Butantan mantém estudos após vacina de dengue suspensa
Aplicação foi interrompida pelo Ministério da Saúde após reações adversas; três internações e dois óbitos estão sob investigação


Fachada do Butantan | Divulgação
O Instituto Butantan afirmou nesta segunda-feira (8) que manterá os estudos da vacina contra a dengue após o Ministério da Saúde anunciar a suspensão temporária da aplicação do imunizante. A decisão foi tomada após o registro de eventos adversos sob investigação, incluindo três internações e 42 reações consideradas severas. Ao menos dois óbitos também estão sendo analisados.
Em nota, o Butantan informou que a interrupção segue orientação do Ministério da Saúde e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e tem caráter preventivo.
“A vacinação contra a dengue será, de maneira preventiva, temporariamente interrompida para reavaliação da estratégia vacinal”, afirmou o instituto.
Segundo o Butantan, os casos ocorreram em um universo de aproximadamente 500 mil pessoas vacinadas, majoritariamente profissionais da saúde. Três episódios apresentaram sinais de maior gravidade, mas ainda não há confirmação de relação causal com a vacina.
O instituto destacou que continuará colaborando com as autoridades sanitárias. “A medida visa garantir a segurança da população nas próximas etapas da vacinação”, informou.
De acordo com o Butantan, a vacina apresentou eficácia global de 79,6% e de 89% contra casos graves em estudo publicado em revista científica internacional. Em municípios que participaram de aplicações em larga escala, como Botucatu (SP), Maranguape (CE) e Nova Lima (MG), o acompanhamento inicial não indicou ocorrências relevantes de eventos adversos.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou mais cedo que ainda não há dados suficientes para estabelecer relação direta entre os óbitos e a vacinação, mas classificou os episódios como um “sinal de alerta” para o sistema de vigilância.
Ao todo, cerca de 501 mil doses foram aplicadas no país neste ano. Registros de eventos adversos foram identificados em municípios que participaram da fase inicial da vacinação, além de uma região de Araguaína (TO).
O Butantan reiterou que seguirá com rigor científico na apuração dos dados e que, caso a segurança seja confirmada, a vacinação poderá ser retomada.















