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ONU condena embargo econômico dos EUA contra Cuba

Resolução aprovada pela Assembleia Geral é de caráter não vinculante, o que significa que não tem efeitos práticos

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André de Sena, com informações da Reuters
Bandeira cubana tremulando ao vento em Havana | Reprodução/Reuters

Bandeira cubana tremulando ao vento em Havana | Reprodução/Reuters

A Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou nesta quarta-feira (28) uma resolução para condenar o embargo econômico que os Estados Unidos impõem contra Cuba desde 1962. O placar foi de 130 votos a favor da medida, 17 contra e 25 abstenções.

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A resolução tem caráter não vinculante, o que significa que ela não gera efeitos práticos, embora expresse uma posição política ou recomendação moral. A votação a respeito das sanções contra Cuba ocorre todos os anos. Esse é o 33° ano seguido desde 1992 em que a medida é aprovada. Ela só não foi submetida à Assembleia Geral em 2020, por conta da pandemia de covid-19.

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Apesar da aprovação, a quantidade de países que se mostraram favoráveis a acabar com embargo diminuiu na comparação com o ano passado. Em 2025, ocorreram somente sete votos contrários e doze abstenções.

Entre os países que votaram contra o fim do embargo, estão Hungria, Argentina, Israel e o próprio autor das sanções, os Estados Unidos. Nações como Alemanha, Polônia e Coreia do Sul se abstiveram. Já o Brasil se posicionou mais uma vez a favor, como fez todos os anos, exceto em três ocasiões: em 2019, o voto foi contra a resolução; em 2021 e 2022, o governo de Brasília se absteve.

Na capital cubana, Havana, a população demonstrou insatisfação com o aumento de votos favoráveis ao embargo. "Eu achava que seriam três, quatro contra, mas dezessete me parece demais", disse o morador Yoan Luis Piedra.

Troca de acusações

Na véspera da votação, o plenário da Assembleia Geral da ONU foi palco de uma discussão entre o embaixador dos Estados Unidos, Mike Waltz, e o ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez.

Waltz fez um discurso inflamado, chamando o governo de Havana de corrupto e acusando as autoridades da ilha de perseguir minorias. Antes que o norte-americano finalizasse sua fala, Rodríguez se aproximou da tribuna e o chamou de mentiroso.

"Este indivíduo precisa se afastar desta tribuna. Ele não vai me intimidar nos Estados Unidos da América como tenta intimidar os presos políticos”, disse Waltz após ser chamado de mentiroso. O presidente da Assembleia Geral, Khalilur Rahman, precisou intervir para restabelecer a ordem.

Na semana passada, Rodríguez havia acusado Washington de ameaçar sancionar os países que se posicionassem a favor de acabar com o embargo econômico. “O Departamento de Estado dos EUA está exercendo uma pressão sem precedentes — às vezes de maneira pessoal e descarada pelo próprio secretário de Estado [Maro Rubio] — para que os Estados-membros da ONU mudem seus votos”, disse em uma coletiva de imprensa em Havana.

Agravamento das sanções

O embargo econômico contra Cuba remonta aos tempos de Guerra Fria. Durante o mandato do presidente democrata Joe Biden, ele chegou a ser flexibilizado. No entanto, desde que o republicano Donald Trump voltou à Casa Branca, a pressão sobre Havana voltou a se intensificar.

Em janeiro deste ano, Trump autorizou tarifas sobre produtos de países que forneçam petróleo a Cuba. Em maio, ele ampliou as possibilidade de bloquear bens e proibir a entrada nos Estados Unidos de pessoas e entidades ligadas à economia cubana. Em agosto, vieram novas sanções contra empresas estatais da ilha.

Em outubro, a Justiça dos Estados Unidos emitiu um mandado de prisão contra o ex-presidente cubano Raúl Castro, irmão de Fidel Castro, responsabilizando-o pela derrubada de três aviões dos Estados Unidos que foram destinados a uma missão humanitária em Cuba em 1996.

Somente o Congresso americano tem o poder de suspender o embargo, que perdura desde a década de 1960.

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