Trump minimiza alertas sobre IA: “conspiração doentia”
Presidente afirmou que o EUA já tem poderes para regular e processar empresas de IA e afirmou que apenas a China se beneficiaria com avanço do setor
Reuters
Governo do presidente dos EUA, Donald Trump, sofre quedas consecutivas entre os norte-americanos | Kylie Cooper/Reuters - 17.08.2026
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, rejeitou nesta segunda-feira (14) novas propostas de regulamentação para a inteligência artificial (IA) e afirmou que o país já dispõe de mecanismos suficientes para responsabilizar empresas do setor.
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Em publicação na rede Truth Social, Trump declarou que a única salvaguarda necessária para a IA seria um presidente “forte e inteligente”, em referência a si próprio.
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“O único controle ou ‘medida de proteção’ de que a IA precisa é um presidente forte e inteligente, com alto QI. E os Estados Unidos têm isso de sobra.”
Trump também afirmou que o governo norte-americano já possui poderes regulatórios e criminais para agir contra empresas de tecnologia. O presidente classificou como uma “conspiração doentia” as críticas aos riscos da inteligência artificial.
Segundo ele, apenas a China se beneficiaria da desconfiança em relação ao desenvolvimento da tecnologia.
“Já temos um poder criminal e regulatório tremendo sobre essas empresas! Há uma conspiração doentia em andamento contra a IA e os data centers, e a única que está feliz com isso é a China.”
As declarações ocorreram depois que líderes de empresas de inteligência artificial defenderam medidas para reduzir o ritmo de desenvolvimento dos modelos mais avançados.
O alerta aumentou após Jacob Coxon, ex-pesquisador da Anthropic, afirmar que pessoas envolvidas no desenvolvimento da tecnologia acreditam que a IA poderia causar danos extremos à humanidade até o fim da década.
A repercussão afetou ações de empresas ligadas ao setor em diferentes mercados. Investidores passaram a avaliar os riscos regulatórios, ambientais e de segurança associados à expansão da inteligência artificial.
CEO da Anthropic pede auditorias independentes
O presidente-executivo da Anthropic, Dario Amodei, publicou no sábado um ensaio defendendo que o governo dos Estados Unidos crie regras para exigir auditorias independentes dos chamados modelos de fronteira.
Esses sistemas são os modelos mais avançados de inteligência artificial, capazes de executar tarefas complexas, operar ferramentas, gerar códigos e atuar em diferentes áreas com elevado grau de autonomia.
Amodei também defendeu uma cooperação entre as empresas para desacelerar o desenvolvimento enquanto os mecanismos de segurança não acompanharem a evolução da tecnologia.
A proposta recebeu apoio de executivos de outras empresas do setor, incluindo Elon Musk, da xAI, e Sam Altman, da OpenAI.
Vice-presidente critica pedido de regulamentação
O vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, afirmou que considera estranho o fato de grandes empresas de tecnologia estarem pedindo ao governo que regulamente o setor.
“Acho um pouco estranho que tantas empresas de tecnologia de IA de ponta estejam procurando o governo e pedindo que ele as regule.”
Vance disse ser cético em relação à criação de novas regras federais para o setor.
O presidente da Câmara dos Deputados dos EUA, Mike Johnson, afirmou que espera uma reunião entre Trump e executivos de empresas de inteligência artificial ainda nesta semana ou no início da próxima.
O encontro deverá discutir a responsabilidade das empresas pela segurança de seus produtos e o papel que o governo deve exercer.
Senadores discutem projeto de lei
Enquanto Trump critica novas exigências, três senadores norte-americanos trabalham em um projeto de lei que poderá obrigar empresas de IA a demonstrar que adotam medidas para impedir danos causados por seus sistemas.
Os detalhes da proposta ainda estão em negociação. O senador Mark Warner, democrata da Virgínia e uma das principais vozes do Congresso em temas de tecnologia, conversou com Amodei e Sam Altman sobre segurança da inteligência artificial.
A possível legislação poderá incluir exigências de avaliação de riscos, auditorias independentes e planos de resposta para incidentes envolvendo modelos avançados.
Disputa entre Trump e Anthropic
O governo Trump também mantém uma disputa com a Anthropic sobre o uso militar da inteligência artificial.
O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, impediu a empresa de participar de determinados contratos militares depois que a Anthropic se recusou a permitir o uso de seus modelos Claude para vigilância doméstica e armas autônomas.
A empresa entrou com uma ação judicial na Califórnia. Em 27 de agosto, um juiz federal decidiu a favor da Anthropic em uma das ações relacionadas ao conflito.
Trump criticou Amodei e afirmou que o governo já teria impedido integrantes do setor de realizar atividades potencialmente prejudiciais. A Anthropic ainda não havia respondido aos pedidos de comentário sobre as declarações do presidente.
Debate divide governo e empresas
O confronto expõe duas visões sobre o futuro da inteligência artificial nos Estados Unidos.
De um lado, Trump e Vance defendem que o governo não deve criar obstáculos que reduzam a competitividade do país diante da China. De outro, executivos e pesquisadores argumentam que o avanço dos modelos mais poderosos exige regras específicas, auditorias e tempo para testar os riscos.
A principal divergência está em saber se os mecanismos atuais já são suficientes ou se a tecnologia evolui mais rapidamente do que a capacidade do governo de fiscalizá-la.
