Câncer de intestino antes dos 50: veja fatores de risco
Especialista explica quais sinais exigem atenção e quando iniciar o rastreamento

Imagem Reprodução Portal Nosso Dia
Durante muito tempo, o câncer colorretal foi visto como uma doença da maturidade. Esse cenário vem mudando: em vários países, os diagnósticos em pessoas com menos de 50 anos têm aumentado, em média, de 1% a 3% ao ano, segundo estudos recentes. No Brasil, o câncer de intestino é um dos mais frequentes, com cerca de 46 mil novos casos estimados por ano pelo INCA, e as sociedades médicas acompanham com preocupação o avanço entre os mais jovens.
Por que a doença está aparecendo mais cedo?
Não existe uma causa única comprovada. Estudos apontam para um conjunto de fatores que mudaram nas últimas décadas, como obesidade, alimentação rica em ultraprocessados e carnes processadas e pobre em fibras, sedentarismo, tabagismo e consumo de álcool. A microbiota intestinal, conjunto de bactérias que vive em nosso intestino, também é alvo de pesquisas.
Além disso, parte dos casos tem origem hereditária, como na síndrome de Lynch. Chama a atenção o fato de que quem nasceu mais recentemente parece ter risco maior do que as gerações anteriores, o que sugere mudanças de exposição ao longo da vida.
Sintomas que os jovens costumam ignorar
Como o câncer de intestino não é esperado aos 30 ou 40 anos, os sinais costumam ser atribuídos a hemorroidas, estresse ou intolerância alimentar. Alguns sintomas, porém, merecem investigação, independentemente da idade:
- sangue nas fezes ou após a evacuação, que não deve ser atribuído automaticamente a hemorroidas, embora estas sejam a causa mais comum;
- mudança persistente do hábito intestinal, como diarreia ou prisão de ventre por semanas;
- anemia sem causa aparente, com cansaço e palidez;
- perda de peso sem explicação;
- dor abdominal persistente ou sensação de evacuação incompleta.
Esses sinais nem sempre significam câncer, mas a idade não deve ser motivo para descartar a investigação. Por serem inesperados, os casos em jovens costumam ser diagnosticados em fases mais avançadas, o que reforça a importância de dar atenção aos sinais do corpo. Se persistirem, procure um médico.
Rastreamento precisa começar mais cedo?
Rastrear é buscar a doença em quem não tem sintomas, o que permite encontrar pólipos antes que se transformem em câncer. Nos Estados Unidos, entidades como a American Cancer Society recomendam iniciar o rastreamento aos 45 anos para quem tem risco habitual.
No Brasil, as orientações variam: a Sociedade Brasileira de Coloproctologia e a Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica adotam os 45 anos, enquanto o SUS ainda mantém os 50 como referência. Os métodos incluem a pesquisa de sangue oculto nas fezes e a colonoscopia, que também permite retirar pólipos durante o exame.
Algumas pessoas precisam começar antes: quem tem parente de primeiro grau com câncer colorretal, síndromes hereditárias ou doença inflamatória intestinal, como retocolite ulcerativa e doença de Crohn. Nesses casos, o início e o intervalo dos exames devem ser definidos com o especialista. Com histórico familiar, a investigação costuma começar aos 40 anos ou dez anos antes da idade do diagnóstico do parente de primeiro grau acometido pela doença.
Prevenção
Enquanto o rastreamento não chega, a prevenção começa no dia a dia: priorizar frutas, verduras, legumes e grãos integrais, reduzir embutidos e carnes processadas, manter peso saudável, praticar atividade física regular, evitar o cigarro e moderar o álcool. Nenhuma dessas medidas garante proteção total, mas todas reduzem o risco e são benéficas à saúde como um todo.
Em suma, o câncer colorretal em adultos jovens é uma realidade, mas é uma doença que pode ser prevenida e, quando descoberta cedo, tem boas chances de cura. Conheça seu histórico familiar, mantenha hábitos saudáveis, não ignore sintomas persistentes e converse com seu médico sobre quando iniciar o rastreamento.
** Renato Catojo Sampaio é cirurgião do aparelho digestivo, gastroenterologia e coloproctologia















