Datafolha: Avaliação de Lula segue estável após tarifaço
Mesmo com as taxas impostas por Trump, pesquisa mostra que reprovação e aprovação do governo oscilaram dentro da margem de erro

Presidente Lula durante encontro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em outubro de 2025 | Ricardo Stuckert/PR
A avaliação do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) permaneceu estável mesmo após a nova rodada de tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, segundo pesquisa Datafolha divulgada nesta sexta-feira (24). O levantamento mostra que 38% dos entrevistados classificam a gestão como ruim ou péssima, enquanto 32% a consideram ótima ou boa e 28% avaliam o governo como regular.
O instituto ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais em 139 municípios entre quarta-feira (22) e quinta-feira (23). A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.
Os resultados repetem os registrados nas pesquisas de maio e junho e sugerem que, até o momento, a nova ofensiva comercial do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ainda não produziu efeitos perceptíveis na avaliação do governo federal.
A primeira rodada de sobretaxas foi anunciada em 15 de julho, em meio a uma investigação americana sobre práticas comerciais brasileiras. Na quarta-feira (22), Washington ampliou as medidas ao impor novas tarifas relacionadas a acusações de trabalho análogo à escravidão.
Na ocasião do primeiro tarifaço, Lula chegou a colher ganhos políticos ao adotar um discurso em defesa da soberania nacional. Entre julho e setembro do ano passado, o índice de avaliação positiva do governo subiu de 29% para 33% e, desde então, permaneceu praticamente estável.
O índice de aprovação do governo também apresentou estabilidade. Segundo o Datafolha, 49% dos entrevistados aprovam a gestão Lula, enquanto 48% a desaprovam. Na pesquisa anterior, os percentuais eram de 48% e 49%, respectivamente, oscilações que permanecem dentro da margem de erro do levantamento.
Perfil da avaliação
Ao longo do terceiro mandato, iniciado em 2023, Lula registrou sua maior queda de popularidade entre dezembro de 2024 e fevereiro de 2025, quando a avaliação positiva caiu de 35% para 24%, o pior resultado de seus três governos. Na época, o governo enfrentou uma série de crises, entre elas a repercussão envolvendo mudanças na fiscalização das movimentações via Pix.
A pesquisa mostra que a avaliação negativa do governo é mais elevada entre homens (43%), moradores da Região Sul (46%), pessoas com ensino superior (48%) e evangélicos (51%). Já a aprovação é superior à média entre católicos (38%), pessoas de baixa renda (39%), eleitores com mais de 60 anos (42%), moradores do Nordeste (45%) e entrevistados com menor escolaridade (46%).
O Datafolha também perguntou quais são os principais problemas do país na visão dos brasileiros. A saúde lidera as preocupações, citada por 21% dos entrevistados. Em seguida aparecem segurança pública (19%), economia (14%), corrupção (9%), educação (8%) e desemprego (5%).
Lula à frente de Flávio Bolsonaro
O Datafolha também indica que o presidente Lula ampliou vantagem sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em um eventual segundo turno da eleição presidencial de 2026. O petista aparece com 48% das intenções de voto, contra 43% do senador, abrindo uma vantagem de cinco pontos percentuais e saindo do cenário de empate técnico registrado anteriormente. Em junho, Lula tinha 47%, enquanto Flávio marcava os mesmos 43%.
No primeiro turno, Lula lidera com 40% das intenções de voto, seguido por Flávio Bolsonaro, com 32%. Em seguida aparecem o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD), com 4%, o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) e o ativista Renan Santos (Missão), ambos com 3%, e o escritor Augusto Cury (Avante), com 2%. Cabo Daciolo (Mobiliza), Samara Martins (UP) e Rui Costa Pimenta (PCO) registram 1% cada. Brancos e nulos somam 9%, enquanto 1% dos entrevistados disseram não saber em quem votar.
Considerando apenas os votos válidos, Lula chega a 45%, ainda abaixo dos 50% mais um necessários para vencer a disputa no primeiro turno. O levantamento também mostra que o presidente venceria outros possíveis candidatos da direita em um segundo turno: teria 47% contra 40% de Ronaldo Caiado e 48% contra 40% de Romeu Zema.
Segundo o Datafolha, a disputa política segue marcada pela troca de acusações sobre a responsabilidade pelos tarifaços impostos pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros. Lula atribui as medidas à atuação de Flávio Bolsonaro junto ao governo de Donald Trump, enquanto o senador afirma que tentou evitar as sobretaxas e responsabiliza o presidente pelas tensões diplomáticas com Washington. Apesar do embate, a pesquisa indica que o episódio ainda não provocou mudanças significativas na avaliação do governo federal nem nas intenções de voto.















