recomendação é buscar estruturas pulverizadas ou lastreadas em grandes companhias, evitando operações muito concentradas ou com garantias frágeis. Prazos entre cinco e oito anos costumam ser apontados como os mais equilibrados para quem deseja rendimento superior ao CDI sem assumir risco excessivo.
CDBs de bancos menores e FII-Infra
Para quem não abre mão dos títulos bancários, é possível encontrar boas taxas em instituições de menor porte, sendo comum achar remunerações que variam entre 110% e 120% do CDI, segundo Almeida, justamente porque esses bancos têm menor estrutura e "precisam pagar mais para atrair recurso financeiro".
Essas taxas costumam aparecer principalmente em CDBs com vencimentos entre dois e quatro anos e sem liquidez diária. Para prazos mais curtos, a remuneração tende a ser menor. Por isso, o investidor precisa alinhar a busca por retorno com a necessidade de disponibilidade do dinheiro.
Almeida alerta que o investidor não deve se amparar apenas no Fundo Garantidor de Crédito (FGC) no caso de problemas como o do Banco Master, sendo fundamental uma "análise profunda do emissor do crédito bancário" para evitar sustos. Para Almeida, o crédito privado isento é uma das primeiras opções para bater o CDI.
O head da Suno exemplifica que, enquanto um Certificado de Depósito Bancário (CDB) tributado pode entregar um retorno líquido próximo a 10,6%, uma debênture incentivada ou um CRI que pague IPCA + 7% pode render cerca de 11,3% ou 11,4%, já livre de impostos.
Já os fundos de infraestrutura (FII-Infra) surgem como uma alternativa para quem busca isenção e gestão profissional, na visão dos analistas. "O investidor tem isenção tanto no ganho de capital, na venda da cota com lucro, como no recebimento dos rendimentos", segundo Almeida.
Prioridade à qualidade do crédito e gestão ativa
No entanto, isso tudo exige cautela com quem está pegando o dinheiro emprestado. O economista e especialista em fundos e previdência do Sistema Ailos, Sérgio Samuel dos Santos, sugere que o investidor foque em estratégias "high grade" — aquelas que priorizam a qualidade do crédito com grandes empresas e com saúde financeira em dia.
Santos pondera que, após quatro anos de juros em dois dígitos, o risco para empresas menores aumentou, e "grandes empresas foram capazes de se adaptar a esse cenário captando via mercado a taxas mais baixas". Por isso, bater o CDI exige uma seleção criteriosa, garimpada com um nível de risco coerente.
"A armadilha que o investidor precisa cuidar é de não apenas olhar para o retorno e para as taxas que aparentam oportunidade, mas olhar também para os riscos", diz Santos.
Fontes afirma preferir a gestão ativa na renda fixa para bater o CDI de maneira consistente e robusta, em vez de apenas comprar papéis isolados. Fica claro, assim, que 2026 ainda oferece espaço para ganhos acima do indicador, mas dentro de um cenário que tende a exigir escolhas mais técnicas e seletivas.









