Saúde

Blue Monday: por que esta segunda-feira ganhou fama de ser a mais triste do ano

Saiba como lidar com o desânimo do início do ano, segundo a ciência

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Naiara Ribeiro
26/01/2026, 14:52 • Atualizado em 26/01/2026, 14:52
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Blue Monday: por que esta segunda-feira ganhou fama de ser a mais triste do ano? | Reprodução/iStock

Blue Monday: por que esta segunda-feira ganhou fama de ser a mais triste do ano? | Reprodução/iStock

Esta segunda-feira, 26 de janeiro, é conhecida como Blue Monday, expressão que ficou popular por ser chamada de o "dia mais triste do ano". O termo surgiu em 2005, criado pelo psicólogo galês Cliff Arnall, e passou a circular principalmente no início de cada ano.

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Segundo Arnall, a chamada "segunda-feira melancólica" reúne uma série de fatores que costumam pesar no começo do ano: o fim das férias, o retorno ao trabalho, a frustração com as resoluções de Ano-Novo e as contas deixadas pelas festas de dezembro.

O psicólogo chegou até a criar uma fórmula matemática para tentar explicar os níveis de tristeza, combinando elementos como clima, dívidas, tempo desde o Natal e motivação pessoal. A ideia, no entanto, é criticada por alguns especialistas, que afirmam que não há comprovação científica de que exista um dia específico mais triste do ano.

Além disso, nem mesmo a data é consenso. Para alguns, a Blue Monday cai na terceira segunda-feira de janeiro; para outros, na última segunda do mês com semana cheia (o que, em 2026, faz a data cair em 26 de janeiro).

Mesmo com as críticas, especialistas reconhecem que os fatores citados ajudam a explicar por que muita gente se sente mais desanimada nessa época do ano.

Resoluções de Ano-Novo: como não desistir tão rápido

Para lidar com a frustração das metas que não saem do papel, o professor de psicologia Ian Ballard, da Universidade da Califórnia, recomenda focar na criação de hábitos, e não apenas na motivação.

Segundo ele, hábitos exigem menos esforço mental e se tornam mais automáticos com o tempo. Para isso, o ideal é estabelecer metas realistas, manter uma rotina e criar pequenas recompensas. "Se a atividade já for prazerosa, ou se houver uma recompensa no fim, fica mais fácil continuar", explica.

Ballard também sugere usar a metodologia Smart, em que as metas precisam ser específicas, mensuráveis, possíveis de alcançar, relevantes e com prazo definido. Colocar essas resoluções no papel e deixar claro o que se ganha com elas também ajudam a manter o foco.

A volta à rotina depois das férias

A psicóloga Andrea Bonior, autora do livro "Detox Your Thoughts", explica que o retorno ao trabalho após as férias pode ser um choque para muita gente. Segundo ela, mudanças muito bruscas na rotina podem aumentar a sensação de tristeza e cansaço.

Entre as estratégias recomendadas estão escrever sobre os próprios sentimentos, avaliar diariamente como está o humor e parar para se perguntar o que pode ajudar a se sentir melhor naquele momento.

Dívidas de fim de ano também pesam no emocional

Outro fator comum no início do ano são as contas. A economista Gecilda Esteves, professora do Ibmec, recomenda começar o ano organizando as finanças e priorizando o pagamento de despesas fixas.

Muitos trabalhadores usam valores extras para quitar dívidas, enquanto poucos conseguem direcionar esse dinheiro para lazer. Planejar gastos como impostos e material escolar pode ajudar a reduzir o aperto financeiro ao longo do ano.

"Organizar as contas e quitar dívidas recorrentes já traz uma sensação de alívio", explica a economista.

É importante lembrar: tristeza não é depressão

O Ministério da Saúde afirma que hábitos como alimentação equilibrada, prática regular de atividade física, sono adequado e manejo do estresse podem contribuir para o bem-estar emocional e a prevenção de doenças. Também é importante evitar o consumo excessivo de álcool e cafeína e não interromper tratamentos médicos sem orientação profissional.

No entanto, especialistas apontam que sentir tristeza ou desânimo em alguns momentos é diferente de depressão, que é uma doença séria e que exige diagnóstico com acompanhamento especializado. No Brasil, cerca de 15,5% da população enfrentam o transtorno ao longo da vida. Em caso de suspeita, a recomendação é buscar atendimento médico ou psicológico.

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