Trump minimiza alertas sobre IA: “conspiração doentia”Presidente afirmou que o EUA já tem poderes para regular e processar empresas de IA e afirmou que apenas a China se beneficiaria com avanço do setorMundo2026-09-14T23:08:05.917ZO presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, rejeitou nesta segunda-feira (14) novas propostas de regulamentação para a inteligência artificial (IA) e afirmou que o país já dispõe de mecanismos suficientes para responsabilizar empresas do setor. Em publicação na rede Truth Social, Trump declarou que a única salvaguarda necessária para a IA seria um presidente “forte e inteligente”, em referência a si próprio. 📲 Receba as principais notícias do Brasil e do mundo no seu WhatsApp! e siga o canal do SBT News. “O único controle ou ‘medida de proteção’ de que a IA precisa é um presidente forte e inteligente, com alto QI. E os Estados Unidos têm isso de sobra.” Trump também afirmou que o governo norte-americano já possui poderes regulatórios e criminais para agir contra empresas de tecnologia. O presidente classificou como uma “conspiração doentia” as críticas aos riscos da inteligência artificial. Segundo ele, apenas a China se beneficiaria da desconfiança em relação ao desenvolvimento da tecnologia. “Já temos um poder criminal e regulatório tremendo sobre essas empresas! Há uma conspiração doentia em andamento contra a IA e os data centers, e a única que está feliz com isso é a China.” + Debate sobre riscos ganhou força As declarações ocorreram depois que líderes de empresas de inteligência artificial defenderam medidas para reduzir o ritmo de desenvolvimento dos modelos mais avançados. O alerta aumentou após Jacob Coxon, ex-pesquisador da Anthropic, afirmar que pessoas envolvidas no desenvolvimento da tecnologia acreditam que a IA poderia causar danos extremos à humanidade até o fim da década. + A repercussão afetou ações de empresas ligadas ao setor em diferentes mercados. Investidores passaram a avaliar os riscos regulatórios, ambientais e de segurança associados à expansão da inteligência artificial. CEO da Anthropic pede auditorias independentes O presidente-executivo da Anthropic, Dario Amodei, publicou no sábado um ensaio defendendo que o governo dos Estados Unidos crie regras para exigir auditorias independentes dos chamados modelos de fronteira. Esses sistemas são os modelos mais avançados de inteligência artificial, capazes de executar tarefas complexas, operar ferramentas, gerar códigos e atuar em diferentes áreas com elevado grau de autonomia. Amodei também defendeu uma cooperação entre as empresas para desacelerar o desenvolvimento enquanto os mecanismos de segurança não acompanharem a evolução da tecnologia. A proposta recebeu apoio de executivos de outras empresas do setor, incluindo Elon Musk, da xAI, e Sam Altman, da OpenAI. Vice-presidente critica pedido de regulamentação O vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, afirmou que considera estranho o fato de grandes empresas de tecnologia estarem pedindo ao governo que regulamente o setor. “Acho um pouco estranho que tantas empresas de tecnologia de IA de ponta estejam procurando o governo e pedindo que ele as regule.” Vance disse ser cético em relação à criação de novas regras federais para o setor. O presidente da Câmara dos Deputados dos EUA, Mike Johnson, afirmou que espera uma reunião entre Trump e executivos de empresas de inteligência artificial ainda nesta semana ou no início da próxima. O encontro deverá discutir a responsabilidade das empresas pela segurança de seus produtos e o papel que o governo deve exercer. Senadores discutem projeto de lei Enquanto Trump critica novas exigências, três senadores norte-americanos trabalham em um projeto de lei que poderá obrigar empresas de IA a demonstrar que adotam medidas para impedir danos causados por seus sistemas. Os detalhes da proposta ainda estão em negociação. O senador Mark Warner, democrata da Virgínia e uma das principais vozes do Congresso em temas de tecnologia, conversou com Amodei e Sam Altman sobre segurança da inteligência artificial. A possível legislação poderá incluir exigências de avaliação de riscos, auditorias independentes e planos de resposta para incidentes envolvendo modelos avançados. Disputa entre Trump e Anthropic O governo Trump também mantém uma disputa com a Anthropic sobre o uso militar da inteligência artificial. O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, impediu a empresa de participar de determinados contratos militares depois que a Anthropic se recusou a permitir o uso de seus modelos Claude para vigilância doméstica e armas autônomas. A empresa entrou com uma ação judicial na Califórnia. Em 27 de agosto, um juiz federal decidiu a favor da Anthropic em uma das ações relacionadas ao conflito. Trump criticou Amodei e afirmou que o governo já teria impedido integrantes do setor de realizar atividades potencialmente prejudiciais. A Anthropic ainda não havia respondido aos pedidos de comentário sobre as declarações do presidente. Debate divide governo e empresas O confronto expõe duas visões sobre o futuro da inteligência artificial nos Estados Unidos. De um lado, Trump e Vance defendem que o governo não deve criar obstáculos que reduzam a competitividade do país diante da China. De outro, executivos e pesquisadores argumentam que o avanço dos modelos mais poderosos exige regras específicas, auditorias e tempo para testar os riscos. A principal divergência está em saber se os mecanismos atuais já são suficientes ou se a tecnologia evolui mais rapidamente do que a capacidade do governo de fiscalizá-la. São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/mundo/trump-minimiza-alertas-sobre-ia-conspiracao-doentia