Brasil

Filho de pedreiro e empregada doméstica, jovem de Salvador conquista 1º lugar em Medicina na USP sem cursinho

Wesley de Jesus Batista, formado em escola pública, viralizou ao mostrar a reação ao resultado e contou ao SBT News sobre a rotina intensa de estudos

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Filho de um pedreiro e de uma empregada doméstica, o estudante baiano Wesley de Jesus Batista emocionou o país ao conquistar o primeiro lugar no curso de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), uma das graduações mais concorridas do Brasil. Morador de Salvador, ele publicou nas redes sociais o momento em que conferiu o resultado e comemorou a aprovação, em um vídeo que viralizou rapidamente.

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“Vamos ver o resultado agora. Medicina… aqui. Medicina USP. Passei! Passei!”, diz o estudante no vídeo, enquanto familiares comemoram ao fundo.

Em entrevista ao Radar News, do SBT News, Wesley contou que o desejo de cursar Medicina surgiu ainda na infância, após enfrentar um problema respiratório crônico. “Quando eu era menor, muitas vezes o tratamento em casa era ineficiente e eu tinha que procurar a unidade hospitalar. Eu via os profissionais passando de jaleco branco e comecei a me encantar com a profissão”, relatou. “Foi nascendo o desejo ardente no meu coração e eu comecei a me vislumbrar como futuro médico.”

O estudante fez o ensino médio no Colégio Estadual Ana Bernardes, no bairro de Cajazeiras, em Salvador, e disse que não teve acesso a cursinhos preparatórios. “Eu nunca tive condições reais de pagar um cursinho. Então eu tinha que usar os recursos que estavam ao meu alcance: livros doados, apostilas doadas, material gratuito e aulas no YouTube”, afirmou.

Segundo Wesley, a preparação exigiu organização rigorosa e disciplina. “Eu acordava às 5h para conseguir manter o cronograma em dia. Tinha uma métrica diária de assuntos a estudar. Muitas vezes eu dormia tarde, às vezes com o rosto sobre os livros, mas no dia seguinte eu acordava e voltava para a rotina dura de novo”, contou. “Agora eu vejo que tudo isso valeu a pena.”

Ele também destacou o apoio de professores da escola pública, em especial da docente de Língua Portuguesa e Redação. “A professora Cátia me ajudou muito. Eu ia até fora do horário de aula pedir para ela corrigir textos, mostrar onde eu tinha errado e como podia melhorar”, disse.

Aprovado em primeiro lugar, Wesley afirmou que agora o desafio é se manter em São Paulo durante o curso. “O futuro é um pouco nebuloso. Por isso iniciei uma 'vaquinha' para conseguir ir para São Paulo, me estabelecer e voltar formado médico”, explicou. “Tenho recebido muitas mensagens de apoio, de várias partes do Brasil e até de fora.”

Para ele, a conquista também tem um significado coletivo. “Eu entendi que as barreiras tinham uma função diferente. Elas eram um combustível, um incentivo maior para correr atrás do meu sonho.”

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