Copa: partidas decisivas podem aumentar risco de infarto
Especialista alerta que estresse, adrenalina e picos de pressão arterial durante partidas decisivas podem afetar saúde cardíaca; veja cuidados


Copa: partidas decisivas podem aumentar risco de infarto | Agência Brasil
Com a chegada da Copa do Mundo, milhões de torcedores se preparam para viver uma verdadeira montanha-russa de emoções. Gritos de gol, tensão nos pênaltis, viradas inesperadas e decisões nos últimos minutos fazem parte da experiência de acompanhar a seleção. Mas o que muitos não sabem é que toda essa carga emocional pode ter reflexos importantes na saúde cardiovascular.
Embora o futebol seja motivo de alegria e união, jogos decisivos podem desencadear reações intensas no organismo, especialmente em pessoas que já apresentam fatores de risco como hipertensão, diabetes, colesterol elevado, obesidade, tabagismo ou histórico de doenças cardíacas.
De acordo com o cardiologista Marcelo Bergamo, a combinação entre estresse emocional e excitação extrema pode sobrecarregar o sistema cardiovascular.
"Durante uma partida decisiva, o corpo libera uma grande quantidade de hormônios como adrenalina e cortisol. Isso provoca aumento da frequência cardíaca, elevação da pressão arterial e maior demanda de oxigênio pelo coração. Em pessoas predispostas, esse cenário pode favorecer eventos cardiovasculares graves, incluindo o infarto agudo do miocárdio", explica o especialista.
A relação entre grandes eventos esportivos e saúde cardiovascular tem chamado a atenção. Bergamo reforça a importância da prevenção durante competições de grande apelo emocional, destacando que momentos de tensão intensa podem representar um fator adicional de estresse para o organismo, especialmente em indivíduos com fatores de risco ou doenças cardíacas já diagnosticadas.
"Não é o jogo que causa o infarto. O problema é quando uma pessoa já possui placas de gordura nas artérias ou outros fatores de risco e é submetida a um pico intenso de estresse, ansiedade e descarga de adrenalina. A partida pode funcionar como um gatilho para um evento que já estava prestes a acontecer", explica.
Além da emoção do jogo, hábitos comuns durante a Copa também podem contribuir para o risco. Consumo excessivo de bebidas alcoólicas, alimentação rica em gordura e sódio, noites mal dormidas e sedentarismo potencializam os impactos sobre a saúde cardiovascular.
"Muitas pessoas passam horas sentadas, comem em excesso, ingerem álcool além do habitual e ainda enfrentam momentos de forte ansiedade durante as partidas. Quando esses fatores se somam, o coração pode sofrer uma sobrecarga significativa", destaca o cardiologista.
O especialista ressalta que é possível torcer com segurança. A recomendação é manter o uso regular dos medicamentos prescritos, evitar excessos, hidratar-se adequadamente e estar atento aos sinais de alerta.
"Dor ou pressão no peito, falta de ar, suor frio, tontura, náuseas e desconforto irradiado para braço, costas ou mandíbula nunca devem ser ignorados. Quanto mais rápido o atendimento médico for iniciado, maiores são as chances de recuperação e menores os riscos de sequelas", reforça.















