Política

Dieese: cortes de Flávio podem eliminar 2,2 mi de empregos

Estudo conduzido por instituto de pesquisa ligado a sindicatos afirma que 'tesouraço' de R$ 200 bilhões prometido pelo candidato elevaria desemprego

A
Artur Maldaner
Dieese: cortes de Flávio podem eliminar 2,2 mi de empregos

Um estudo conduzido pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), divulgado nesta quinta-feira (22), afirma que o plano do “tesouraço” do candidato Flávio Bolsonaro (PL), que planeja cortar R$ 200 bilhões de gastos públicos, poderia comprometer o emprego e a renda sem conseguir dar solução à dívida pública.

Segundo o Dieese, uma instituição de pesquisa mantida pelos sindicatos, os cortes prometidos por Flávio acarretaria na perda de 2,2 milhões de postos de trabalhos, elevando o desemprego de 6,5% a 7% no primeiro ano. A massa salarial também seria reduzida em R$ 68,7 bilhões no período.

🤳 Notícias em primeira mão: baixe nosso aplicativo gratuito e leve o jornalismo do SBT News com você, onde estiver! Clique aqui

SBT News Logo

Acompanhe o SBT News nas TVs por assinatura Claro (586), Vivo (576), Sky (580) e Oi (175), via streaming pelo +SBT,Site e YouTube, além dos canais nas Smart TVs Samsung, LG e Roku.

Siga no Google Discover

É apontado um risco de retração de 1,55% do Produto Interno Bruto (PIB), que fechou o ano de 2025 em R$ 12,7 trilhões. Afirma ainda que o Brasil poderia viver um cenário de recessão econômica, com queda nas atividades por pelo menos seis meses consecutivos.

Também é estimada uma queda em R$ 46,8 bilhões na arrecadação tributária. “Parte significativa da economia obtida com os cortes seria, assim, reduzida pela perda de receitas tributárias “, afirma o relatório.

Por fim, o estudo aponta que a queda da arrecadação resultaria em um superávit primário de 0,7% no primeiro ano, no entanto, o resultado viria acompanhado de juros reais elevados e variação negativa do PIB.

“As medidas propostas não seriam suficientes para estabilizar a relação dívida/PIB em nenhum dos cenários simulados. Portanto, o ajuste não garantiria o objetivo fiscal anunciado, apesar do expressivo volume de cortes”, aponta o Dieese.

A conclusão do estudo é que o tesouraço pode combinar baixo crescimento econômico, aumento do desemprego, redução da renda dos trabalhadores e aprofundamento das desigualdades econômicas e sociais, sem resolver o problema fiscal que pretende enfrentar.

Composição dos cortes

Para calcular os impactos de um possível “tesouraço”, o Dieese considera que cerca de 51% dos cortes seriam feitos em transferências de renda, ou seja, na Previdência, em seguro-desemprego, em abonos e no Benefício de Prestação Continuada (BPC). Outros 17% viriam das despesas com pessoal da União, enquanto 32% são nas demais despesas.

O instituto argumenta que a intenção anunciada pela campanha, de realizar o ajuste fiscal por meio de um Projeto de Emenda Constitucional (PEC), sugere que os cortes devem exigir alterações em dispositivos constitucionais, como a vinculação do piso previdenciário ao salário mínimo e os gastos mínimos obrigatórios com saúde e educação.

Uma reportagem da Folha de São Paulo, publicada em 7 de outubro, também aponta que o presidenciável considera mudar a correção da Previdência, da saúde e da educação para atingir os cortes prometidos. Segundo a Folha, as propostas foram apresentadas por integrantes da campanha em encontros com empresários e investidores do mercado financeiro.

No entanto, Flávio tem defendido publicamente o oposto, negando cortes na aposentadoria em eventual governo e mencionando ajustes acima da inflação. “Aposentado, fique tranquilo. Não caia nessa fake news do PT, dizendo que eu vou acabar com reajuste da aposentadoria”, afirmou.

Segundo cálculos da Dieese — a a partir da Matriz Insumo-Produto (MIP) —, em um cenário em que o “tesouraço” fosse cumprido, o superávit mínimo para estabilizar a dívida deveria atingir 2,1% do PIB, já que o cenário de juros altos, queda da demanda e das receitas afetariam o resultado primário, mantendo alto os encargos da dívida.

A conclusão apresentada, portanto, é que os cortes falharam em estabilizar a dívida pública, atualmente em 82,9% do PIB.

“O tesouraço pode combinar baixo crescimento econômico, aumento do desemprego, redução da renda dos trabalhadores e aprofundamento das desigualdades econômicas e sociais, sem resolver o problema fiscal que pretende enfrentar”, afirma o relatório.

Últimas notícias