Saúde

"Psicose política": o que explica a ansiedade nas eleições?

Conflitos nas redes provocam cansaço mental e ansiedade a três dias da votação; especialista explica que reação reflete divisão e descolamento da realidade

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Fernanda Trigueiro
Manifestantes se reúnem na Avenida Paulista, em São Paulo, contra o projeto da anistia e a PEC da Blindagem | Foto: Amanda Perobelli/Reuters - 21.09.2025

Manifestantes se reúnem na Avenida Paulista, em São Paulo, contra o projeto da anistia e a PEC da Blindagem | Foto: Amanda Perobelli/Reuters - 21.09.2025

A apenas três dias da votação do segundo turno, as discussões sobre a disputa eleitoral tomaram conta da rotina dos brasileiros. O confronto constante entre diferentes opiniões e pensamentos tem gerado uma sobrecarga emocional intensa na população, provocando um desgaste que vem sendo chamado por especialistas de "psicose política".

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O assunto virou o tema principal nas conversas de família, nos grupos de mensagens e no ambiente de trabalho. Se no passado o acompanhamento eleitoral ficava mais concentrado nos horários dos telejornais e do rádio, hoje a disputa acontece em tempo real e na palma da mão, acompanhando o cidadão durante todo o dia por meio do telefone celular.

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Redes sociais e a troca do debate pela ansiedade

O uso contínuo das redes sociais facilitou o acesso à informação, mas também passou a alimentar atritos frequentes entre amigos e parentes. Em muitos casos, o interesse saudável pela troca de ideias e pelo futuro da comunidade acabou substituído por sentimentos de esgotamento físico, cansaço mental e ansiedade.

Essa tensão generalizada reúne uma mistura de medo, frustração e insegurança com os rumos do país.

Apesar do peso do termo, a psicanalista Fabiana Guntovitch esclarece que a chamada "psicose política" não é uma doença mental ou um transtorno psiquiátrico clínico, mas sim uma forte reação emocional e social diante da polarização:

"Quando a gente fala em psicose, a primeira coisa que a gente pensa é desconexão com a realidade. Ou seja, você tem os fatos, mas a crença e a narrativa são mais importantes que os fatos apresentados. Então você tem um descolamento da realidade que você pode apelidar de psicose", explica a especialista.

Polarização afetiva divide famílias e amizades

Para a psicanalista, o problema central não está na participação popular. Pelo contrário: ter uma sociedade consciente, informada e inserida nos assuntos do país é algo considerado fundamental para qualquer nação.

A dificuldade surge quando a divisão partidária passa a contaminar os laços pessoais e de carinho entre as pessoas:

"A questão não é se a população está mais consciente, mais inserida nas questões políticas, porque isso é algo muito necessário. Hoje o que a gente vê é que existe uma polarização política tamanha que veio de encontro à polarização afetiva da população: ou você ama quem eu amo cegamente, ou eu não te amo mais", analisa Fabiana Guntovitch.

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