Governo suspende vacina contra dengue após mortes suspeitas
Ministério da Saúde investiga dois óbitos e 42 casos adversos em imunizante produzido pelo Butantan



Vacina contra a dengue | Divulgação/Butantã
O Ministério da Saúde anunciou nesta segunda-feira (8) que suspenderá a aplicação da vacina contra a dengue produzida pelo Instituto Butantan após identificar reações adversas que causaram três internações e um total de 42 reações consideradas severas. Ao menos dois óbitos estão sendo investigados.
Em coletiva a jornalistas, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou que ainda não há dados suficientes para estabelecer uma causalidade entre as mortes e a vacinação, mas que os episódios são um “sinal de alerta para o sistema de vigilância".
“Nossa decisão neste momento é por descontinuar de forma temporária a atual estratégia de vacinação com a vacina do Butantan", disse o ministro.
Ao todo, 501 mil doses foram aplicadas no país neste ano, majoritariamente em profissionais da atenção primária à saúde. Houve registro de casos adversos nos municípios de Botucatu (SP), Nova Lima (MG) e Maranguape (CE), além de uma região de Araguaína, no Tocantins, que participaram da fase inicial das aplicações.
Conforme o ministro, as reações foram "absolutamente inesperadas" e não haviam sido identificadas nos estudos clínicos ou nas fases 2 e 3 dos testes da vacina, que antecedem a aprovação pela Anvisa (Agência de Vigilância Sanitária).
A recomendação é de estado de observação para quem tomou o imunizante nos últimos 21 dias. Após esse período, o Ministério da Saúde destaca que as chances de reações são ínfimas.
O governo federal realizará ainda nesta segunda uma reunião com gestores estaduais e municipais e representantes do Conass (Conselho Nacional de Secretários de Saúde) e do Conasems (Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde) para discutir a suspensão. A recomendação da descontinuidade na estratégia de vacinação será repassada em nota técnica.
Apesar das adversidades, Padilha lembrou que, até o momento, houve queda substancial nas mortes de dengue no país em relação aos últimos anos: foram 178 neste ano, contra 1.791 em 2025 e 6.320 em 2024.
Conforme o ministério, todas as doses aplicadas até o momento foram 100% de produção brasileira. Em janeiro, o Butantan fechou parceria com a chinesa WuXi Vaccines para alavancar a produção do imunizante e ampliar as entregas no segundo semestre.
As vacinas suspensas não serão descartadas e permanecerão em estoques de refrigeração enquanto o Ministério da Saúde conduz investigações sobre os episódios.
A Butantan-DV, de dose única, começou a ser aplicada no Sistema Único de Saúde (SUS) em 17 de janeiro. O imunizante foi aprovado em novembro do ano passado pela Anvisa após análise dos dados de cinco anos de acompanhamento dos 16 mil participantes voluntários do ensaio clínico.
Além da Butantatan-DV, o Sistema Único de Saúde (SUS) conta também com a Qdenga, imunizante contra a dengue da multinacional japonesa Takeda.
Casos graves
O Ministério da Saúde detalhou os três episódios de reação grave à vacina, sem especificar em quais municípios teriam ocorrido:
- Caso 1: mulher de 39 anos apresentou febre, mialgia e náuseas seis dias após receber a vacina. O quadro evoluiu para sintomas compatíveis com dengue grave, incluindo choque, levando à internação em UTI (Unidade de Terapia Intensiva). A paciente respondeu positivamente ao tratamento e recebeu alta hospitalar;
- Caso 2: mulher de 48 anos imunizada desenvolveu sintomas de dengue grave, que evoluiu para um quadro de meningoencefalite 19 dias depois, levando ao óbito;
- Caso 3: um homem de 58 anos apresentou quadro febril cinco dias após receber a vacina. A condição progrediu para sintomas de dengue grave, acompanhados de choque refratário, levando ao óbito.














