Economia

Dois terços dos poupadores brasileiros não investem o dinheiro que guardam

Levantamento feito pelo Google aponta para baixa familiaridade do brasileiro com produtos financeiros

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Falta de conhecimento e medo: motivos que afugentam o poupador dos investimentos | Freepik

O letramento financeiro, a compreensão sobre uso do dinheiro, ainda é algo que deixa a desejar – pelo menos é o que mostra a pesquisa "Raio-X do Investidor" do Google. Dois terços dos brasileiros que conseguem economizar não investem o dinheiro. Os valores ficam parados na conta corrente e, em pleno 2026, ainda tem os casos de quem guarda dinheiro em espécie.

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Esse universo de poupadores que não investem é mais da metade da amostra de 1,4 mil entrevistados da pesquisa, feita em novembro de 2025.

Isso porque muitas pessoas têm medo de investir. Segundo o estudo, 43% têm receio de fraudes e golpes, 39% acham difícil entender os produtos, 30% consideram a linguagem muito técnica, 38% têm receios de prazos longos e 37% sentem falta de orientações personalizadas.

Sonhos ganham de linguagem técnica

A barreira do desconhecimento é o primeiro grande impasse: 63% dos brasileiros não conseguem citar espontaneamente o nome de nenhum produto financeiro.

"Mesmo a classe A tem dificuldade em entender esse mundo financeiro", diz Renata Blay, líder de Insights Estratégicos para Finanças no Google Brasil. É comum encontrar alguém que deixa o dinheiro em uma dessas "caixinhas" que rendem mais que a poupança. O que é diferente de saber em qual produto e em qual prazo investir.

"É uma inovação muito mais sobre a linguagem, do que o produto que tem por trás", diz Blay. Isso porque o nome "CDB" pode assustar. "Mas quando ele está escondido, envelopado, com cara de um objetivo, se aproxima mais do cliente."

Nos últimos dois anos, as buscas pelas caixinhas aumentou significativamente (297%), mostrou a pesquisa. No mesmo período, buscas por investimentos no geral cresceram 69%, muito puxado pelas caixinhas.

A renda fixa é justamente o grande destaque dos últimos anos. Com a Selic na casa dos 15%, o conforto da renda fixa faz ela ser a porta de entrada no mundo dos investimentos. De 2024 para 2025, o número de investidores em renda fixa aumentou 20%, indo para 100 milhões de investidores.

A questão por trás das caixinhas, explica a especialista, é porque elas se aproximam de um público em geral através dos sonhos. "Tenho um objetivo que é comprar uma casa, como eu faço meu planejamento financeiro de forma personalizada" – é isso que as caixinhas propõem.

"Guardar dinheiro está muito mais próximo do plano e objetivo do que propriamente o investimento. As caixinhas foram felizes nessa união, de aproximar as duas coisas (investimentos e sonhos)", diz Blay.

Em relação aos planos, 38% querem comprar um novo imóvel, 34% querem comprar um carro novo, 37% querem guardar para viajar e 24% desejam guardar para abrir um negócio (número este que vem aumentando).

Neste sentido, as buscas estão cada vez mais conversacionais. O que antes eram poucas palavras como "ajuda com FGTS", hoje já se tornam perguntas mais complexas. Para respondê-las, o Google traz a questão dos criadores de conteúdos, principalmente do YouTube, como um aliado.

Mas ainda há um gargalo: ao todo, 43% não se informam. Só que isso não quer dizer que não há um desejo por trás — o estudo mostra que 56% almejam construir uma reserva de emergência. Segundo especialistas, há necessidade de furar a bolha da comunicação em relação às finanças.

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