Autismo em adultos: por que os diagnósticos estão aumentando
Avanço no conhecimento sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA) permite identificar casos antes subdiagnosticados
SBT News
Autismo em adultos: por que os diagnósticos estão aumentando | Reprodução
Durante muitos anos, o autismo foi associado principalmente à infância e a manifestações mais evidentes. Com o avanço da neurociência e da compreensão sobre o desenvolvimento cerebral, esse cenário mudou. Atualmente, um número crescente de adultos recebe o diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA), não necessariamente porque existem mais pessoas autistas, mas porque a ciência passou a reconhecer apresentações que antes eram pouco identificadas.
Acompanhe o SBT News nas TVs por assinatura Claro (586), Vivo (576), Sky (580) e Oi (175), via streaming pelo +SBT, Site e YouTube, além dos canais nas Smart TVs Samsung e LG.
📲 Receba as principais notícias do Brasil e do mundo no seu WhatsApp! Clique aqui e siga o canal do SBT News.
Segundo a neurologista Ana Carolina Andorinho, membro da Academia Brasileira de Neurologia (ABN), o conhecimento sobre o transtorno evoluiu e permitiu uma compreensão mais ampla do espectro. Ela explica que características mais sutis podem ter passado despercebidas durante a infância, especialmente em pessoas que desenvolveram estratégias de adaptação ao longo da vida.
“Podemos supor que o conhecimento sobre o TEA parece ter crescido e, além disso, a condição se tornou menos subdiagnosticada”, afirma.
O TEA é uma condição do neurodesenvolvimento que acompanha a pessoa desde os primeiros anos de vida e pode envolver diferenças na comunicação, na interação social, na flexibilidade cognitiva e no processamento dos estímulos do ambiente. Em adultos, sinais como dificuldades persistentes em situações sociais, necessidade de rotinas rígidas ou desafios na regulação emocional podem ter sido interpretados durante anos como características de personalidade.
A avaliação de um adulto com suspeita de TEA considera principalmente a história de vida, desde a infância, além do impacto das características no funcionamento diário, nas relações pessoais e no ambiente profissional. A investigação deve ser feita por um profissional capacitado, levando em conta também a possibilidade de outras condições associadas, como o transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) ou outros quadros neuropsiquiátricos.
Para a neurologista, o diagnóstico exige uma análise cuidadosa e não deve ser baseado apenas em comportamentos isolados. “Porém, mais do que considerar aspectos particulares no modo de agir, devemos olhar a competência nos múltiplos domínios e o impacto dos achados na funcionalidade e na independência do paciente, haja vista que alguns traços do espectro autista podem ser encontrados em outras condições psiquiátricas ou até mesmo em determinadas personalidades.”
Ela acrescenta que receber o diagnóstico na vida adulta pode representar uma nova compreensão sobre a própria trajetória, permitindo permitir que o paciente tenha acesso a suporte adequado.
Autismo em adultos: por que os diagnósticos estão aumentandoAvanço no conhecimento sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA) permite identificar casos antes subdiagnosticadosSaúde2026-07-26T11:33:32.704ZDurante muitos anos, o autismo foi associado principalmente à infância e a manifestações mais evidentes. Com o avanço da neurociência e da compreensão sobre o desenvolvimento cerebral, esse cenário mudou. Atualmente, um número crescente de adultos recebe o diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA), não necessariamente porque existem mais pessoas autistas, mas porque a ciência passou a reconhecer apresentações que antes eram pouco identificadas. 📲 Receba as principais notícias do Brasil e do mundo no seu WhatsApp! e siga o canal do SBT News. Segundo a neurologista Ana Carolina Andorinho, membro da Academia Brasileira de Neurologia (ABN), o conhecimento sobre o transtorno evoluiu e permitiu uma compreensão mais ampla do espectro. Ela explica que características mais sutis podem ter passado despercebidas durante a infância, especialmente em pessoas que desenvolveram estratégias de adaptação ao longo da vida. “Podemos supor que o conhecimento sobre o TEA parece ter crescido e, além disso, a condição se tornou menos subdiagnosticada”, afirma. O TEA é uma condição do neurodesenvolvimento que acompanha a pessoa desde os primeiros anos de vida e pode envolver diferenças na comunicação, na interação social, na flexibilidade cognitiva e no processamento dos estímulos do ambiente. Em adultos, sinais como dificuldades persistentes em situações sociais, necessidade de rotinas rígidas ou desafios na regulação emocional podem ter sido interpretados durante anos como características de personalidade. A avaliação de um adulto com suspeita de TEA considera principalmente a história de vida, desde a infância, além do impacto das características no funcionamento diário, nas relações pessoais e no ambiente profissional. A investigação deve ser feita por um profissional capacitado, levando em conta também a possibilidade de outras condições associadas, como o transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) ou outros quadros neuropsiquiátricos. Para a neurologista, o diagnóstico exige uma análise cuidadosa e não deve ser baseado apenas em comportamentos isolados. “Porém, mais do que considerar aspectos particulares no modo de agir, devemos olhar a competência nos múltiplos domínios e o impacto dos achados na funcionalidade e na independência do paciente, haja vista que alguns traços do espectro autista podem ser encontrados em outras condições psiquiátricas ou até mesmo em determinadas personalidades.” Ela acrescenta que receber o diagnóstico na vida adulta pode representar uma nova compreensão sobre a própria trajetória, permitindo permitir que o paciente tenha acesso a suporte adequado. São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/saude/autismo-em-adultos-por-que-os-diagnosticos-estao-aumentando