Por que parece que “todo mundo está doente ao mesmo tempo”?
Pesquisadora da Fiocruz explica se casos de gripe e resfriado realmente estão aumentando


Vírus respiratórios | Reprodução Getty Images
Provavelmente você já ouviu alguém dizendo que está com gripe, viu uma criança faltando à escola ou conhece alguém se recuperando de um resfriado. Nos últimos dias, essa sensação de que “todo mundo” está doente ao mesmo tempo tem se repetido em diferentes lugares. E não é só impressão.
Em entrevista ao SBT News, a pesquisadora Tatiana Portella, do Programa de Computação Científica da Fiocruz, explica que os dados mais recentes ajudam a entender essa percepção. “Muita gente tem essa impressão de que há mais pessoas doentes agora. Isso faz sentido diante dos dados. Estamos em um período de maior circulação de vírus respiratórios, como influenza e VSR, que podem causar desde quadros leves até formas mais graves, principalmente em crianças, idosos e pessoas com comorbidades”, afirma.
O boletim semanal mais recente da Fiocruz, divulgado no dia 11 de junho e referente à semana epidemiológica 22 (entre 31 de maio e 6 de junho), mostra que o vírus sincicial respiratório (VSR) é o principal responsável pelo aumento das hospitalizações por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG). A influenza A também avançou em estados do Sul e do Nordeste, enquanto a influenza B aparece principalmente em parte do Sudeste.
Nas últimas quatro semanas analisadas, o VSR aparece como o vírus mais frequente entre os casos positivos de SRAG, com 49,6%. Em seguida está o rinovírus, com 24,5%, e a influenza A, com 20,7%. A covid-19 representa 2% dos registros.
O levantamento aponta também que 11 estados registram aumento de casos graves nas últimas semanas: Acre, Alagoas, Amapá, Pará, Paraná, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Roraima, Santa Catarina, Sergipe e São Paulo.
Circulação mais intensa no outono e inverno
Esse aumento é esperado nesta época do ano, mas o boletim diz que alguns indicadores estão acima do que costuma ser visto em anos anteriores. “Em parte, a gente espera mais casos de influenza e VSR no outono e inverno. Mas os casos graves por influenza A estão em níveis mais altos do que o habitual em várias regiões”, afirma Tatiana.
Além do padrão sazonal, ambientes mais frios e secos favorecem a circulação dos vírus. E, nessa época, as pessoas passam mais tempo em locais fechados e com pouca ventilação, o que facilita a disseminação dos vírus.
Crianças são as mais afetadas
Os dados também mostram que o aumento das internações atinge principalmente as crianças pequenas.
Entre os menores de 4 anos, o VSR é o principal responsável pelos casos mais graves.
Já entre crianças e adolescentes de 5 a 14 anos, o rinovírus aparece com mais frequência.
Nos demais grupos, a influenza A é mais comum entre jovens, adultos e idosos.
Em 2026, o país já registrou mais de 82,5 mil casos de SRAG. Desse total, cerca de 40 mil tiveram confirmação de algum vírus respiratório. Entre os óbitos com diagnóstico laboratorial, a influenza A aparece como o vírus mais frequente.
Quando é hora de procurar atendimento
A maior parte dos casos evolui de forma leve, mas alguns sinais pedem atenção médica.
Os sinais de alerta são:
- Falta de ar
- Dificuldade para respirar
- Pele com coloração azulada
- Febre que não melhora
- Piora de doenças já existentes
Em crianças, também é importante observar:
- Cansaço excessivo
- Recusa para se alimentar
Idosos a partir de 65 anos e pessoas imunossuprimidas devem procurar atendimento mesmo com sintomas leves.
Para reduzir o risco de infecção, as orientações incluem lavar as mãos com frequência, evitar contato próximo com pessoas com sintomas respiratórios e usar máscara em ambientes fechados e unidades de saúde.
A pesquisadora da FioCruz lembra que a vacinação segue como principal forma de proteção para os grupos prioritários. “Os dados mostram um número elevado de hospitalizações por influenza, especialmente nos últimos anos. São casos que poderiam ser evitados com vacinação. Por isso, é importante que os grupos prioritários se vacinem”, conclui.















